Os desafios do nosso mercado

Os desafios do nosso mercado
agosto 03 16:35 2011

 Globalização, internet, concorrência. Como sobreviver a tantas circunstâncias competitivas?

Por Takao Shirahata*

O comércio varejista em geral mudou muito nos últimos anos. Em qualquer mudança dessa natureza existem os pontos positivos e os negativos. Mas a verdade é que se trata de um caminho sem volta e temos de nos adaptar aos novos tempos.

O primeiro grande desafio é o da globalização. O avanço da internet abriu as portas do mundo para o consumidor fazer as compras sem sair de casa. No Brasil o impacto ainda não é tão grande devido os impostos e burocracias que envolvem a importação, porém o movimento já começou.

A maior rede de varejo de instrumentos musicais nos Estados Unidos – a Guitar Center – já vende para nosso país (em geral produtos de marcas ainda não representadas por aqui). Para testar, fiz duas compras separadas: um pedal de efeito para guitarra e um bocal de trompete. Nos dois casos a experiência foi surpreendentemente positiva. Prazo de entrega, documentação e segurança. Altamente profissional, eficiente e confiável. Como consumidor fiquei contente. Mas como empresário atuando no mercado brasileiro, fiquei preocupado.

Existem também os desafios provenientes das mudanças internas do País. O Governo está cada vez mais fechando o cerco contra a informalidade e criando sistemas de controles para aumentar a arrecadação – já que não há mais espaço para aumentar os impostos, então a solução é melhorar o sistema de cobrança… Nota Fiscal Eletrônica, Substituição Tributária e campanhas como Nota Fiscal Paulista são alguns exemplos de ações recentes do Fisco. Se em outras épocas certo grau de ineficiência administrativa da empresa era compensada pela “economia” tributária da informalidade, nos dias de hoje a empresa precisa ser cada vez mais competente e eficiente para sobreviver e crescer.

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Opções para vencê-los

Para enfrentar essas circunstâncias, em muitos casos, a solução é a expansão, mas é importante, primeiro, avaliar se a casa está em ordem. Pois multiplicar a ineficiência significa gerar mais riscos e criar mais problemas. A expansão pode começar dentro da própria loja – por exemplo, aumentando o mix de produtos e fazendo uma boa seleção de fornecedores. No varejo é comum associar expansão ao aumento do número de lojas. Em um mercado cada vez mais competitivo, a economia de escala é determinante para compensar a redução de margens.

Aumentar o negócio implica também em precisar de mais gente. Esse é outro grande desafio do comércio varejista. A ausência de planos de carreira, especialização e até mesmo a informalidade fazem com que muitos dos trabalhadores do setor encarem sua atividade como ocupação temporária ou um subemprego. Em um setor onde predomina o modelo de Empresa Familiar, isso é um problema potencial de médio e longo prazo. Afinal, já não se fazem tantos filhos como antigamente…

 A despeito de tantos desafios, como eterno otimista que sou, vejo um mercado aberto a grandes oportunidades. Trabalhamos em um segmento especializado. Não somos dos “commodities”. Podemos – e devemos – agregar valor. Oferecer algum diferencial. Felizmente a modernização e a globalização tem aumentado também o número de consumidores conscientes e exigentes. Não é só preço que eles estão buscando. Em outras palavras: eles estão dispostos a pagar o preço que vale.

 *Takao Shirahata é presidente e CEO, sócio e co-fundador da Roland Brasil

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