Cultura: notícias e análises | Música & Mercado https://musicaemercado.org/category/cultura/ A música sob o viés do trabalho e negócios Wed, 27 Aug 2025 07:53:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://musicaemercado.org/wp-content/uploads/2026/04/mmlogo-hires-1-80x80.jpg Cultura: notícias e análises | Música & Mercado https://musicaemercado.org/category/cultura/ 32 32 Iniciativa inspirada em Villa-Lobos leva concertos gratuitos a escolas públicas de SP https://musicaemercado.org/brasil-de-thu/ Tue, 26 Aug 2025 09:04:00 +0000 https://musicaemercado.org/?p=240292 Iniciativa inspirada em Villa-Lobos leva concertos gratuitos a escolas públicas de SP

Brasil de Tuhu une educação, cultura e inclusão; em agosto, passa por cidades da Grande São Paulo e interior. A musicalização como ferramenta de formação cidadã é o foco do Brasil de Tuhu, projeto que há 17 anos aproxima crianças da música de concerto em redes públicas de ensino. Inspirada no legado de Heitor Villa-Lobos, […]

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Iniciativa inspirada em Villa-Lobos leva concertos gratuitos a escolas públicas de SP

Brasil de Tuhu une educação, cultura e inclusão; em agosto, passa por cidades da Grande São Paulo e interior.

A musicalização como ferramenta de formação cidadã é o foco do Brasil de Tuhu, projeto que há 17 anos aproxima crianças da música de concerto em redes públicas de ensino. Inspirada no legado de Heitor Villa-Lobos, a iniciativa já impactou mais de 77 mil crianças em 13 estados e, em 2025, realiza uma nova etapa em 17 escolas públicas de nove cidades paulistas, ao longo de agosto e novembro.

As ações chegam a Barueri, Mogi das Cruzes, Sertãozinho, Ribeirão Preto, Campinas, Guarulhos, Franco da Rocha, Taboão da Serra e São Bernardo do Campo, com uma programação pensada para estimular o aprendizado por meio da arte. “Queremos contribuir para um ambiente escolar mais criativo, acessível e acolhedor. A música tem esse poder de ampliar repertórios, gerar vínculos e fortalecer o desenvolvimento das crianças”, afirma Paula Sued, sócia e diretora de produção da Baluarte.

Música, teatro e educação integradas

Os concertos didáticos são protagonizados pelo Quarteto Brasil de Tuhu, sob direção pedagógica da violinista Carla Rincón, e contam com a participação da atriz e artista brincante Verônica Bonfim. O roteiro lúdico e envolvente é assinado por Tim Rescala, compositor e autor teatral. Em formato interativo, as crianças aprendem ritmo, melodia e harmonia, conhecem os instrumentos de cordas e se aproximam da linguagem erudita de forma acessível.

“Vemos crianças ouvindo pela primeira vez um quarteto de cordas, conhecendo Villa-Lobos, despertando para uma nova escuta”, destaca Carla Rincón, primeira violinista do quarteto e diretora pedagógica do programa.

Impacto social e formação de educadores

Além dos concertos, o Brasil de Tuhu disponibiliza conteúdos educativos e atividades complementares para docentes, fortalecendo a prática musical nas escolas após as apresentações. Mais de 1.300 educadores já participaram das formações, que em 2025 ampliam as abordagens para inclusão de crianças com deficiência intelectual.

Nesta edição, a Vivência Musical gratuita para professores acontece em Franco da Rocha, em 27 de agosto. A proposta utiliza objetos do cotidiano (baldes, panelas, cumbucas, colheres de pau) junto a instrumentos para estimular expressão, jogos rítmicos e repertório pedagógico adaptável a diferentes contextos.

“Este é o sonho coletivo de musicalizar o Brasil, o mesmo que inspirou Villa-Lobos e que hoje inspira a nossa missão”, reforça Paula Sued.

O Brasil de Tuhu é realizado pela Baluarte, com patrocínio da GLP, copatrocínio do Grupo Priner e apoio do Grupo Farol, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), do Ministério da Cultura do Governo Federal.

Foto: Lucas Castroviejo

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Teatro Opus Città anuncia inauguração com atrações nacionais e internacionais https://musicaemercado.org/teatro-opus-citta-anuncia-inauguracao/ Thu, 24 Apr 2025 13:03:00 +0000 https://musicaemercado.org/?p=218254 Teatro Opus Città anuncia inauguração com atrações nacionais e internacionais

Espaço cultural na Barra da Tijuca funcionará em soft opening ao longo de 2025 e terá capacidade para até 3 mil pessoas. O Rio de Janeiro ganhará um novo ponto de encontro para os amantes das artes e do entretenimento. O Teatro Opus Città, situado na Barra da Tijuca, confirmou sua inauguração para os próximos […]

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Teatro Opus Città anuncia inauguração com atrações nacionais e internacionais

Espaço cultural na Barra da Tijuca funcionará em soft opening ao longo de 2025 e terá capacidade para até 3 mil pessoas.

O Rio de Janeiro ganhará um novo ponto de encontro para os amantes das artes e do entretenimento. O Teatro Opus Città, situado na Barra da Tijuca, confirmou sua inauguração para os próximos meses, operando inicialmente em formato soft opening. A proposta é testar e aperfeiçoar operações enquanto oferece ao público uma programação diversa, que contempla shows, peças teatrais, festivais, stand-ups e eventos corporativos.
A estreia da programação já tem data marcada: no dia 8 de agosto, o espetáculo “Tons de Comédia” reúne os humoristas Hugo Sousa, Gilmário Vemba e Murilo Couto. No dia 15, o humor internacional entra em cena com Morgan Jay, seguido pelas apresentações de Bruna Louise (16 e 17 de agosto) e Thiago Ventura, que encerra o mês no dia 31.
Os ingressos começam a ser vendidos no dia 24 de abril pela plataforma Uhuu.com e na bilheteria física do teatro, localizada na Avenida das Américas, 700. O atendimento acontece de segunda a sexta-feira, das 12h30 às 18h30. O espaço é acessível para cadeirantes e pessoas com necessidades especiais e oferece estacionamento com mais de três mil vagas. Para quem prefere transporte público, a estação Jardim Oceânico do metrô está a poucos metros de distância.
Com 4.343,90 metros quadrados distribuídos em três andares, o Teatro Opus Città possui estrutura versátil, com plateia adaptável, frisas, camarotes e balcão. A configuração permite desde espetáculos intimistas até grandes produções, com capacidade total de até 3 mil espectadores. O projeto arquitetônico privilegia a visibilidade de todos os ângulos da casa.
O novo teatro será administrado pela Opus Entretenimento, considerada a maior plataforma de shows e eventos ao vivo do Brasil. A empresa já é responsável pela gestão de outros oito espaços culturais em diferentes estados, e promete repetir no Rio de Janeiro o sucesso de sua operação em teatros e arenas pelo País.

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Harmonias Paulistas: Série documental exalta grandes instrumentistas de SP e homenageia Tom Jobim https://musicaemercado.org/harmonias-paulistas-serie-documental/ Fri, 21 Mar 2025 11:07:04 +0000 https://musicaemercado.org/?p=209532 Harmonias Paulistas: Série documental exalta grandes instrumentistas de SP e homenageia Tom Jobim

A música instrumental paulista ganha um novo espaço com a estreia da série Harmonias Paulistas, produzida pela Borandá Produções e disponível no canal da produtora no YouTube. Com seis episódios inéditos, a série será exibida semanalmente até 26 de março, sempre às quartas-feiras, destacando alguns dos mais relevantes instrumentistas do estado de São Paulo.Gravada entre […]

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Harmonias Paulistas: Série documental exalta grandes instrumentistas de SP e homenageia Tom Jobim

A música instrumental paulista ganha um novo espaço com a estreia da série Harmonias Paulistas, produzida pela Borandá Produções e disponível no canal da produtora no YouTube.

Com seis episódios inéditos, a série será exibida semanalmente até 26 de março, sempre às quartas-feiras, destacando alguns dos mais relevantes instrumentistas do estado de São Paulo.
Gravada entre agosto e novembro de 2024, a produção é conduzida pelo jornalista e crítico musical Carlos Calado, com direção artística de Gisella Gonçalves, idealizadora do projeto. A proposta é trazer à tona histórias marcantes e pouco conhecidas de músicos que construíram trajetórias fundamentais para a música brasileira.
Entre os protagonistas estão nomes de destaque como Paulo Bellinati (violão), Toninho Ferragutti (acordeom), Heloísa Fernandes (piano), Alexandre Ribeiro (clarinete), Roberta Valente (pandeiro) e Adriana Holtz (violoncelo).

Uma homenagem a Tom Jobim e à diversidade da música paulista

A série explora a versatilidade e a pluralidade da música instrumental paulista, transitando por gêneros como o choro tradicional, música erudita, jazz, forró e música caipira de raiz. Ao final de cada episódio, o público poderá assistir a uma performance exclusiva em estúdio com uma obra de Tom Jobim, homenageado da série. “A música de Tom atravessa todas as fronteiras e as interpretações feitas por esses grandes músicos foram emocionantes”, comenta Gisella Gonçalves.

Locais simbólicos e histórias de vida

Cada episódio foi gravado em espaços que guardam relação afetiva ou histórica com os artistas. Entre eles estão o Ó do Borogodó, tradicional reduto do samba e do choro em São Paulo, a Sala do Conservatório, o Parque da Água Branca e a Escola de Música do Sesc Consolação.
“É como abrir um baú de memórias preciosas, onde cada artista compartilha conosco não apenas sua música, mas também momentos decisivos que moldaram sua carreira”, afirma Gisella.

Compromisso com a acessibilidade

Harmonias Paulistas conta com interpretação em Libras, closed caption e legendas em inglês, ampliando o alcance do projeto no Brasil e no exterior.
A série foi viabilizada por meio do Edital 14/2023 da Lei Paulo Gustavo e tem apresentação do Ministério da Cultura, do Governo do Estado de São Paulo e da Borandá Produções.
Os episódios podem ser assistidos gratuitamente no canal da Borandá Produções no YouTube.

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Falece o reconhecido baterista Dudu Portes https://musicaemercado.org/falece-o-reconhecido-baterista-dudu-portes/ Wed, 30 Oct 2024 13:48:13 +0000 https://musicaemercado.org/?p=186063 Falece o reconhecido baterista Dudu Portes

O mundo musical despede Dudu Portes, deixando sua marca no mundo da percussão. Nascido em 1948, Eduardo Portes de Souza, mais conhecido como Dudu Portes, descobriu sua paixão pela música aos 13 anos, quando seu cunhado deu a ele uma bateria velha.A partir daí começou a praticar e estudar, se profissionalizar cada vez mais e […]

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Falece o reconhecido baterista Dudu Portes

O mundo musical despede Dudu Portes, deixando sua marca no mundo da percussão.

Nascido em 1948, Eduardo Portes de Souza, mais conhecido como Dudu Portes, descobriu sua paixão pela música aos 13 anos, quando seu cunhado deu a ele uma bateria velha.
A partir daí começou a praticar e estudar, se profissionalizar cada vez mais e até criou protótipos de instrumentos de percussão de todos os tipos. 
“Baterias eletrônicas híbridas, pedais, ferragens, caixas, baquetas, pratos, tudo que você puder imaginar do universo da percussão teve uma mãozinha dele”, conta no website do músico.
Devido à sua vasta experiência e conhecimento de engenharia de produto, desde 1990 ele também prestava consultoria técnica para diversos setores da indústria musical.
O velório de Dudu será hoje quarta-feira 30 de outubro de 16h a 20h, no Cemitério São Pedro, em São Paulo.
Após o velório, a cerimônia será realizada no Crematório Vila Alpina.

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Música transforma vidas de presos em projeto de ressocialização https://musicaemercado.org/musica-transforma-vidas-de-presos-em-projeto-de-ressocializacao/ Tue, 10 Sep 2024 08:54:09 +0000 https://musicaemercado.org/?p=178256 Música transforma vidas de presos em projeto de ressocialização

A ressocialização de detentos no Brasil tem ganhado novas dimensões com projetos que unem capacitação profissional e arte. Iniciativas como o Sons da Liberdade, no Acre, e o Baqueart, em Pernambuco, utilizam a fabricação de instrumentos musicais para proporcionar aos internos uma oportunidade de recomeçar suas vidas de maneira digna, oferecendo uma nova perspectiva de […]

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Música transforma vidas de presos em projeto de ressocialização

A ressocialização de detentos no Brasil tem ganhado novas dimensões com projetos que unem capacitação profissional e arte.

Iniciativas como o Sons da Liberdade, no Acre, e o Baqueart, em Pernambuco, utilizam a fabricação de instrumentos musicais para proporcionar aos internos uma oportunidade de recomeçar suas vidas de maneira digna, oferecendo uma nova perspectiva de reintegração social e profissional. Além de promoverem o desenvolvimento de habilidades técnicas, esses projetos utilizam a música como ferramenta de transformação, criando oportunidades reais para os presos saírem do sistema penitenciário com novas chances no mercado de trabalho.

Sons da Liberdade: Detento trabalha na produção de um violão.

Sons da Liberdade, realizado pelo Instituto de Administração Penitenciária (Iapen)

No Acre, o projeto Sons da Liberdade, realizado pelo Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), se consolidou como uma referência nacional na ressocialização de detentos através da luthieria, a arte de fabricar instrumentos musicais. Desde maio de 2024, os reeducandos são capacitados a construir violões e guitarras de alta qualidade em uma oficina que proporciona 222 horas de aulas práticas e teóricas. O coordenador do projeto, Luiz da Mata, destaca que a iniciativa tem como objetivo oferecer aos detentos a chance de aprender uma nova profissão, preparando-os para o mercado de trabalho após o cumprimento de suas penas​.

Desembargador Francisco Djalma, presidente de Iapen e Jardel Costa, professor de luthieria, em visita à fábrica de instrumentos musicais. Foto: Zayra Amorim/Iapen

O reconhecimento da qualidade dos instrumentos fabricados pelos presos foi evidenciado durante a Expoacre 2024, onde os violões confeccionados na oficina chamaram a atenção de visitantes e músicos locais. “A madeira é de qualidade, e por ser feito por reeducandos, é algo muito interessante, muito gratificante”, comentou o músico Rafael Jones, que visitou o estande do Iapen durante o evento​. Além do sucesso na Expoacre, o projeto Sons da Liberdade foi convidado para expor seus instrumentos na Conecta+ Música & Mercado, a maior feira de música da América Latina, um reconhecimento significativo da qualidade do trabalho realizado dentro do sistema penitenciário​.

Jardel Costa, policial penal e instrutor de luthieria no Sons da Liberdade, enfatizou a satisfação dos detentos em ver seu trabalho sendo apreciado pela comunidade. “Eles têm ficado muito felizes, tanto com o instrumento pronto, quanto com o fruto do trabalho, também com as pessoas vindo ver o instrumento, tocar neles, ver que é um instrumento bom, de qualidade, que não perde em nada para um instrumento profissional”​. Essa valorização do trabalho contribui diretamente para a autoestima dos reeducandos e reforça o potencial transformador da arte dentro do ambiente prisional.

Projeto Baqueart, no Centro de Ressocialização do Agreste (CRA)

Paralelamente, em Pernambuco, o projeto Baqueart, no Centro de Ressocialização do Agreste (CRA), localizado em Canhotinho, também promove a reintegração social por meio da música. Desde agosto de 2024, os detentos participam de aulas teóricas e práticas de fabricação artesanal de instrumentos de percussão, como zabumbas, surdos e pandeiros. Segundo Paulo Paes, secretário de Administração Penitenciária e Ressocialização de Pernambuco, o projeto busca oferecer uma formação técnica que permita aos internos sair do sistema penitenciário com condições de sustentar suas famílias e viver com dignidade​.

Além da capacitação técnica, o projeto Baqueart se destaca pela abordagem ambientalmente sustentável, com a produção totalmente artesanal e manual, sem o uso de produtos químicos ou máquinas. Sérgio Reis, professor responsável pela formação dos internos, destacou a importância do método: “O processo é totalmente manual, respeitando o meio ambiente e ensinando uma nova forma de trabalho para os internos”​.

A valorização do trabalho dos detentos no projeto Baqueart também é recompensada com remuneração e direito à remição de pena, conforme previsto na Lei de Execução Penal. “O Baqueart faz parte de uma transformação maior no sistema penitenciário de Pernambuco, onde trabalho, renda e educação são pilares fundamentais”, afirmou Alexandre Felipe, superintendente de Trabalho e Ressocialização​. A iniciativa tem sido vista como um modelo a ser seguido, com planos de expansão para outras unidades prisionais no estado.

Essas iniciativas de luthieria dentro do sistema prisional não apenas promovem a capacitação técnica dos detentos, mas também oferecem um meio de abstração e reabilitação emocional por meio da música. Para Daniel Neves, presidente da ANAFIMA (Associação Nacional da Indústria da Música), os projetos têm uma importância multifacetada: “A fabricação de instrumentos musicais pelos detentos atua em dois parâmetros: a criação de um ofício e a abstração que o instrumento proporciona. Foi louvável a atitude das diretorias de ambos sistemas penitenciários que trouxeram estas atividades aos detentos”​.

Ao capacitar os internos para uma nova profissão e permitir que eles utilizem a música como forma de expressão e superação, os projetos Sons da Liberdade e Baqueart demonstram o potencial transformador da arte dentro do sistema penitenciário. Essas iniciativas oferecem aos detentos uma oportunidade real de reescreverem suas histórias e de retornarem à sociedade com dignidade e novas perspectivas de vida.

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Paraíba: Editais do ‘ICMS Cultural’ incluem projeto para estudar música https://musicaemercado.org/paraiba-editais-do-icms-cultural-incluem-projeto-para-estudar-musica/ Thu, 22 Feb 2024 16:22:47 +0000 https://musicaemercado.org/?p=146440 Paraíba: Editais do ‘ICMS Cultural’ incluem projeto para estudar música

Edital do Programa de Inclusão Através da Música e das Artes (Prima) planeja oferecer 392 vagas para jovens paraibanos que desejem aprender a tocar instrumentos musicais. O governador João Azevêdo, e os secretários da Fazenda (Sefaz-PB), Marialvo Laureano, e da Cultura, Pedro Santos, lançaram essa semana os editais do ‘ICMS Cultural’, do ‘Prima’ e do novo […]

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Paraíba: Editais do ‘ICMS Cultural’ incluem projeto para estudar música

Edital do Programa de Inclusão Através da Música e das Artes (Prima) planeja oferecer 392 vagas para jovens paraibanos que desejem aprender a tocar instrumentos musicais.

O governador João Azevêdo, e os secretários da Fazenda (Sefaz-PB), Marialvo Laureano, e da Cultura, Pedro Santos, lançaram essa semana os editais do ‘ICMS Cultural’, do ‘Prima’ e do novo projeto ‘Viva o Centro’, em João Pessoa, para fomentar a cultura nas diversas regiões do Estado.     

Com o objetivo de reforçar o respeito e trabalho com os artistas locais, o governador ressaltou que haverá novos investimentos este ano no segmento cultural. Ano passado foram investidos R$ 50 milhões na área da cultura, e este ano o investimento será pela mesma quantidade, permitindo a geração de emprego, renda e melhoria da qualidade de vida das pessoas envolvidas. 

O governador destacou que, através desses editais, serão apoiados eventos e festivais em todas as regiões do Estado. 

Programa Prima

Um ponto destacado na área da cultura, dentro dos lançamentos do ‘ICMS Cultural 2024’, é o edital de matrículas para o Programa de Inclusão Através da Música e das Artes (Prima), que oferecerá 392 vagas para jovens paraibanos que desejem aprender e se aperfeiçoar na execução de instrumentos musicais. Terá vagas para 17 polos espalhados em 14 municípios do estado e conterão 16 instrumentos musicais diferentes.   

“Todas essas ações e investimentos em políticas públicas demonstram a importância que a cultura paraibana tem para o Governo da Paraíba. Temos investido tanto nos artistas da terra, na revitalização do Centro Histórico, como também em artistas em formação ou futuros artistas, por meio do edital do Projeto Prima. Os editais vão funcionar a partir de um programa de isenção fiscal com as empresas que aderirem ao projeto”, comentou o secretário da Fazenda.   

Fonte: SEFAZ/PB

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Academia Jovem Orquestra Ouro Preto abre vagas para 2024 https://musicaemercado.org/academia-jovem-orquestra-ouro-preto-abre-vagas-para-2024/ Mon, 19 Feb 2024 17:22:03 +0000 https://musicaemercado.org/?p=145398 Academia-Jovem-Orquestra-Ouro-Preto-Creditos-Rapha-Garcia-006

Criado para promover o ensino da prática orquestral, projeto abre edital para jovens músicos. As inscrições vão até 20 de fevereiro.   A Academia Jovem Orquestra Ouro Preto abre edital para jovens músicos, com idades entre 18 e 28 anos, desenvolverem seus talentos por meio da prática orquestral. As inscrições estão abertas até o dia […]

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Academia-Jovem-Orquestra-Ouro-Preto-Creditos-Rapha-Garcia-006

Criado para promover o ensino da prática orquestral, projeto abre edital para jovens músicos. As inscrições vão até 20 de fevereiro.  

A Academia Jovem Orquestra Ouro Preto abre edital para jovens músicos, com idades entre 18 e 28 anos, desenvolverem seus talentos por meio da prática orquestral. As inscrições estão abertas até o dia 20 de fevereiro e oferecem vagas para violino, viola e violoncelo. Os selecionados receberão uma bolsa mensal no valor de R$ 1.000,00, entre março e dezembro de 2024.

Pautada na vivência artística, a Academia Jovem Orquestra Ouro Preto é um programa que visa dar oportunidade a talentos para que experimentem a prática orquestral dentro de uma instituição reconhecida. Além do desenvolvimento técnico musical, os bolsistas ainda têm oportunidades práticas em concertos com a presença do público, além da possibilidade de participarem dos projetos desenvolvidos pela Orquestra Ouro Preto ao longo do ano. Desta forma, participar da Academia é uma experiência única, gerando vivências enriquecedoras com músicos e professores de reconhecida excelência.

Além de ensaios semanais em Belo Horizonte, os bolsistas aprendem com, talvez, o melhor dos professores, o palco. Entre gravações, concertos e aulas, os alunos absorvem, diretamente da fonte, lições riquíssimas com os líderes de naipes da Orquestra, o Maestro Rodrigo Toffolo e, muitas vezes, ícones da música brasileira, que são convidados eventualmente para projetos. Atualmente, 9 ex-alunos são protagonistas da formação principal e passaram por essa fase preparatória dentro da Academia antes de ingressarem oficialmente no corpo musical.

Aos 25 anos, Glaikson Nogueira, ex-aluno da Academia e integrante da Orquestra Ouro Preto no naipe de violinos, ressalta o esmero da formação mineira na formação dos bolsistas e a oportunidade profissional que se abre no mercado da música de concerto. “Uma das coisas que mais me impactou como aluno foi o compromisso que a Orquestra tem com todos os projetos, a organização, os professores sempre muito competentes, o carinho e cuidado com cada um dos alunos em grandes e pequenos detalhes”, conta o violinista.

“Vejo a Academia como uma grande oportunidade, uma vitrine onde se apresenta o que se tem de melhor para o mercado. Ali todos os alunos estão sendo vistos, têm seus nomes comentados por pessoas já muito bem estabelecidas nesse universo. Com o conhecimento e a visibilidade que se tem na academia é possível alcançar grandes objetivos”, garante o músico.

O edital com as informações completas e a ficha de inscrição estão disponíveis no site www.orquestraouropreto.com.br.

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Conselho Federal da OMB emite nota de repúdio ao Prefeito de Maceió. Entenda. https://musicaemercado.org/omb-emite-nota-de-repudio-a-prefeitura-de-maceio/ Tue, 16 Jan 2024 11:26:54 +0000 https://musicaemercado.org/?p=140122 OMB e Prefeitura de Maceio

Desrespeito à legislação local acende debate sobre valorização da cultura alagoana. O conflito entre a classe artística de Maceió e a Prefeitura ganha um novo capítulo. A Ordem dos Músicos do Brasil Conselho Federal (OMBCF) manifesta descontentamento com a gestão municipal por não aderir à Lei Municipal 7.077/2021. A legislação exige que metade dos valores […]

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OMB e Prefeitura de Maceio

Desrespeito à legislação local acende debate sobre valorização da cultura alagoana.

O conflito entre a classe artística de Maceió e a Prefeitura ganha um novo capítulo. A Ordem dos Músicos do Brasil Conselho Federal (OMBCF) manifesta descontentamento com a gestão municipal por não aderir à Lei Municipal 7.077/2021. A legislação exige que metade dos valores investidos em eventos seja destinada aos artistas da região, uma norma que, segundo a Ordem, não está sendo seguida.

Conforme relatos os R$ 7 milhões pagos a artistas de fora poderiam financiar a apresentação de 373 bandas locais. A lei em questão visa equilibrar a exposição entre talentos alagoanos e figuras nacionais em eventos promovidos na cidade.

Segundo a OMBCF, o prefeito JHC – João Henrique Caldas falhou mais uma vez em respeitar a lei nº 7.077 de 19/08/2021, que estipula a obrigatoriedade de destinar, no mínimo, 50% do total de recursos investidos em eventos, para a contratação de artistas e músicos da localidade. A nota emitida pela Ordem aponta um descaso reiterado com os profissionais do setor, algo que não apenas os desrespeita mas também os desvaloriza diante da comunidade e do mercado.

O evento no centro da controvérsia é o Verão Massayó, promovido pelo Executivo Municipal, que teria, de acordo com a Ordem, falhado em incluir artistas alagoanos em sua programação. Diante deste cenário, a OMBCF não apenas expressou seu descontentamento, mas também solicitou a suspensão do evento, numa tentativa de forçar o cumprimento da legislação e garantir justiça para a classe artística local.

A Ordem dos Músicos, através do seu presidente Gervásio Brás Bezerra, reforça a importância do papel da Prefeitura em assegurar a aplicação da lei e o respeito aos músicos da terra, ao mesmo tempo em que apela ao Ministério Público para que as sanções necessárias sejam aplicadas, caso a lei continue sendo ignorada.

Leia a nota de repúdio, emitida pelo Conselho Federal da Ordem dos Músicos do Brasil contra o Prefeito de Maceió

Após intensas críticas, houve um aumento no número de artistas locais programados para o Massayó Verão, mas a medida não aplacou a insatisfação geral. A situação evidencia um problema mais profundo de políticas públicas culturais na cidade.

Problemas adicionais relacionados a música, em Maceió, incluem:

  • Editais Inacessíveis: Dificuldades para artistas individuais se inscreverem devido à exigência de CNPJ.
  • Lei Paulo Gustavo: Recursos destinados para a cultura não estão sendo geridos com transparência.
  • Débitos Pendentes: Pagamentos atrasados aos artistas locais desde o São João de 2023.

Links das matérias para consulta e aprofundamento:

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Quem Canta Seus Males Espanta: Sandra Sofiati e seu Corpo Sonoro https://musicaemercado.org/quem-canta-seus-males-espanta-sandra-sofiati/ Tue, 24 Oct 2023 12:00:00 +0000 https://musicaemercado.org/?p=128525 Quem Canta Seus Males Espanta: Sandra Sofiati e seu Corpo Sonoro

Nesse novo artigo de Quem Canta Seus Males Espanta, vamos sair um pouco dos instrumentos “externos”, e nos voltar para o nosso instrumento “externo”: a voz.  E não escolhemos um cantor ou cantora para externar o trabalho que tem desenvolvido. Escolhemos uma terapeuta com um grande envolvimento com o som. Ela criou o Corpo Sonoro, […]

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Quem Canta Seus Males Espanta: Sandra Sofiati e seu Corpo Sonoro

Nesse novo artigo de Quem Canta Seus Males Espanta, vamos sair um pouco dos instrumentos “externos”, e nos voltar para o nosso instrumento “externo”: a voz. 

E não escolhemos um cantor ou cantora para externar o trabalho que tem desenvolvido. Escolhemos uma terapeuta com um grande envolvimento com o som. Ela criou o Corpo Sonoro, um método sobre o qual nos fala aqui.

Sandra Sofiati é psicóloga formada pela USP em 1975 e trabalha como psicoterapeuta há 47 anos. Fez especialização em Bioenergética, na Escola do Desvendar da Voz, em Pathwork e em Constelações Familiares. Foi professora do Instituto Sedes Sapientiae, Senai e Unifesp, ensinando seu método de Terapia de Corpo e Voz Corpo Sonoro. 

Sabemos das 7 couraças reichianas, dentre as quais está a oral, mas em se tratando do canto, entram em ação outras, dado o uso da respiração. Como você avalia o papel das couraças levando em consideração as usadas no processo do canto?

O canto, na verdade, rompe com o bloqueio da respiração curta, inibida, porque não tem como não respirar quando você está cantando. É uma atividade que faz muito bem para o espírito, mas sobretudo também para o corpo físico. Em relação às couraças, a primeira defesa, a primeira couraça a se formar é a diafragmática, que é quando a respiração começa a ficar muito superficial, muito alta no peito, de modo que a pessoa, sem poder estar respirando em toda a sua potencialidade, vai se insensibilizando. Porque a melhor maneira de você não sentir dor, e as nossas defesas são todos para evitar a dor, é diminuir a respiração. 

Desde a primeira infância o ser humano bloqueia a respiração para não sentir. 

Na verdade, existe todo um comprometimento emocional e psíquico quando você não respira na sua potencialidade, porque na verdade acaba se anestesiando, e parte da sua energia vital também acaba ficando muito reduzida. 

O papel do canto é fundamental porque ajuda no desbloqueio da energia através do desbloqueio da respiração. E lógico que quando esta energia desbloqueada entra no sistema energético, a sua própria movimentação faz com que outras couraças – além da diafragmática – possam ser desbloqueadas também.

Pensando no desenvolvimento do Cordão Sonoro, você acredita que um trabalho de canto a partir de certo momento na infância pode ser um forte alicerce para o uso musical da voz nas outras etapas cronológicas do ser humano?

Acredito sim que o canto na infância pode dar condições de um desenvolvimento artístico, mental, emocional e espiritual, que possivelmente vai permanecer até a vida adulta. O corpo guarda memórias. Mesmo que, durante uma vida de apuros, de muitas dificuldades, a pessoa volte a se bloquear, volte a respirar muito pouco numa tentativa de sobrevivência, o fato é que o corpo tem memória, e o espírito de alguma maneira também. Então eu acho que o ensino da música na infância é fundamental, e o canto também é fundamental. Quando a gente canta, a barriga abre. Quando a gente canta, a ressonância do canto – mais do que qualquer outro instrumento – vibra no corpo e faz com que essa corpo seja vibrante, um corpo potente, alegre. Então, acho sim que se o ser humano, cantar desde a infância, possivelmente será um ser humano adulto que ama, que produz, que cria. E outra coisa que merece ser dita: o canto nem precisa ser ensinado, porque se a criança não foi reprimida, naturalmente ela vai cantar; a gente vê isso acontecendo com crianças muito pequenas. 

Não é só o canto que não deve ser reprimido, é toda expressão sonora que tenha ligação com a expressão emocional. Quando a família é muito repressora, quando na escola não se pode soltar determinados sons, isso cria bloqueios que enfermam. Sons biológicos, naturais, viscerais, quando não reprimidos, abrem depois de um tempo a possibilidade de se tornarem canto. 

Eu acredito que o ser humano é músico, nasce com esse dom. Todos nós somos músicos, todos podemos cantar. Se a gente não canta, possivelmente é por causa do processo de repressão e por causa do encouraçamento. Eu acredito que a partir dos sons biológicos, naturalmente a criança pode, e é muito provável, que ela passe por uma fase na qual ela vai cantar. Lógico que vai depender um pouco do quanto que a família ouve música. Mas ela ouve música na televisão o tempo todo, quando entra na escola, também começa a ouvir música. De forma que ela nem precisa ter aula de canto pra cantar, se o corpo já não estiver encouraçado. Claro que se ela puder ter aulas de canto, se puder fazer parte de um coral, se ela puder tocar um instrumento, aprender a tocar um instrumento e cantar ao mesmo tempo, maravilha. Isso vai ser um estímulo a mais para ela se expressar musicalmente. 

Continuando em ordem cronológica, entre Reich e Lowen, os desbloqueios corporais podem ser auxiliados pelo desbloqueio da voz, e dentre estes desbloqueios estaria um dos problemas do ensino do canto; as temidas desafinações?

Oitenta por cento das temidas desafinações não acontecem por questões físicas e nem por falta de ouvido musical. Acho que existe uma repressão, quando a pessoa canta, que já está introjetada. Porque, quantas vezes ela ouviu dizer que não cantava bem, que cantava desafinadamente? 

Eu acho que o desbloqueio através de um canto mais livre, no qual seja permitido desafinar, abre o canal sonoro, e ao soltar a voz, ao desinibir essa expressão, com certeza a pessoa que, digamos, é desafinada, tende a poder vir a ser afinada. E digamos que não seja possível mesmo afinar, ok, que lhe seja possível cantar do mesmo jeito. Acho que a pessoa que está desafinando tem o prazer de abrir a boca, de sentir sair a voz,  e isso é muito importante. Além de que, som da própria voz é o som que produz mais vibração e isso põe em movimento aquilo que parou de pulsar. É uma questão física. Pelas vibrações sonoras que a voz tem, tanto a falada quanto a cantada, você vai desmanchando as couraças, abrindo a possibilidade de um fluxo de energia que volta a circular dentro dos caminhos que seriam os mais naturais e os mais biológicos. 

Acho que a primeira coisa nesses casos de pessoas muito desafinadas, é tentar fazer com que ela possa recordar em que momento da sua vida ela ouviu dizer que ela era desafinada, e que não podia se expressar pelo canto. Porque aí já fica claro o momento da repressão, quem reprimiu e qual foi o efeito que essa repressão produziu no desenvolvimento desta pessoa.

Fale um pouco sobre o Desvendar da Voz, Rudolf Steiner, o problema da cantora sueca e como você teve contato com este interessante trabalho, que certamente coloca a importância das outras couraças – além da oral – no encontro da verdadeira voz.

No início do século uma cantora sueca, lírica, soprano, de muito sucesso, viaja pela Europa e tem aulas com um professor de canto italiano que diz: olha, se você continuar a trabalhar sua voz dentro deste método de canto lírico, no qual você está treinando, vai acabar sem ela. Era uma determinada nota que ele ouvia, e através dessa escuta ele fez essa afirmação. Dito e feito: depois de alguns anos a cantora não só deixa de cantar, como também deixa de falar. Até que ela conhece o Rudolf Steiner, e junto com ele, ela desenvolve um método chamado Desvendar da Voz. O que faz esse método? Primeiramente, dentro dessa escola, há uma concepção de universo muito parecida com a concepção oriental. Acreditam que todo o universo foi criado através de uma fonte sonora. Existiria o Om, fonte inicial, que vai se decompor em vários tons musicais, que são inaudíveis ao ouvido humano, e que encarnam na Terra através da voz humana e dos instrumentos musicais. Eles acreditam que as notas musicais, os sons, são seres espirituais. Tratam cada nota musical como uma entidade vivificadora e restauradora de saúde. Determinados exercícios, determinadas formas corporais, podem captar esses sons cósmicos na sua energia mais sutil, de forma que eles podem trabalhar pela saúde, regenerando não somente a voz, mas tratando também de enfermidades e até de questões emocionais. Por isso quem canta seus males espanta. Porque de alguma maneira, quando cantamos, estamos encarnando no planeta os sons inaudíveis, que se tornam audíveis através do ser humano, pelo canto ou pelos instrumentos musicais. De forma muito sintética é esta a ideia.

No primeiro artigo da série “Quem Canta Seus Males Espanta”, abordei a importância do número 4 na música. Nos conte um pouco sobre o exercício MVRS e sua associação aos 4 elementos.

A proposta deste exercício é trabalhar com os 4 elementos.  O som do M tem ligação com o elemento água, o som do V é fogo, o som do R é ar, e o som do S é terra. Quando você faz esse exercício, que não vou descrever por ser muito sutil e complexo, na verdade você está trabalhando pela unificação dos quatro elementos, que na verdade são os elementos que determinam a vida. Através dele também fazemos uma conexão com as quatro direções. Portanto existem quatro sonoridades, quatro consoantes, cada uma ligada a um elemento. Todas as mães do mundo fazem seus filhos dormirem através do som do M, independente do lugar no planeta que em que estejam. Este M tem ligação com o embalo, o ninar a criança e por isso tem relação com água, que formam as ondas, que flui. O V é ligado ao fogo. Fazemos diferentes Vs com a intenção de sonorizar o fogo. Este som está ligado a este elemento e tem a propriedade de mobilizar a sua energia vital, seu centro. O som do R tem ligação com o ar, é o som que coloca a vibração sonora no espaço, um som que vibra, e que tem a propriedade de propagação pelo ar maior do que os outros fonemas e vogais. E o som do S é ligado a terra porque é aquele que materializa, que concretiza, contém. Quando você está no cinema e alguém está falando, que som você faz? Se você vê uma criança fazendo uma travessura, qual som você emite? Sempre o S: shi, tshi. É o som que tem a propriedade de solidificar, conter. 

Quando você junta estes quatro elementos, MVRS está fazendo uma integração daquilo que é fundamental pra vida. Esses quatro elementos são emitidos de forma harmônica, e o tempo que cada consoante dura nos exercícios é o mesmo, e com isso se faz um trabalho de harmonização. Além disso, junto com o som, o corpo faz um movimento que lembra muito o reflexo orgástico descrito por Reich. Que na verdade não tem relação só com o orgasmo; aqui o reflexo orgástico tem o sentido de organísmico. Então qualquer emoção, qualquer expressão emocional tem este reflexo de base, se o corpo está livre, desencouraçado. 

Agora nos fale um pouco sobre o seu Corpo Sonoro, trabalho que vem realizando já a algum tempo no teu leque de opções terapêuticas reichianas, e o que este trabalho tem a oferecer ao mundo musical nestes tempos de ruídos…

O meu diferencial dentro da área dos corporalistas, dos psicoterapeutas reichianos, bioenergéticos, é que eu acabo usando os sons, a música, a voz, como agentes de desbloqueio energético. Então digamos, as posições da bioenergética do Lowen, são todas posições que fazem com que a energia volte a circular, mas é algo de fora pra dentro. E o som, ao contrário, tem a propriedade de fazer a energia circular, desbloqueando-a  de dentro prá fora. Isso é uma questão física; som é vibração. Tensão tem a ver com não movimento, contração, que é quando a energia não flui. Então, na hora em que você vibra numa área corporal, você está colocando a vibração na função de desbloquear aquela região. E com isso uma parte da energia vital que estava presa na repressão, no bloqueio muscular, começa a circular de novo em todo sistema. Isso que dizer que sentimentos e consciência podem volta a fluir, tornando-nos mais vitais, criativos e potentes. E aí, sem dúvida, a vida fica mais interessante.

Como contactar-se com Sandra

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Talibã Queima Instrumentos Musicais no Afeganistão https://musicaemercado.org/taliba-queima-instrumentos-musicais-no-afeganistao/ Mon, 31 Jul 2023 10:26:03 +0000 https://musicaemercado.org/?p=118308 taliba

Centenas de músicos fugiram do Afeganistão para escapar das restrições do Talibã à música, afetando a cultura musical O Talibã, em uma demonstração de poder e repressão cultural, incendiou instrumentos musicais em Herat, Afeganistão. A polícia religiosa do grupo justificou o ato alegando que a música leva à desorientação da juventude e à destruição da […]

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taliba

Centenas de músicos fugiram do Afeganistão para escapar das restrições do Talibã à música, afetando a cultura musical

O Talibã, em uma demonstração de poder e repressão cultural, incendiou instrumentos musicais em Herat, Afeganistão. A polícia religiosa do grupo justificou o ato alegando que a música leva à desorientação da juventude e à destruição da sociedade. Imagens divulgadas mostram uma pilha de instrumentos em chamas, incluindo guitarras e órgãos.

Imagem: Ministério de Propagação da Virtude e Prevenção do Vício do Afeganistão/AFP

O líder do Ministério para a Promoção da Virtude e Supressão do Vício defendeu a ação, afirmando que promover a música leva à corrupção moral e engana a juventude.

Desde o retorno ao poder em agosto de 2021, o Talibã tem imposto leis rigorosas, incluindo a proibição da música em público.

A cultura musical do Afeganistão, que tem fortes influências da música clássica iraniana e indiana, bem como uma cena de música pop próspera com instrumentos eletrônicos e ritmos de dança, floresceu nas últimas duas décadas. No entanto, com o ressurgimento do Talibã em 2021, essa rica tradição musical enfrenta ameaças significativas. O Instituto Nacional de Música permanece fechado, e muitos músicos fugiram do país devido à repressão.

Músicos fogem e a cena musical do Afeganistão está à beira do silêncio

Após o Talibã assumir o controle do Afeganistão, a música do país está à beira do silêncio. Embora o Talibã ainda não tenha proibido formalmente a música instrumental novamente, muitos músicos estão tentando escapar, temendo por suas vidas e sustentos.

Na década de 1990, o Talibã proibiu efetivamente a música em todo o Afeganistão. Sob esse regime, instrumentos foram destruídos e a única música permitida no rádio eram cânticos religiosos ou taranas. No entanto, a queda do regime do Talibã em novembro de 2001 marcou o renascimento da música no país. Músicos retornaram do exílio e, em 48 horas, as estações de rádio e televisão retomaram as transmissões com performances ao vivo.

Em 2021, dois meses após a retomada do Talibã, embora ainda não haja uma proibição total da música, tocar música em público foi proibido, assim como apresentações ao vivo em hotéis. A capital, Cabul, e outras grandes cidades quase silenciaram. Os músicos temem por suas vidas, muitos estão com medo de se apresentar e tentaram fugir do país. Fotos de instrumentos musicais destruídos se tornaram virais nas redes sociais, e aqueles que viveram a tomada de poder na década de 1990 já veem semelhanças com essa possível proibição iminente.

Um porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, em entrevista ao New York Times, afirmou que a música é “anti-islâmica” e “proibida no Islã”. Ele expressou a esperança de persuadir as pessoas a não se envolverem em atividades musicais, ao invés de pressioná-las.

Baseada no Instituto Nacional de Música do Afeganistão em Cabul, a Orquestra Feminina do Afeganistão ‘Zohra’ é a primeira orquestra totalmente feminina do país. Muitos de seus membros viajaram pelo mundo, se apresentando em locais renomados como o Carnegie Hall. Em 14 de agosto, a orquestra estava ensaiando para uma apresentação na Colômbia. No dia seguinte, Cabul caiu nas mãos do Talibã. O Instituto Nacional de Música do Afeganistão foi posteriormente transformado em uma base militar.

Fundado em 2010 pelo Dr. Ahmad Sarmast, o Instituto Nacional de Música do Afeganistão (ANIM) é a única escola de música do país, com foco especial em apoiar os grupos mais desfavorecidos da sociedade afegã. A Orquestra Zohra começou como um pequeno grupo de câmara e agora é uma orquestra de 25 membros. Estudantes do ANIM têm tentado fugir do país há semanas. Em uma evacuação recente, 93 estudantes, professores e músicos foram levados para Doha, no Catar. O diretor Dr. Sarmast comentou sobre a fuga, afirmando que “cem vidas foram salvas. Cem sonhos foram salvos.”

O futuro da música no Afeganistão permanece incerto. Músicos de todo o mundo aguardam ansiosamente para ver quando, e não se, a proibição total da música será imposta.

Em 2022, foram divulgadas a queima de instrumentos na web.

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Maestro Evandro Matté fala sobre o Multipalco https://musicaemercado.org/maestro-evandro-matte-multipalco/ Thu, 01 Jun 2023 16:28:59 +0000 https://musicaemercado.org/?p=109167 Maestro Evandro Matté fala sobre o Multipalco

À frente de três orquestras, a do próprio Theatro São Pedro, e da Orquestra Jovem, fruto de um projeto social, está o maestro Evandro Matté, também regente da OSPA – Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, com quem a Música & Mercado conversou brevemente na visita ao Multipalco.  Ele falou sobre sua atuação, e planos futuros, […]

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Maestro Evandro Matté fala sobre o Multipalco

À frente de três orquestras, a do próprio Theatro São Pedro, e da Orquestra Jovem, fruto de um projeto social, está o maestro Evandro Matté, também regente da OSPA – Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, com quem a Música & Mercado conversou brevemente na visita ao Multipalco. 

Ele falou sobre sua atuação, e planos futuros, que serão alvo de outros artigos em breve. 

“Eu sempre tive vínculo com o projeto social. Em 2009 comecei a trabalhar na Unisinos, sou músico da OSPA desde 1990, trumpetista, depois me dediquei à regência. Na Unisinos fui convidado a trabalhar desde 2007 na orquestra, e em 2009 lá estruturei um projeto social chamado A Vida Com Arte, que existe até hoje, em São Leopoldo.” 

“Obviamente, aqui no Brasil, os projetos sociais que surgiram nos últimos 20 anos têm um pouco de referência do que foi feito na Venezuela, um grande projeto com um sistema de orquestras, que produziu gente maravilhosa – o Dudamel que hoje está em Los Angeles – e gente espalhada por todo o mundo. Isso mexeu um pouco com a música de concerto desde duas décadas atrás”. 

A música como inclusão social

“Se começou a pensar também neste tipo de ação, e eu comecei lá em São Leopoldo sempre com um conceito e intuito dos jesuítas; que falam em algo definido como formação integral. Não se trata apenas em se ter graduação ou mestrado em alguma área, e sim a formação da pessoa como um todo. E a música pode contribuir muito pra isso”. 

“Não no sentido de que o jovem vá ser músico, mas que ele entenda que dentro do processo da música existe cooperação, amizade, concentração, hierarquia, grupo. Eu acredito muito nesses projetos como formação cidadã, não como formação de músicos. Óbvio que vão surgir talentos, e em se investindo neles automaticamente vão se tornar músicos profissionais”. 

“Já há vários exemplos, e eu acredito que isto contribui muito para o país, para a sociedade. Se nós tivéssemos no país o ensino integral da música, na fase fundamental até os 11, 12, 14 anos de idade, no ensino médio, se os alunos tivessem um turno normal de escola e outro com música, tenho certeza que a gente teria uma formação muito melhor do ponto de vista não só do desenvolvimento escolar. Porque a música ajuda – já tem vários estudos que comprovam isso – mas também do ponto de vista de humanidade, de formação como cidadãos”. 

O Multipalco de encontro aos projetos 

“Eu comecei na Orquestra do Theatro São Pedro em 2018, e desde o início já tinha a ideia de ali fazer um projeto nessa linha. Com o Multipalco já em construção, e várias salas já disponíveis, a Sala da Música, que veio para aportar a orquestra e seus projetos que existiam desde antes do projeto Multipalco, dadas as dificuldades em ensaiar no teatro, sempre ocupado todos os dias”. 

“Já quando foi pensado o projeto Multipalco, nas palavras da própria Dona Eva, existiria a Sala da Música, hoje presente para os ensaios, e outros espaços que também que pudessem abarcar outras áreas da Cultura. Em 2018 eu assumi a Orquestra do Theatro São Pedro a convite da diretoria da Associação Pro Música, e em 2019/2020 um pouquinho antes da pandemia, comecei a estruturar o projeto social que se chama Orquestra Jovem Theatro São Pedro”

“Nele a gente tem musicalização, aulas de instrumento – por enquanto só cordas e percussão – mas quem sabe futuramente consigamos ampliar. As crianças ganham os instrumentos, têm aulas gratuitas, são crianças que vêm de uma situação financeira muito complexa, de uma situação de vida também complexa. Na equipe de 6 profissionais temos a Kelly coordenando toda a parte pedagógica – um caso bem interessante – porque ela própria é oriunda de um projeto social. 

“Quando criança começou com aulas de piano neste projeto social, depois se graduou, fez pós, e é uma especialista nisto, tem uma linguagem muito próxima destas crianças com quem ela sempre conviveu. Já estamos então com uma orquestra jovem funcionando, e recentemente a gente teve a ótima notícia de termos conseguido aprovar o projeto da orquestra no Jovem Aprendiz. São 25 jovens, o projeto tem mais de 100, dentre musicalização e todos os atendimentos”. 

Leis de incentivos e doações diretas

“A orquestra que é o item mais adiantado são entre 25 e 30, que inclusive vão receber daqui provavelmente a uns dois meses, pelo Jovem Aprendiz uma remuneração mensal como ajuda de custo, além de ter 20 horas semanais de aulas dentro do projeto. Com captação, leis de incentivo, apoiadores, dentre outras formas”. 

“A Orquestra Theatro São Pedro tem um plano anual da Lei Rouanet, e dentro deste plano está também o projeto social. Então temos duas frentes; uma é a Lei Rouanet, onde eu consigo colocar compra de instrumentos, cachê dos professores, toda essa estrutura, mas também temos alguns doadores, pessoas que fazem a doação direto, sem lei de incentivo: por exemplo o MBZ Escritório de Advocacia faz uma doação mensal, e algumas pessoas físicas também”. 

“A gente faz uma composição entre Lei Rouanet e doação direta. Acho que todo o pessoal que trabalha com cultura aqui no Brasil, de modo geral, nem sempre consegue os recursos diretamente via setor público. Então se tem que buscar patrocínios, apoios, pra conseguir sobreviver e tocar pra frente os projetos”. 

“Eu acredito que quando estiver totalmente pronto o projeto Multipalco a gente tem uma tarefa bem importante que é discutir qual é o papel da própria orquestra, porque haverá outro teatro, outro espaço, curso de ópera, a gente tem a OSPA que é uma orquestra de concerto, e talvez no Theatro São Pedro se pudesse focar mais nos elementos de ópera, de ballet, coisas que tradicionalmente o teatro daqui comportaria, nos espaços do Multipalco”. 

“Então teríamos que fazer uma avaliação assim, estamos já pensando, em daqui pra frente, qual seria o foco de atuação pra justamente aqui fazer o que a OSPA não faz. Vai ter circo, teatro, dança aqui dentro, daqui a pouco também um coral.” 

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Multipalco: Viagem ao centro da arte https://musicaemercado.org/multipalco-viagem-ao-centro-da-arte/ Thu, 25 May 2023 10:50:54 +0000 https://musicaemercado.org/?p=107763 Multipalco: Viagem ao centro da arte

Música & Mercado foi ao centro da capital gaúcha visitar a história cultural do Rio Grande do Sul em uma espécie de Viagem ao Centro da Terra.  A viagem começa na principal praça da cidade, e vai descendo rumo ao futuro, em patamares onde instalações de muito bom gosto e funcionalidade abrigam a Dança, a […]

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Multipalco: Viagem ao centro da arte

Música & Mercado foi ao centro da capital gaúcha visitar a história cultural do Rio Grande do Sul em uma espécie de Viagem ao Centro da Terra. 

A viagem começa na principal praça da cidade, e vai descendo rumo ao futuro, em patamares onde instalações de muito bom gosto e funcionalidade abrigam a Dança, a Música e o Teatro, em suas imediatas múltiplas interações artístico-culturais. 

Durante a visita, e com o quê se depara, é fácil perceber que temos assunto para mais de um artigo. Estive diante de um projeto que nasceu, cresce e permanece em evolução, e que promete quebrar hegemonias culturais, da mesma forma que quebrou uma pedreira no seu subsolo, abrindo alas nacionais e internacionais para a Arte e Cultura na sua melhor forma. 

A revolução artística de Dona Eva

O Theatro São Pedro é um ícone cultural de Porto Alegre, nascido em 27 de junho de 1858, quando apenas 20 mil gaúchos habitavam o município. Sua construção em estilo neoclássico precisou esperar o final da Revolução Farroupilha para sua inauguração. O senador Carlos Barbosa foi o primeiro político a propor a sua demolição meio século depois. Pra quê cultura? 

Durante a segunda guerra mundial se dividia entre óperas européias e cursos de enfermagem, afinal, pra quê serviria sua acústica impecável? A duras penas, foi sobrevivendo com manutenção problemática, até ser fechado em 1973, quem sabe uma consequência do golpe político de 1964? Seria reaberto reconstituído em 28 de junho de 1984. Por quê? 

Porque então surgiu em cena dentro e fora do São Pedro uma figura lendária, que atendia pelo carinhoso nome de Dona Eva, que conheci quando morei em Porto Alegre pela primeira vez, de 1998 a 2003. Eva Sopher literalmente batalhou pela reforma, sofrendo inclusive golpes para afastá-la do cargo como o de 1991, impedido por artistas como Gerald Thomas e Bete Coelho. 

Em fevereiro de 2018 Dona Eva deixou o palco da vida, não sem antes ter iniciado uma segunda grande batalha cultural, a construção do complexo Multipalco, com os seus primeiros espaços, como a Praça Multipalco, que liga a Praça da Matriz, a Concha Acústica, o Arquivo Público e a Assembléia Legislativa. Seria a política se somando às Artes e à Cultura? 

O Multipalco terá sua estrutura completada entre 2024 e 2025, com a conclusão do Teatro Italiano, para 630 espectadores, contra os 650 do primogênito. As obras seguem com a calmaria das grandes obras culturais, capazes de mudar a história humana, assim como a Arte e a Cultura ao longo dos séculos, e Dona Eva, ao longo de seus 94 anos de vida. 

As 7 notas de uma escala cultural

Compreendendo praticamente 7 andares, o complexo Multipalco, partindo do patamar do Theatro São Pedro na Praça da Matriz e descendo, se divide em:

  • 5 – Praça da Matriz / Theatro São Pedro
  • 4 – Praça Multipalco / Concha Acústica / Restaurante 
  • 3 – Administração / Sala da Música / Sala de Oficina / Oficina Sol Maior 2 – Salas de Ensaio / Sala da Dança
  • 1 – Foyer Multipalco / Teatro Oficina Olga Reverbel
  • Subsolos 1, 2 e 3 – Estacionamento 

A Praça Multipalco foi a primeira altura dos espaços, que vão se tornando realidade ao longo do tempo, com a calma intensidade do timbre de Dona Eva. O Centro Cultural de Formação e a Sala da Música já haviam sido inaugurados. Em março de 2023 tornou-se realidade o Teatro Oficina Olga Reverbel, 120 lugares, em homenagem à famosa autora e professora de teatro. 

A Sala da Música compreende 4 salas, Musicoteca e outras dependências, com paredes em madeira espanhola e cortinas acústicas. Ali habitam a Orquestra Theatro São Pedro, há 36 anos em atividade, e a Orquestra Jovem Theatro São Pedro, hoje sob a batuta do maestro Evandro Matté, que me recebeu para uma conversa em espaço ao lado da Administração do Multipalco. 

No mesmo andar está o Centro Cultural de Formação, com 5 salas, a principal para workshops e oficinas, e mais 4 para aulas de instrumentos musicais, eruditos e populares, além de coral e oficinas vocais. Ali rola musicalização de crianças e jovens, parceria da Associação Sol Maior com a Fundação Theatro São Pedro. 

Em outro pavimento ficam a Sala da Dança, construída com piso especial formado por pequenas borrachas amortecedoras sob a madeira, e ao seu lado fica a Sala do Circo, com o mesmo piso especial, mas em 3 alturas, sendo 2 com o teto mais baixo e uma com o pé direito alto e alças no teto, para a fixação dos indispensáveis trapézios. 

Na base de tudo está o Teatro Italiano, em obras, e a mesma capacidade de 630 espectadores do Theatro São Pedro, mas com melhoramentos como o alçapão de serviço três vezes maior. Isso permitirá a colocação em cena de grandes objetos, necessários para que a criatividade de cenógrafos, autores, artistas, estudantes e suas grandes ideias não sofram impedimentos. 

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Como obter patrocínio de 100 mil ou mais para realizar seu projeto de música https://musicaemercado.org/como-obter-patrocinio-de-100-mil-ou-mais-para-realizar-seu-projeto-de-musica/ Wed, 01 Feb 2023 12:38:43 +0000 https://musicaemercado.org/?p=97124 Adriana Sanchez

Adriana Sanchez mostra como obter patrocínio de 100 mil ou mais para realizar seu projeto de música. Criadora da banda feminina Barra da Saia e com conquistas significativas com sua carreira solo, Adriana Sanchez lança curso voltado aos artistas independentes que querem aprender a utilizar as leis de incentivo e impulsionar suas carreiras. Em parceria […]

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Adriana Sanchez

Adriana Sanchez mostra como obter patrocínio de 100 mil ou mais para realizar seu projeto de música.

Criadora da banda feminina Barra da Saia e com conquistas significativas com sua carreira solo, Adriana Sanchez lança curso voltado aos artistas independentes que querem aprender a utilizar as leis de incentivo e impulsionar suas carreiras.

Em parceria com a Música & Mercado, a artista oferece um link direto pra primeira aula que mostrará onde estão as fontes deste patrocínio e você verá que é completamente possível alcançar a aprovação para usar das Leis de incentivo, Editais e entender quais os melhores momentos para usar cada uma delas a seu favor. 

Em 2020, em plena pandemia, ajudou muita gente a aprovar projetos, mas conta que sobrou dinheiro da Lei Aldir Blanc porque faltou projetos, os profissionais não sabiam da existência ou não sabiam como elaborar um projeto.

Pensando nisso Adriana Sanchez criou um projeto para conscientizar e capacitar profissionais da música chamado Jornada Viva de Música que está acontecendo está semana 100% gratuito e 100% online, onde explica como o profissional da música pode conquistar 100 mil ou mais de patrocínio para seus projetos de música aprendendo a lidar com estas oportunidades ainda pouco exploradas pelos músicos.

Através das Leis de Incentivo à Cultura e Editais de Cultura você pode ter patrocínio para gravações de álbuns, circulação de shows, DVD, clip, festivais, oficinas, documentário, ou seja, infinitas formas de fazer você criar uma relevância e se tornar mais.

Essas oportunidades existem para todo profissional da música, o que afasta ele do patrocínio não é o número de seguidores ou ser famoso, mas sim saber elaborar de forma assertiva e viável o seu projeto.

Como ganhar dinheiro com música?

Segundo Adriana Sanchez, um artista começa a ganhar dinheiro com música quando entende que a responsabilidade do sucesso da sua carreira depende exclusivamente dele, do seu planejamento, de uma estratégia pensada e principalmente quando ele passa a entender a importância de investir em conhecimento e entender tudo que engloba sua profissão.


A era do artista independente

Um cantor só precisa cantar bem, certo? Errado, cantar é o mínimo que ele precisa fazer, ele tem que entender de gestão de carreira, da importância de dominar assuntos como direitos autorais, participar ativamente da parte criativa, técnica e administrativa da sua marca, do seu produto, porque um artista comercial é um produto.

Este produto pode gerar muita renda e muito lucro através da diversidade de produtos na esteira e da realização dos seus projetos musicais, indo muito além das contratações tradicionais que estamos acostumados.

Um artista independente não pode se acomodar, não pode sentar e esperar simplesmente que as oportunidades caiam no colo ou que alguém faça sua carreira decolar”, explica Adriana.

 Em 2013, a artista começou a mergulhar no universo das Leis de Incentivo à Cultura e Editais de Cultura Privados e Governamentais.

Através destas oportunidades, o profissional da música propõe um projeto cultural, elaborado com todos os requisitos exigidos e se ele for aprovado é possível realizar diversos projetos totalmente patrocinados através da verba direta no caso dos editais de cultura e da verba indireta, através das leis de incentivo à cultura.

Segundo ela, os profissionais da música, ainda são muito desinformados e muitos nunca tentaram participar , outros nem sabem da existência disso e outros, pior, tem uma ideia errada e limitante a respeito destas oportunidades e já resolvem que não terão chance.

Para provar a importância da Economia Criativa na economia do país e quebrar várias objeções que muitos usam de desculpa para não participar destas oportunidades, ela cita números surpreendentes.

Números

Em 2021 o mercado imobiliário gerou 134 mil empregos, o automotivo 420 mil empregos enquanto apenas a Lei Aldir Blanc empregou 855 mil pessoas e o setor cultural empregou mais de 5 milhões de pessoas. Isso são dados do Observatório do Itaú Cultural que também mostrou que a cultura emprega mais que o setor fármaco e automotivo.

Polêmica da Lei Rouanet

Quanto a polêmica que circulou contra Leis de Incentivo à Cultura como a lei Rouanet, ela explica que diferente do que muitos pensam,  o governo não dá dinheiro, cabe ao governo apenas aprovar o projeto e ele terceiriza para a iniciativa privada a responsabilidade do patrocínio através de até 4% de isenção fiscal no imposto de renda e no caso de pessoas físicas, isenção de até 6%,  mas o que mais chama a atenção segundo ela,  é que muitos acreditam que essa é a única lei que apoia a cultura, quando na verdade existem leis estaduais, municipais, privadas e agora as leis emergenciais como a Aldir Blanc 2 que investirá 3 bilhões em cultura anualmente até 2027 e a Lei Paulo Gustavo que investira 3.8 bilhões em projetos do audiovisual e demais setores culturais em 2023.

Uma pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas)  mostra que a cada R$ 1,00 investido na Lei Rouanet, há retorno de R$  1,59 na economia, ou seja, ela ressalta que a cultura é lucrativa para o país e o profissional da música tem que ser bem remunerado.

Somos responsáveis por quase 3% do PIB nacional e somos o motor que movimenta um mercado que enriquece a custas do profissional da música, chegou a hora de virarmos o jogo, quando a classe entender a força poderosa que temos, quem ditará as regras do jogo seremos nós“, diz Adriana Sanchez

Quem é Adriana Sanchez

Adriana traz em seu currículo indicação ao Grammy Latino, a marca de 3 milhões de pessoas em um único show, a apresentação nos principais palcos e programas do país, parceria com marcas mundiais e nacionais, foi a estrela de uma campanha mundial da Hohner na Alemanha com sua imagem atrelada a John Lennon sendo a única brasileira patrocinada por 11 anos, atualmente está desenvolvendo uma linha de acordeon com seu nome junto a empresa alemã Weltmeister, e ela sempre faz questão de frisar que conquistou isso tudo e muito mais sendo uma artista independente, sem empresário, sem escritório, sem investidor,  sem gravadora e sendo mulher num dos mercados mais competitivos do mundo.

John Lennon e Adriana Sanchez no site da empresa alemã Hohner

Contato

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Exportação de música brasileira, uma boa ideia! https://musicaemercado.org/exportacao-de-musica-brasileira-uma-boa-ideia/ Mon, 19 Dec 2022 17:22:59 +0000 https://musicaemercado.org/?p=93685 exportacao-de-musica

O Brasil possui uma série de dificuldades na exportação de sua música para uma audiência internacional, mesmo assim, exportar é preciso

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O Brasil possui uma série de dificuldades na exportação de sua música para uma audiência internacional, mesmo assim, exportar é preciso

Escritórios de exportação de música são algo relativamente novo. A French Export Bureau foi a pioneira da área, criada em 1993, e, atualmente, a maioria dos países europeus, já possuem seus próprios escritórios de exportação, enquanto seus modelos e orçamentos variam. Existem também entidades culturais com presença internacional – como o Institut Français, Goethe Institute e o British Council.

Alguns países possuem Centros de Informação Musical, geralmente focados na música folk local e música clássica, porém também com um foco em exportação. A maioria dos escritórios de exportação oferecem uma gama similar de serviços, frequentemente com uma série de diferentes parceiros locais. Por exemplo, a estrutura de exportação do Reino Unido envolve diferentes fontes de financiamento, de diversas entidades, para realização de uma variedade de serviços e atividades.

Juntamente com os escritórios de exportação europeus, outros países com escritórios de exportação bem-organizados incluem o Canadá, a Austrália e a Coréia do Sul. Orçamentos são geralmente estabelecidos em uma base de 2 anos e podem variar de € 100 mil até valores próximos de € 1 milhão. Considerações orçamentárias são muito importantes, no auxílio a especificar se nosso projeto é puramente cultural (e simbólico) ou comercial (onde estamos competindo com outros escritórios de exportação pelo nosso espaço no mercado internacional).

O Brasil possui uma série de dificuldades na exportação de sua música para uma audiência internacional – sendo as mais comuns o idioma, distância, burocracia, e a escassez de apoio financeiro.

A repercussão internacional de artistas como Anitta e Pablo Vittar ainda é uma incógnita; Seriam eles apenas produtos do maquinário marqueteiro por trás da Sony e Warner, ou talvez estariam abrindo um nicho onde outros artistas e companhias brasileiras podem participar no mercado internacional?

E será que outros artistas brasileiros podem seguir estes passos sem o suporte de gravadoras internacionais e playlists do Spotify? Existe algum público real e numericamente relevante no exterior? Uma base de fãs?

E quanto a nova geração de cantores de MPB? Conseguem se estabelecer no exterior, assim como Caetano, Gil, Marisa Monte, Céu, e Vanessa da Mata tem feito no passado, agora sob circunstâncias diferentes?

O papel de um escritório de exportação é criar a fundação de trabalho, estabelecer uma estrutura de networking e oportunidades para que empresas e futuros talentos possam colher os benefícios de seus trabalhos. O foco de qualquer escritório de exportação deve depender de demandas realistas, necessidades e participação ativa do setor. E, assim como o setor se encontra em constante fluxo (novas tecnologias, novas tendências, novos modelos de negócios), o escritório de exportação também deve ser flexível o suficiente para se adaptar a estas mudanças.

A maneira com o qual tratamos nossas indústrias criativas, reflete em como nos consideramos enquanto uma nação. Basta pensar em países que queimaram livros e perseguiram seus artistas para entender a política e visão cultural daqueles no poder – e o impacto resultante que é gerado na economia criativa local e na imagem que o país retrata mundo afora.

A força econômica e visão da Coreia do Sul, por exemplo, é refletida no sucesso que o K-Pop tem tido ao redor do mundo. Artistas como U2, Abba, Daft Punk e Kraftwerk tem gerado soft power para seus respectivos países muito além de suas conquistas puramente musicais – e, frequentemente, mais que os esforços de seus representantes diplomáticos. Você não precisa gostar da música, mas são inegáveis as coberturas de imprensa positivas e oportunidades comerciais de longo termo.

Embora o Brasil tenha tradicionalmente um longo histórico de exportação de compositores, músicos e cantores de sucesso, o país tem sido amaldiçoado no exterior com uma imagem mainstream que retrata o exótico e erótico. Garotas de biquíni na praia com o pano de fundo de adolescentes carregando metralhadoras fugindo das favelas enquanto milícias policiais corruptas disparam contra elas, acompanhadas por uma trilha sonora de batucada e batidas de funk. Enquanto a maioria das sociedades ocidentais possuem seus próprios problemas sociais equivalentes, no Brasil estas características são constantemente retratadas como definidoras da sociedade, e pouco ou quase nada é feito para apresentar uma outra imagem e diferentes realidades do país.

O Brasil nunca teve nenhum projeto de exportação a longo termo com apoio contínuo, tanto da indústria quanto de políticas governamentais. Essa fragmentação e falta de continuidade é frustrante tanto para a indústria local, assim como para parceiros internacionais que ficam receosos de investir em projetos que necessitam um aporte financeiro inicial proveniente do lado brasileiro.

O Brasil, geralmente através dos Ministérios da Cultura e Turismo, tem, tradicionalmente, investido grandes quantias de dinheiro em diversos eventos musicais internacionais esporádicos, que vem a gerar um retorno financeiro para aqueles diretamente envolvidos com a produção do evento, mas que causam poucos resultados de longo prazo, especialmente no que diz respeito a estabelecer um público internacional para consumir nossa música. Caipirinhas gratuitas e uma noite de gringos dançantes não criam um mercado.

Isso não quer dizer que a música e artistas brasileiros não tenham carreiras internacionais. Muitos tem, através de uma mistura de trabalho duro, talento, sorte e uma rede de parceiros internacionais com mentes afins. Mas empresas individuais não podem competir com o poder financeiro e profissionalismo de escritórios de exportação internacionais.

Sem dados, sem números

Uma grande dificuldade é a carência de informação do quanto a musica brasileira realmente gera no mercado internacional. Sem números, se torna difícil fazer lobby para conseguir apoio governamental. As principais fontes de renda são:

  • royalties de execução pública
  • vendas de música gravada (CDs, LPs, streaming, downloads)
  • sync
  • branding/marketing
  • caches/merchandising

Somos um país notoriamente carente de transparência sobre quanto nosso setor musical realmente vale – tanto no Brasil quanto no exterior.

É mais do que óbvio que o setor musical brasileiro requer um escritório de exportação, organizado pela indústria musical local e financiado por uma colaboração mista do governo e um coletivo de associações como a Abramus e UBC. É importante que o próprio setor musical esteja envolvido no financiamento de atividades de exportação, aproximando players do mercado mainstream e independente. O sucesso massivo no Brasil de, por exemplo, música sertaneja, indica que o país tem profissionais altamente competentes com uma riqueza de experiência e know-how.

Assim como os incentivos de ICMS no passado (Disco É Cultura) ajudaram a estimular o crescimento da produção de música local, nós precisamos de uma “taxa sobre o sucesso” para estimular novos entrantes no mercado. Mas é como se nós tivéssemos medo de exigir que a maioria que mais se beneficia, devesse dar algo de volta ao setor de onde eles emergiram. O tamanho do mercado local ilustra como poucos afortunados – e a indústria que os apoia – podem prosperar em um glorioso isolamento, às custas da maioria.

Apesar da grande variedade de sons e gêneros dentro da música brasileira, internacionalmente ela é categorizada dentro do gênero “world music”. Com a música brasileira, nós flutuamos entre mundos. Os grandes artistas vendem bem o suficiente no mercado interno a ponto de não precisarem se preocupar com o mercado internacional (ou não podem tomar o risco de investir tempo e dinheiro no exterior). O mercado latino não dialoga muito com o brasileiro (e vice-versa). O próprio setor de world music não considera a música brasileira com world music! E o setor de indie/rock ainda nos percebe com referências, já antigas, dos anos 60, com Tropicália e Tom Zé! E para o nosso mais notório gênero musical, o samba, são pouquíssimos os fãs internacionais da música que saberiam dizer o nome de qualquer artista do gênero.

O Brasil tem um histórico de sucessos internacionais esporádicos, da bossa nova até atos como Carrapicho, Sepultura, Cansei de Ser Sexy, Michel Telo, e recentemente Anitta e Pablo Vittar. O país também tem um forte impacto em mercados de nicho como metal e jazz – mas normalmente sucessos pontuais, sem continuidade de outros artistas, e raramente sem um impacto mainstream.

Continuamos a sermos relegados pelo exótico, com sucesso dependendo mais do interesse de companhias internacionais (selos, agencias, fãs etc) do que de trabalho focado gerado aqui no Brasil.

Isso, para ser franco, é um desastre. A música brasileira contemporânea merece uma audiência internacional. Infelizmente, a audiência internacional não está ciente da nossa existência. Até mesmo os grandes nomes das décadas de 60 à 90 estão lentamente se tornando desconhecidos à medida que o público internacional (inclusive jornalistas e DJs de rádio) tem envelhecido e não é substituído por uma nova geração. O legado – em termos de imagem e financeiro – está sendo abandonado.

Claro, quando comentamos sobre um público internacional, nós ainda estamos pensando em termos tradicionais – EUA, Europa, talvez Japão. Regiões como o continente africano, boa parte da Ásia, China e Índia ainda são desconhecidas para nós – e nós para eles – mas há um potencial massivo para explorar nosso catálogo de 100 anos de música. A medida que conglomerados internacionais continuam comprando catálogos musicais – com a intenção de gere retorno ao investimento – o que podemos fazer para impulsionar nosso “back catalogue” para frente? Se uma geração de japoneses (ou DJs do Reino Unido e hipsters dos EUA) acolheram nossa música dos anos 60 e 70, seria possível acharmos um novo público de ouvintes em outros territórios onde a sonoridade dos Beatles é tão nova quanto a de Os Mutantes?

Houveram diversos incentivos para promover a música brasileira no exterior. Um dos primeiros foi em 1945, quando o Ministério de Relações Exteriores anunciou:

O crescente interesse pela música brasileira exterior e uma excelente oportunidade de defender o Estado das Relações Exteriores de maneira efetiva, a Secretaria de Estado das Relações Exteriores está usando uma escolha mencionada de uma discoteca mínima da música, em seu aspecto erudito e popular, para ser remetida a importantes Missões diplomáticas e Consulados de carreiras do Brasil, bem como, por suas coleções intermediárias, às emissoras mais acreditadas e, eventualmente, representantes culturais a que possam fazer parte do interesse, o recebimento de uma dessas coleções . AHI (Rio de Janeiro) DCI/540.36/Circular 171.

Em 2001 a BM&A foi criada com financiamento do APEX-Brasil (de R$ 1 a 4 milhões por projeto), focada principalmente em organizar a participação brasileira em feiras internacionais de câmbio como a Midem, Womex, etc. O Ministério da Cultura e escritórios regionais de cultura também investiram recursos em atividades promocionais e atividades, assim como no auxílio nos custos de viagens internacionais.

Embora os gastos, a logística e a visão envolvidos na participação em feiras internacionais tenham impedido a maioria das empresas de participar, o recente crescimento das feiras virtuais – muitas vezes gratuitas – não trouxe um aumento significativo da participação brasileira. Isso é algo para refletir! Por que os artistas e suas respectivas empresas não estão participando?

A participação da música brasileira nas playlists das rádios internacionais e na imprensa especializada continua caindo a cada ano. Uma reclamação do setor internacional é que eles não têm mais acesso às novas gravações brasileiras e têm poucas informações sobre os desdobramentos aqui. Links enviados por e-mail para o Spotify não são suficientes!

Além dos profissionais da música brasileira que já têm uma rede internacional (criada por meio de turnês, participação em feiras, ou acordos de licenciamento, ou por meio de pesquisas!), muitas empresas nacionais carecem do básico para contatar possíveis clientes internacionais.

As bases

As bases para a exportação de música já foram criadas e testadas por escritórios internacionais de exportação que continuam inovando e reagindo às mudanças na indústria – seja devido ao recente episódio do corona vírus ou às mudanças tecnológicas em andamento na indústria. Sua existência e crescimento contínuos apenas reforçam nossa necessidade de tratar o setor musical brasileiro com o suporte profissional e financeiro que merece.

Uma configuração básica seria a seguinte:

1.   Criar um Conselho de Exportação da Música Brasileira com representantes de todos os setores relevantes para coordenar com o governo nacional e local, indústria mainstream e independente, com um número de consultores dos diferentes setores, contratados por sua área de especialização, em uma base de projeto por projeto.

2.   Estabelecer uma série de estratégias de exportação de 2 anos, identificando e focando em áreas que já geram resultados e em outras que devem ser desenvolvidas. Isso pode variar desde o apoio ao setor de MPB/world music já existente, até os novos setores de funk e hip hop, mas também incluindo serviços como estúdios, produção de vídeo e TI. É fundamental que o principal financiamento venha do próprio setor. Na Europa, 75% dos escritórios de exportação recebem financiamento das sociedades de gestão locais, geralmente cerca de 25% do seu orçamento total. No caso do Reino Unido, Hungria, Portugal e Itália, as sociedades são responsáveis por pelo menos 75% do orçamento total. No caso do French Music Export Office, 57,7% vem do financiamento do governo (soft power!), enquanto o restante vem das sociedades de cobrança e dos membros que pagam uma taxa anual.

3.   Prestar assistência consular internacional aos exportadores de música que necessitem de apoio no terreno (vistos, networking, showcases e espaço físico para reuniões com clientes). Isso também envolveria a identificação das embaixadas em países que têm um circuito de turnês estabelecido para artistas brasileiros, bem como países que sediam conferências de música e feiras. Também seria importante identificar os principais atores que já apoiam a música brasileira no exterior e entender suas necessidades, criando um banco de dados dentro das embaixadas. Playlists atualizadas e boletins informativos sobre o setor musical brasileiro também seriam recomendados para todas as embaixadas.

4.   Publicar anualmente um levantamento de dados de todos os setores da música brasileira, incluindo exportações. Também seria recomendado publicar atualizações regulares sobre atividades na indústria local para publicações como IQ, Billboard, etc.

5.   Apoiar a participação continuada de empresas e artistas brasileiros em eventos e feiras internacionais do mercado musical.

6.   Explorar a utilização do conteúdo musical brasileiro em feiras envolvendo os demais setores de exportação (alimentos, cosméticos, cinema, café, etc), bem como branding e marketing com grandes marcas.

7.   Implementar mentoria e treinamento para aspirantes a empreendedores da área de exportação de música em colaboração com órgãos nacionais como o Sebrae em conjunto com entidades como ABMI, UBC e Abramus.

8.   Coordenar com festivais e eventos de música brasileira a participação de profissionais da indústria musical internacional (bookers, jornalistas, supervisores de música) para vitrines e atividades de networking.

9.   Investigar estratégias de apoio a programas de empresas envolvidas em projetos de tecnologia musical e start-ups empresariais.


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Presidente da Anafima recebe medalha de reconhecimento cultural do Governo de SP https://musicaemercado.org/presidente-da-anafima-recebe-medalha-de-reconhecimento-cultural-do-governo-de-sp/ Thu, 15 Dec 2022 10:22:20 +0000 https://musicaemercado.org/?p=93676 Presidente da Anafima recebe medalha de reconhecimento cultural do Governo de SP

Daniel Neves recebeu a honraria durante o Prêmio Governo do Estado de São Paulo para as Artes 2022, na noite da última quarta-feira (14) O presidente da Associação Nacional da Indústria da Música (ANAFIMA), Daniel Neves, foi homenageado pelo Governo de São Paulo com a Medalha Mário de Andrade, que dá a ele o reconhecimento […]

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Presidente da Anafima recebe medalha de reconhecimento cultural do Governo de SP

Daniel Neves recebeu a honraria durante o Prêmio Governo do Estado de São Paulo para as Artes 2022, na noite da última quarta-feira (14)

O presidente da Associação Nacional da Indústria da Música (ANAFIMA), Daniel Neves, foi homenageado pelo Governo de São Paulo com a Medalha Mário de Andrade, que dá a ele o reconhecimento pela contribuição e gestão para a cultura e economia criativa. A honraria foi entregada durante o Prêmio Governo do Estado de São Paulo para as Artes 2022, realizado na noite da última quarta-feira (14), na capital paulista.

Criada em 1977, a Medalha Mário de Andrade reconhece e homenageia quem se destaca por suas contribuições à cultura e à economia criativa de São Paulo nos campos das letras e da gestão.

A cerimônia de entrega do Prêmio Cultural São Paulo 2021/2022 foi realizada no Teatro Sérgio Cardoso. 

“Receber a medalha Mário de Andrade representa um olhar atento do Governo do Estado de São Paulo sobre a economia da música, atividade que a ANAFIMA se dedica tanto. Estamos ainda mais empenhados para a valorização de cada trabalhador e trabalhadora que constroem o mercado da música”, realça Neves.

Além de premiar os destaques de cada categoria da cultura, o governo do estado, por meio do secretário de Estado da Cultura e Economia Criativa, Sérgio Sá Leitão, concedeu as medalhas Mário de Andrade, Tarsila do Amaral e Waldisa Rússio Camargo Guarnieri a personalidades da Cultura e Economia Criativa que foram elementos importantes do cenário cultural entre 2021 e 2022.

“O Governo de São Paulo valoriza a cultura e por isso elevou o investimento na área nos últimos quatro anos, o que possibilitou uma série de entregas relevantes, como a abertura do Novo Museu do Ipiranga e do Museu da Língua Portuguesa, a expansão e a descentralização dos programas de fomento e a criação de cinco Fábricas de Cultura 4.0”, afirma Sérgio Sá Leitão, Secretário de Cultura e Economia Criativa de São Paulo.

“Os prêmios e medalhas que outorgamos são homenagens aos profissionais que fazem no dia a dia a cultura paulista ser cada vez mais forte e plural, em todas as regiões do Estado.” Para ele, “mais cultura significa mais emprego, mais renda, mais inclusão, mais qualidade de vida e mais desenvolvimento”.

Houve, ainda, homenagens para grandes nomes do cenário cultural brasileiro que faleceram recentemente, entre elas: as cantoras Gal Costa e Elza Soares, o ator, cantor, compositor e apresentador da TV Cultura Rolando Boldrin, o produtor cultural Sérgio Ajzenberg, o ex-diretor do Museu Afro-Brasil, Emanoel Araújo e o jornalista Jorge da Cunha Lima, além do arquiteto Ruy Ohtake. 

Confira a lista completa dos vencedores em cada uma das categorias:

1.Iniciativas Culturais para Crianças e Adolescentes

  • Paulo Tatit e Sandra Peres, pelo conjunto de atividades do projeto e grupo Palavra Cantada

2.Comunicação Cultural

  • Paula Alzugaray, pela realização da revista “Select”

3.Livro, Leitura e Bibliotecas

  • Daniel Munduruku, pelo trabalho do Instituto Uka / Casa dos Saberes Ancestrais

4.Formação e Capacitação em Cultura

  • Edillson Ventureli e Isaac Karabtchevski, pelo conjunto de atividades do Instituto Baccarelli e da Orquestra Sinfônica de Heliópolis
  1. Inclusão, Diversidade e Acesso à Cultura
  • Igor Cayres, pela criação da Orquestra Parassinfônica de São Paulo (Opesp)
  1. Museus, Equipamentos e Centros Culturais
  • João Doria Jr., pela viabilização e apoio à realização do projeto de restauro e ampliação do Museu do Ipiranga e do Jardim Francês
  1. Patrimônio Cultural Material e Imaterial
  • Anelis Assunpção, pela criação e funcionamento do Museu Itamar Assumpção
  1. Cultura Popular e Tradicional
  • Sidnei Carriuolo, pelo conjunto de atividades da Liga das Escolas de Samba de São Paulo

9.Cultura Urbana

  • Felipe Flip e Paulo Cruz, pela realização do podcast “Noir”
  1. Grupos, Companhias e Corpos Estáveis
  • Andrea Caruso e Cassi Abranches, pelo trabalho à frente do Balé da Cidade de São Paulo

11.Empreendedorismo Cultural e Criativo

  • Facundo Guerra, pelo conjunto de atividades do Grupo Vegas

12.Inovação e Tecnologia em Arte e Cultura

  • Marcello Dantas, pelo conjunto de atividades da Magnetoscopio

13.Estudos e Pesquisas em Cultura e Economia Criativa

  • Jader Rosa, pelo conjunto de estudos e pesquisas do Itaú Cultural

14.Mostras, Festivais, Mercados e Eventos Culturais

  • Zita Carvalhosa, pela realização do Festival Internacional de Curtas de São Paulo

15.Produção Cultural Independente

  • João Carlos Martins, pelos 60 anos de seu primeiro concerto no Carnegie Hall

Confira a lista completa dos homenageados da noite:

MEDALHA MÁRIO DE ANDRADE

  • André Sturm
  • Andreia Vigo
  • Antônio Hermann
  • Caio Carvalho
  • Carlos Gradim
  • Claudia Pedrozo
  • Celso Athayde
  • Clóvis Carvalho
  • Daniel Neves
  • Eneida Soller
  • Fábio Barbosa
  • Fernando Cunha
  • Heitor Martins
  •  José Carlos Marçal de Barros
  • José Roberto Maluf
  • Jorge Damião
  • Marcelo Peroni
  • Marcos Mendonça
  • Miguel Arcanjo
  • Pedro Parente
  • Pierre Ruprecht
  • Preto Zezé
  • Rafael Steinhauser
  • Raphael Callou
  • Ricardo Piquet
  • Sérgio Freitas
  • Simon Schazer

MEDALHA TARSILA DO AMARAL

  • Afonso Borges
  • Alessandra Almeida
  • Alessandra Costa
  • Amilson Godoy
  • Ana Lúcia Bilard Sicherle
  • Angélica Fabbri
  • Carlos Faggin
  • Carlos Meceni
  • Carlos Papá
  • Cristine Takuá
  • Danielle Nigromonte
  • Érica Malunguinho
  • Fábio Magalhães
  • Fernanda Feitosa
  • Inês Bogéa
  • Ivam Cabral
  • Hugo Possolo
  • Jochen Volz
  • Marcelo Lopes
  • Maria Ignez Mantovani
  • Odilon Wagner
  • Paulo Zuben
  • Renata Motta
  • Ricardo Ohtake
  • Ruriá Duprat
  • Samuel Mac Dowell de Figueiredo
  • Sônia Barbosa de Souza

MEDALHA MÉRITO MUSEOLÓGICO WALDISA RÚSSIO CAMARGO GUARNIERI – 2021 E 2022

  • 2021

 Marília Xavier Cury 

 Maurício Segall 

  • 2022

○     Maria Ignez Mantovani 

○ Maria Inês Lopes Coutinho 

PRÊMIO SÃO PAULO DE LITERATURA 2021 E 2022

  • 2021

 Edimilson de Almeida Pereira (Melhor Romance)

○ Morgana Kretzmann (Melhor Romance de Estreia)

  • 2022

 Antônio Xerxenesky (Melhor Romance)

○     Rita Carelli (Melhor Romance de Estreia)

CAPITAIS DA CULTURA DE 2022

Adamantina

Bertioga

Botucatu

Campinas

Iguape

Ilha Solteira

Indaiatuba

Itanhaém

Itapevi

Mairiporã

Paraibuna

Presidente Prudente

Registro

Santa Bárbara d’Oeste

Santa Rita do Passa Quatro

Santo Antônio do Pinhal

Santos

São José dos Campos

São Sebastião

Ubarana

Votuporanga

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