Reflexos da entrada da Guitar Center no País

Reflexos da entrada da Guitar Center no País
novembro 24 09:56 2010

Reflexos da entrada da Guitar Center no País

Executivo do grupo Quanta mostra a quais regras brasileiras a loja norte-americana terá que se adequar para atuar com legalidade no País

Após anunciar que a Guitar Center, grande rede de lojas de instrumentos musicais norte-americana, começou a vender diretamente ao Brasil por meio de seu site, a redação da M&M recebeu diversos e-mails sobre o impacto que a entrada da GC iria ter no setor.

Um dos mais esclarecedores foi o do diretor do Grupo Quanta Alexandre Baroni, que evidenciou não só as implicações tributárias e legislativas que deverão ser cumpridas pela GC para que a concorrência seja saudável, mas também explicitou as deficiências administrativas governamentais às quais se sujeitam todos os empresários brasileiros sérios. Por isso, reforçando a urgência de nossa reforma tributária, publicamos, com a autorização do autor, seu e-mail na íntegra, conforme abaixo.

“Como empresa estabelecida há mais de 20 anos no mercado brasileiro, sou obrigado por lei a cumprir determinadas regras (justas ou não) para ter meu CNPJ ativo e ainda não ser processado, cassado e ter meus bens raptados por alguma força superior que se baseia nessas leis.

Logo, estamos hoje cumprindo alguns desafios que sabemos não serem cumpridos tanto pela BH [BH Photo Video, loja on line que vende câmeras digitais ao Brasil] como pela Guitar Center agora. Cito alguns deles:

•    Manual em português;
•    Plugs de energia no padrão brasileiro;
•    Impostos corretos conforme legislação brasileira;
•    Suporte Técnico local;
•    Assistência Técnica local;
•    Troca do produto em até 7 dias conforme lei do consumidor.

Recebo constantemente informativos da ‘Revista HomeTheater’ que se assemelha aos seus informativos. Em uma matéria, foi informado o porquê dos altos preços no Brasil. Houve inúmeras réplicas ao texto exposto, pois o mesmo enfatizava que grande parte do dinheiro estava indo para o governo. O autor foi tão atacado que precisou escrever outro texto para se defender.

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Abaixo, vou citar a grande maioria dos encargos e gastos que temos hoje em importação e venda. Existem muitas aqui que não são citadas em matérias por aí e que são a realidade:

•    Frete fornecedor/comprador;
•    Seguro da carga internacional;
•    Imposto II;
•    Imposto IPI (em cascata) de entrada;
•    Imposto ICMS (em cascata) de entrada;
•    Taxas antidumping para alto-falantes fabricados na China;
•    PIS (em cascata) de entrada;
•    COFINS (em cascata) de entrada;
•    Despachante aduaneiro;
•    Sindicato dos despachantes aduaneiro (taxa por importação);
•    Imposto IPI de saída, pois somos enquadrados como “fabricantes”, pagando 100% de IPI;
•    Imposto ICMS de saída, pois somos enquadrados como “fabricantes”, pagando 100% de ICMS;
•    PIS de saída (imposto duplicado para lucro presumido);
•    COFINS de saída (imposto duplicado para lucro presumido);
•    Contribuição Social;
•    Imposto de renda pessoa jurídica para lucro presumido;
•    IR na fonte;
•    IOF;
•    Despesas de fechamento de câmbio pelo Banco Central;
•    Embalagem e pallets para exportação;
•   Gastos com manutenção e troca de equipamentos (que não conseguimos ser reembolsados pelo fabricante);

Sem falar do absurdo que é a Substituição Tributária que impõe impostos de ICMS sobre um valor ’simulado’ de mercado e que não é o valor de venda real, além de ser um imposto pago adiantado, prejudicando extremamente o fluxo de caixa das empresas. Agora, soma-se a tudo o encargo trabalhista, comissões e demais despesas envolvidas nas operações das empresas.

Isso mostra mais uma vez que, certo ou não, existe uma realidade brasileira que ninguém sabe direito. Gostaria sinceramente que a Polícia Federal, a Receita Federal e as entidades de defesa do consumidor fizessem um estudo muito bem apurado com relação às operações da BH e da Guitar Center. É o mínimo que esperamos dessas entidades que cobram ferozmente os empresários brasileiros.

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Obrigado.

Alexandre Baroni
Diretor – Grupo Quanta"

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