Studio R e a história dos amplificadores profissionais no Brasil.

Studio R e a história dos amplificadores profissionais no Brasil.
outubro 21 08:13 2006

No ano de 2006, o Eng. Ruy Monteiro completou 40 anos em projetos de equipamentos de áudio. Neste tempo, foi responsável pela maioria das grandes inovações do setor no Brasil e criou (e continua criando) algumas soluções inéditas no mundo todo e outras que se tornaram padrão.

Abaixo, um pouco de sua história, que é a história da STUDIO R.
Música & Mercado – Como foi que tudo começou?
Samuel Monteiro – Tudo começou com o Ruy Monteiro. E o Ruy começou mesmo na área de áudio com os receivers da Gradiente. Naquela época os aparelhos de som mais potentes eram receivers. Ele desenvolveu projetos de telefonia para a Telefunken anteriormente, mas potências ele começou a fazer de verdade na Gradiente também, que lançou no mercado um produto que marcou a evolução dos nossos produtos, o M-360.

Gradiente Model 360

Amplificador / Mixer Gradiente Model 360

Ruy – É verdade. Foi o primeiro amplificador brasileiro com pinta de profissional, lançado em 1975. O M-360 entusiasmou tanto o mercado, que decidiram fazer um outro modelo que resolvesse o problema de importação. Existia uma franquia em Manaus para importar sem pagar impostos, incentivos, mas era preciso uma porcentagem de nacionalização. Eles tinham o System One, gravador importado, que era muito caro para ser vendido como nacional, e teria de agregar um valor grande. Aí resolveram fazer o A1, derivado do M-360.

Studio R

Samuel Monteiro (esq.), Ruy Monteiro (centro) e Francisco Monteiro (dir.): Duas gerações dedicadas ao áudio.

Foi uma evolução dos amplificadores para uso doméstico?
Samuel – Na verdade, não existia esse tipo de amplificador, eram modelos mais rudimentares e o transistor ainda não era muito desenvolvido. A primeira vez que houve disponibilidade de componentes para fabricar um amplificador transistorizado superior ao valvular foi com o M-360. Desde 1975, quando o transistor ainda estava se aprimorando, o Ruy já trabalhava idéias novas.

Ruy – Na época nosso concorrente internacional era o Ampzilla. Se você olhar a topologia deles, vai notar que não tem nada a ver com o 360 ou o A1. Inclusive, o A1 foi combatido pelo PM 5000, da Polyvox. Todo mundo sabia que o M-360 ia ser lançado e a Polyvox se antecipou e lançou um mês antes. Foi um balde de água fria para nós. Ao mesmo tempo a Quazar entrou com uma liminar que alegava que a patente de dissipador externo era deles. Um absurdo! Tivemos que recolher mesmo assim toda a produção porque no A1 estava escrito justamente que era esse tipo de dissipador. O A1 foi lançado um pouco depois, mas com grande sucesso e nessa ocasião a Gradiente comprou a Polyvox.

Depois da Gradiente, o que aconteceu?
Ruy Monteiro– Fui para a Micrologic, onde com uma injeção de capital foi possível abrir na empresa o setor de amplificação . Era uma empresa especializada em acessórios para carro, chaves para auto-falante, crossover passivo para graves e equalizadores. Entrei na sociedade para fazer amplificadores.

Nashville NA 2200

Nashville NA 2200

O primeiro foi o P-500, precursor do M1000, de 1980. Foi o primeiro amplificador profissional nacional, porque tinha ventilação forçada e sensores térmicos, sistema de proteção contra cargas inadequadas, acidentes de fiação, e trabalhava com qualquer energia sem desligar. Foi também o primeiro amplificador nacional a utilizar transformador toroidal. Depois do M1000 veio o NA 2200, da Nashville, uma marca da Micrologic, para som doméstico.

Analisamos o mercado e concluímos que a linha Micrologic era profissional demais, estávamos deixando vários concorrentes se divertirem com os aparelhos mais baratos. Aí fizemos a Nashville, e o primeiro lançamento foi o NA 2200 e se tornou um produto muito econômico, com menos de duas unidades rack e passou a ser o único amplificador com ventilação variável, de acordo com a temperatura. Inevitavelmente, tornou-se um amplificador de grande sucesso entre os profissionais também e é utilizado até hoje pelo Brasil.

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Como se chegou à Studio R?

Ruy Monteiro e a mesa Studio R

Ruy Monteiro e a mesa Studio R

Samuel – Depois do NA 2200, a filosofia da Micrologic mudou um pouco, começou a desenvolver as primeiras mesas de som, mixers e consoles e deixou de ser fabricante de componentes para som automotivo e se focou na fabricação de sistemas de som doméstico e profissional. Só que o Ruy começou a pender mais para o lado do áudio profissional, mesmo quando tentou fazer o doméstico NA 2200. Aí ele resolveu se concentrar em som profissional, o que o fez fundar a Studio R. (Informação aos audiófilos, M-1400 já e um projeto lançado após a saída do Ruy da Micrologic e não teve sua participação). A Micrologic acabou fechando tempos depois, mas na época para assegurar os negócios, foi feito um acordo na dissolução da sociedade de que o Ruy não poderia fabricar amplificadores durante três anos, por isso a Studio R começou fabricando somente mesas, crossovers e direct boxes de altíssimo padrão.

Ruy Monteiro analisando novos módulos e Franklin Garrido

Ruy Monteiro analisando novos módulos e Franklin Garrido

Esse acordo não dificultou as coisas no começo?
Ruy – Nesse período, as mesas de som estavam indo muito bem e sustentavam totalmente a empresa. Até vir a questão do Collor, que prendeu nosso dinheiro. Pesquisando, eu descobri pelas leis que eu poderia vender qualquer mercadoria no Brasil naquela época, desde que não usasse o dinheiro. Seriam transferências de valores retidos. O valor retido na conta do cliente passava a ficar retido na minha conta. Deu certo, mas a concorrência com os fabricantes de mesa estrangeiros foi se complicando devido ao baixo valor do dólar. Como já haviam passado os três anos do acordo, voltei a trabalhar com amplificadores que sofriam menos com a concorrência internacional.

Samuel – Viu-se nos amplificadores uma solução porque os importados não funcionavam bem aqui, o que acontece até hoje, por questões de rede elétrica, clima tropical, etc. Amplificador dava pra fazer aqui melhor que lá fora por um bom preço. Cessamos a fabricação de mesas e retomamos a produção dos amplificadores de potência do ponto que havia parado na época o M1000. E vieram os primeiros amplificadores nacionais de 1,5 Ohms para quatro falantes por canal.

E os importados?
Samuel – Passaram a incomodar novamente anos depois, com o ideal de modelos mais leves e compactos. Lançamos o primeiro amplificador digital nacional justamente por causa deles em meados de 98, mas vemos nesta tecnologia até hoje tem vários poréns como custo, qualidade, manutenção e preço. Lançamos também amplificadores chaveados em meados de 2000 com fontes especiais para nossa realidade, mas todo mundo ficou com medo da manutenção diferenciada que estas demandam e com razão.

As assistências técnicas em geral no Brasil não tem familiaridade com este tipo de fonte em potências altas. Precisávamos de uma solução nova para o Brasil, um amplificador pequeno como o digital e leve como os chaveados, mas com uma tecnologia familiar ao técnico, mais baratos e que tolerassem variações de rede e com potências maiores que 5.000 watts contínuos. Foi investido muito tempo, dinheiro e pesquisa até que chegamos à Série X de amplificadores.

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Eles possuem hoje até 11.000 W RMS (13.2000 watts EIA) com cerca de 17,5 kg e 2 unidades rack. Não sofrem com nossa rede elétrica e podem ser reparados por qualquer técnico. Se você comparar nosso modelo intermediário, o X8 de 8.000 watts RMS até 1,3 Ohms e 2 unidades rack, com o mais potente e moderno da Crown hoje em dia, o digital T-I8000 de 7.000 watts RMS em 2 Ohms nas mesmas 2 unidades rack, verá que o X8 é somente 5 kilos mais pesado que o Crown, mas tem 1.000 watts RMS a mais, funciona com 4 falantes por canal e tolera nossa rede elétrica. A distorção e consumo do X8 são menores e ele custa três vezes menos que o Crown lá fora! Não é a toa que a Série X é sucesso no exterior e corresponde a 65% de toda nossa produção. Isso sem falar no X12…

Ruy – Mais uma feliz solução desenvolvida sob medida para o Brasil e que serve para o mundo.

A Studio R desenvolve amplificadores bastante diferentes do convencional por conta disso?
Ruy – Nestes 40 anos de desenvolvimento de produtos, uma coisa eu certamente aprendi muito bem: o que não se deve utilizar em amplificadores no Brasil. Sempre procurei testar e aplicar aqui as maiores novidades internacionais. Boas idéias devem ser aproveitadas sim, mas o Brasil é um lugar muito diferente dos EUA e Europa em termos de infra-estrutura, clima e cultura. Quando utilizamos os primeiros toroidais no Brasil por exemplo (no amplificador M1000), estávamos aproveitando justamente uma solução estrangeira de sucesso. Sucesso devido a economia gerada por esses transformadores, muito mais baratos e práticos na montagem que os de núcleo EI, apesar de apresentarem o mesmo desempenho final.

Depois disso, percebemos à duras penas que conforme a potência do amplificador vai subindo e o tamanho do toroidal aumentando, eles começam a sofrer com problemas de resistência mecânica e tem sua vida útil muito reduzida em relação ao transformador EI. Mas onde isso ficou claro? No uso móvel constante em trios elétricos, exclusividade brasileira. Os gringos não tinham este problema. Esse é um dos motivos pelos quais a linha Heavy-Duty não utiliza transformadores toroidais em altas potências. É também o principal motivo por ele ser o único amplificador garantido por 5 anos no Brasil, mas muita gente ainda anuncia transformadores toroidais gigantescos e frágeis como sendo uma vantagem de seus projetos, só porque é comum seu uso lá fora. Parecem detalhes banais, mas fazem toda a diferença. A Studio R tem a mais longa experiência de campo com amplificadores Touring-Class no Brasil e, portanto, a maior e melhor noção estatística do que funciona e do que não funciona à longo prazo aqui. Isso diferencia muito nossos produtos e nos permite garanti-los por tanto tempo.

Samuel – Foi justamente tentando adaptar uma outra solução gringa que acabamos por desenvolver os verdadeiros amplificadores para 4 falantes por canal. Os americanos começavam a anunciar os novos amplificadores de 2 ohms. Aqui entendeu-se erroneamente que eram feitos pra 4 falantes por canal (subentende-se que 2 ohms seja o resultado de 8 falantes de 8 ohms, mas na prática falantes de 8 ohms possuem geralmente entre 5 e 6 ohms, resultando em um conjunto de cerca de 1,5ohms), mas estes perdiam potência e rendimento. Em consulta a própria Crown na época, eles nos disseram que seus novos amplificadores de 2 ohms eram feitos para no máximo 3 falantes por canal e nunca 4. Que aquilo era justamente um erro de interpretação dos brasileiros e considerado mau uso inclusive.

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Mas ninguém entendia isso no Brasil e o que se queria, culturalmente, era um amplificador para o maior número possível de falantes. Daí surgiram os primeiros amplificadores realmente capazes de operar com 4 falantes por canal, recurso que utilizamos até hoje. Copiar o que se faz lá fora é muito mais fácil, mas resulta sempre em um produto igual ou inferior ao original. Nós queremos mais!

Vocês diriam então que o maior diferencial da Studio R é a garantia?
Samuel – As lojas que trabalham conosco sempre comentam: “É uma tranqüilidade vender Studio R.”. Qualquer bom revendedor valoriza um produto que, além do alto valor agregado, não lhe dá dor de cabeça com o cliente. Para o consumidor final também é um diferencial importantíssimo, já que amplificador profissional é ferramenta de trabalho e tem que se pagar! Se você tem um produto de superior desempenho e que não trará problemas nem gastos de manutenção garantidamente por 3 a 5 anos, ele fatalmente se pagará e ainda trará lucros, independente do investimento inicial. E cliente que prospera, compra mais.

A Studio R ficou famosa por oferecer essa confiabilidade, mas acabou ficando também com a fama de produzir produtos inacessíveis pois a situação econômica do país obriga muitos a comprar simplesmente pelo preço. Para essas pessoas, não adianta saber que outros produtos trarão lucros menores ou mesmo prejuízo a longo prazo se ele não tem dinheiro pra nada melhor e precisa resolver um problema imediato.

Então ele compra o que pode, mas isso é ruim principalmente para o lojista, que terá um cliente estagnado. Mas esta parecia ser a sina da Studio R, já que não dava pra simplesmente baixar os preços dos produtos sem baixar a qualidade. Foi aí que mais uma descoberta do Ruy veio revolucionar novamente o modo como se fabrica amplificadores e trouxe novos importantes diferenciais à nossa linha além de preço extremamente competitivo mantendo a qualidade: a fonte X.

Ruy – Já utilizamos essa tecnologia à cerca de dois anos e hoje ela está em sua perfeita maturidade. O diferencial da Studio R hoje não é somente a maior garantia e confiabilidade do mercado, mas também o fato de serem os amplificadores de altíssima potência mais leves, compactos e de menor consumo proporcional de energia do mercado por preços extremamente competitivos.

Hoje um lojista da capital paulista pode oferecer ao consumidor final um amplificador Studio R de 5.000 watts RMS com 3 anos de garantia por menos de R$ 3.900,00*.

Por pouco mais que isso, o consumidor final pode ainda optar por um amplificador de 5.600 watts RMS com apenas 2 unidades rack e míseros 15 kilos, o X5. Amplificadores similares de outras marcas pesam mais que o dobro e podem ter mais que o dobro da altura.

Isso significa que com só com o que o consumidor economiza em rack, transporte, frete e tempo de montagem de seu sistema usando um X5 Studio R, ele paga a diferença de preço do produto. Isso sem contar a garantia de 3 anos que se mantém. Logo podemos dizer que o maior diferencial da Studio R hoje, é o lucro e tranqüilidade proporcionados ao lojista e ao consumidor final.

 

(*dados válidos para a época da entrevista: Junho de 2006)

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