O gestor efetivo

O gestor efetivo

por 23/07/2007

Entende-se por efetividade a capacidade de atingir os objetivos utilizando bem os recursos disponíveis. É a competência de ser eficaz e eficiente ao mesmo tempo.

Para tornarem-se efetivas, as empresas necessitam que os seus dirigentes e gerentes — responsáveis pelas decisões —, também se tornem eficazes. Mas o que é uma pessoa efetiva?

Peter Drucker, um dos ícones da administração moderna e precursor da ‘era do conhecimento’, afirma que primeiramente esses gestores precisam responder a quatro questões:

1. O que eu estou fazendo que não precisa ser feito?
Essa questão parece ser simples, mas, na verdade, as pessoas perdem tempo fazendo coisas que não precisam ser feitas. As próprias organizações criam rotinas e tarefas burocráticas que, muitas vezes, não têm aplicação objetiva, sem obter resultados positivos. Covey, na sua matriz do tempo, considera essas ações como ‘não importantes e não urgentes’, ou seja, deveriam ser eliminadas.

2. O que eu estou fazendo que poderia ser feito por outra pessoa?
 Essa segunda questão é mais delicada, já que conduz o gestor ao risco de delegar. É preciso aprender a delegar e se conscientizar de que outra pessoa pode fazer perfeitamente o que ele faz. Em alguns casos, obtém-se até um resultado melhor. Esse problema aflige a maioria dos executivos. O primeiro passo é se desvencilhar do ‘operacional’ da empresa. Gestores, muitas vezes, mergulham em problemas aparentemente urgentes, mas que, na verdade, ocorrem todos os dias. É preciso cuidado para não passar o tempo todo simplesmente ‘apagando os incêndios’ que surgem na empresa.

Ninguém é insubstituível. Ao delegar parte de suas atribuições a outra pessoa, você sairá ganhando. Obterá mais tempo para contribuir e alcançar os resultados que realmente importam para a organização.

3. O que eu estou fazendo que só eu posso fazer?
Essa terceira questão complementa a segunda. Ao descobrir o que não precisa ser feito por ele, o gestor automaticamente seleciona o que ‘realmente’ só ele pode fazer. Dessa maneira, prioriza o que é relevante para suas atividades. Um gestor efetivo deve distinguir o importante do não importante, o urgente do não urgente.

Elimine, pouco a pouco, as atividades nos dois quadrantes não importantes e priorize o que é importante. O gestor aprenderá a ser efetivo e contribuirá para a efetividade da empresa.

4. O que eu deveria fazer que não estou fazendo?
Essa parece ser a mais difícil de todas as questões, porque nem sempre se consegue enxergar o que não está sendo feito. O gestor precisa olhar para fora da organização — clientes, fornecedores, concorrentes e governo —, proporcionando subsídios para planejar e implementar novas ações.

Drucker sugere algumas ações as quais considera fundamentais para a efetividade de um verdadeiro gestor:
·
 Ser responsável pelas decisões.
· Ser responsável pela comunicação dos seus planos de ação, pois todos os envolvidos precisam entender perfeitamente essas ações antes de serem postas em prática.
· Ter foco nas oportunidades. Bons gestores priorizam as oportunidades e não os problemas.
· Tornar as reuniões produtivas, pois normalmente se perde tempo com reuniões mal planejadas e mal conduzidas.

Ainda segundo Drucker, felizmente podemos aprender a ser efetivos, já que isso é um hábito, uma prática. As práticas sempre podem ser aprendidas. Por fim, para nos tornar efetivos, precisamos praticar, praticar e praticar.

BIBLIOGRAFIA
DRUCKER, Peter F. The effective executive. Harper Collins, 2006.