Sennheiser quer mais Brasil

Sennheiser quer mais Brasil

por 13/05/2011

Sennheiser começa a implantar mudanças para alcançar meta ousada: aumentar o faturamento dez vezes em cinco anos no país

Nesta semana dois executivos internacionais da empresa alemã Sennheiser estiveram em algumas cidades brasileiras para conhecer mais profundamente o nosso mercado e anunciar novos direcionamentos estratégicos.

Durante o café da manhã de quarta-feira, dia 11, John Falcone, presidente e CEO da Sennheiser E.U.A., e Jean Langlais, presidente do Canadá, conversaram, com exclusividade, com a Música & Mercado para contar quais serão as novas estratégias para alcançar a meta estipulada para o Brasil: crescer dez vezes em cinco anos. “Não podemos esperar, precisamos fazer”, sentenciou Falcone.

Sennheiser - Wireless Microphone_bannerComo primeiras ações, eles abriram a distribuição de produtos voltados ao mercado musical, não mais de exclusividade da Equipo, e anunciaram a empresa Link do Brasil como nova distribuidora oficial da linha consumer (fones de ouvido e acessórios para consumidores de massa) – a linha pro-áudio da empresa, da marca Neumann, continuará sendo distribuída pela Quanta. Também nomearam Paulo Del Picchia como gerente de marketing da América Latina e Jeff Berg como gerente de vendas da Sennheiser e Neumann no país.

Vir ao Brasil também faz parte da estratégia. “Viemos buscar as ferramentas para realizar um bom trabalho”, explicou Langlais.

A visita teve por objetivo investigar a realidade do comércio de instrumentos musicais no país, o que incluiu: penetração da Sennheiser nos PDVs, visão de marca pelos varejistas e consumidores finais, impostos que incidem na comercialização dos produtos, entre outros temas.

Durante a conversa, Falcone e Langlais deixaram claro duas preocupações principais: preço e marketing. “A política de preços é o nosso target, assim como a percepção que os consumidores, de todos os níveis, possuem sobre o valor de nossa marca. Queremos tornar a Sennheiser mais acessível, isso não só com relação a preço, mas também com maior penetração em pontos de venda e nos serviços ao consumidor, além de reforçar o valor de marca”, informou Falcone.

Inclusive, a imagem da marca pelo mercado, em geral reconhecida como fabricante de produtos de qualidade, mas muito cara, foi um assunto bastante abordado pelos executivos, que apontaram o reposicionamento dessa imagem como uma das ferramentas essenciais para o alcance da meta. “Nosso objetivo é fazer com que os consumidores entendam o que é Sennheiser.

Nossos produtos nunca serão muito baratos, porque existe muita tecnologia e engenharia investida neles. A maior parte de nosso lucro é direcionada para o departamento de Pesquisa & Desenvolvimento. É essa verdade que vamos levar aos clientes: o custo-benefício que nosso equipamentos proporcionam”.

De qualquer forma, o preço será abaixado, conforme explicou o gerente de marketing para América Latina, Paulo Del Picchia, também presente no encontro: “Queremos e vamos ter preços mais competitivos. A queda vai ser consequência das mudanças que estamos implantando.” E essas mudanças não são pequenas. Frente aos investimentos do Governo e iniciativa privada para atender a demanda da Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, a empresa trabalha para um significativo aumento no volume de vendas e melhoria da imagem da marca.

Sennheiser brand awareness

Para realizar o aumento de reconhecimento de marca (brand awareness), além de ter contratado uma empresa especializada em comunicação de massa, a Sennheiser está estudando a adoção das mesmas estratégias utilizadas no Canadá, efetuadas pelo atual presidente da companhia no país, Jean Langlais. “Trabalhando em três canais – marketing, distribuição e serviços – Langlais fez um trabalho incrível em termos de construção de valor de marca. O resultado foi um acréscimo de 25% do faturamento na região. Estamos aqui para ver a viabilidade de adotar as mesmas ações aqui, claro que respeitando as peculiaridades do setor no Brasil”, enfatizou Falcone.

Sobre tendências, os executivos foram enfáticos, produtos que unam design e tecnologia garantirão a longevidade da companhia, que nasceu há 60 anos. “Atualmente, as pessoas querem ter um estilo próprio, algo que exalte a sua individualidade, então estamos investindo nessa personalização. Para isso nos dedicamos à inovação em design tanto de um fone esportivo quanto de microfones. Queremos colocar nossos produtos em todos os nichos”.

Os executivos informaram que 100% dos esforços da empresa no continente americano estarão dirigidos ao mercado brasileiro. Eventos esportivos mundiais e a musicalização nas escolas contribuíram para que os investimentos fossem concentrados no país, assim como o momento econômico favorável e o potencial geográfico e populacional. Uma frase de Falcone, porém, conseguiu sintetizar tudo isso: “Hoje, todo o mundo quer o Brasil”.

 

Por Ana Carolina Coutinho