PONTOS DE VENDA: O olhar de fora… para dentro

PONTOS DE VENDA: O olhar de fora… para dentro

por 13/05/2011

Algumas reflexões para nos tornarmos o Gigante Econômico anunciado, com nobreza

Quando parei para me concentrar e pensar sobre a pauta desta coluna, pensei em dividir alguns pensamentos que surgiram nas viagens que fiz nos últimos 15 anos, reforçados pela variada agenda dos últimos meses para os Estados Unidos, Coreia e Hong Kong.

O Brasil sempre foi conhecido como ‘O País do Futuro’, motivo de piada internacional durante muitos anos. A piada dizia que “somos o País do Futuro”, e que “sempre o seremos”.

Com toda a maré positiva, da economia ascendente, da ’marola’ da crise que nos atingiu muito levemente, da futura Copa do Mundo, das Olimpíadas etc., precisamos ficar atentos para que este estado de crescimento se perpetue, seja sustentável.

Precisamos nos livrar do famoso ‘jeitinho brasileiro’ no mau sentido para que sejamos mais respeitados, como país anfitrião, como destino turístico, e, claro, como grande parceiro de negócios.

Nosso povo é caloroso, amável, hospitaleiro e sempre mostra invejável disposição para colaborar. Aliando este fator humano extremamente positivo à conscientização, educação e postura, seremos realmente imbatíveis.

Organização e profissionalismo

Muitos brasileiros se surpreendem com a organização que encontram durante visitas aos países de Primeiro Mundo. Um exemplo simples é o de que em escadas ou esteiras rolantes de aeroportos, as pessoas ficam paradas à direita, para que as pessoas com mais pressa passem pela esquerda. Esse padrão de comportamento vem sendo adotado no Brasil, mas ainda de forma tímida, como no metrô de SP.

Não é incrível saber que nos Estados Unidos, no Estado da Califórnia, a multa para quem joga bitucas de cigarro pela janela do carro é de 5 mil dólares?

Mas não encontrei somente bons exemplos em minhas viagens. Surpreendi-me com o hábito de fumar dos chineses. Eles fumam em toda parte, seja dentro de elevadores ou à mesa de café da manhã.

E isso não diz respeito somente ao comportamento no sentido de educação e noções de civilidade. Esteja certo de que a desorganização tem forte reflexo no modelo de negócios de um povo e, nesse quesito, temos muito a melhorar.

Os funcionários da sua empresa que carregam peso, ou executam trabalho mais pesado, utilizam cintos abdominais-lombares e equipamentos de segurança como capacete, óculos de proteção? Isso pode parecer bobagem, mas é um dos pequenos exemplos do olhar que você terá se visitar um depósito na América do Norte ou na Europa.

Certa vez um fornecedor estrangeiro achou muito, mas muito engraçada uma placa no banheiro de um restaurante razoável que dizia: “Não urine no chão” — é mesmo um absurdo precisarmos pedir para que as pessoas não urinem no chão do banheiro…

No âmbito corporativo de uma forma geral, as apresentações e palestras, planilhas e contratos das maiores empresas são exemplos a serem seguidos. As companhias brasileiras estão no caminho certo e devem ficar atentas aos bons exemplos de profissionalismo e conscientização que vemos mundo afora.

Corrupção

A corrupção é um mal mundial, mas ela atinge alguns países mais fortemente, infelizmente o caso do Brasil. Mas não haveria corrupção se não existissem pessoas que buscam o ‘caminho fácil’, dispostas a pagar (à vista e em dinheiro) o corrupto.

A lógica é a seguinte: é muito mais fácil culpar o sistema de altos impostos do que reivindicar, do que votar direito nas eleições, do que dar o bom exemplo.

Quem compra produtos piratas ou contrabando pode nem saber, mas está financiando o crime organizado. Até mesmo os ‘inofensivos’ DVDs e CDs piratas certamente estão tirando empregos de muita gente, roubando, literalmente, o direito intelectual da obra (compositores, músicos, diretores, atores, cinegrafistas e todos os envolvidos na comercialização da obra).

Se não houver demanda, certamente não haverá oferta — pense nisso.

Os contrabandistas se organizam de tal forma que acabam se tornando ‘importadores paralelos’ na cabeça das pessoas. Só que eles não patrocinam artistas, não investem em anúncios, não empregam legalmente seus funcionários. Mas, mesmo assim, muitas lojas continuam comprando produtos de procedência ilegal em nosso mercado.

Aceitar o contrabando e a pirataria significa banalizar a criminalidade.

Transporte público e educação no trânsito

Um forte sinal de que ainda temos um longo trajeto é o trânsito das grandes cidades. A quantidade de carros e a infestação de motocicletas mostram que o governo tem muito trabalho pela frente. E não é somente o governo que mudará a situação atual.

Podemos, e devemos, fazer a nossa parte, flexibilizando o horário de expediente dos funcionários, dando carona, utilizando carros com consumo de combustível mais baixo, menos poluentes, e até mesmo amadurecermos a ideia de home office em alguns dias da semana.

A educação no trânsito também é um indicativo de nossa formação e cultura. As pessoas não utilizam a seta, não dão passagem, não respeitam a faixa de pedestre… Furar filas é outra prática lamentável do brasileiro que pega muito mal. Se estiver com um parceiro de negócios estrangeiro, nunca ‘fure uma filinha’ e seja mais educado no trânsito.

Somos aquilo que repetidamente fazemos. Se formos honestos, seremos bons exemplos para nossos filhos, funcionários, amigos.

Divulgue a honestidade.

Pontos positivos do Brasil e de seu povo

São inúmeros os pontos positivos do Brasil e de nosso povo, nossa bela cultura, nossas belezas naturais — tudo isso é até redundância, pois todos sabemos.

O que percebemos ao olhar de fora para dentro do Brasil é que, por sermos criativos, nossos sites, por exemplo, estão anos-luz à frente dos sites de muitos países da Europa.

Por sermos um povo caloroso e batalhador, o atendimento de nossas lojas é muito mais ativo e pessoal que nas lojas dos EUA, em especial nas grandes redes, porque eles nunca tiveram de se esforçar para vender. Crise é novidade por lá…

Passamos por taxas de inflação absurdas, crises catastróficas, planos e mais planos, moeda fraca, confisco de poupança de nossa nada saudosa Zélia Cardoso. Quem é mais jovem pode não se lembrar das remarcações de preços, em que um produto mudava de preço do período da manhã para o período da tarde.

Sobrevivemos a tudo isso e hoje somos ainda mais fortes e — o mais importante de tudo — temos muita energia para correr atrás dos nossos objetivos.

A fórmula para chegar lá é muito simples e está ao alcance de todos nós. Afinal, para sermos um Gigante, temos de demonstrar força, mas com nobreza.