NEGÓCIO DE VAREJO: Fofocas e fofoqueiros

NEGÓCIO DE VAREJO: Fofocas e fofoqueiros
maio 13 12:26 2011


 

Por Neno Andrade

Depois de analisar o comportamento das pessoas do nosso mercado na Music Show, em Ribeirão Preto (ocorrida nos dias 19 e 20 de fevereiro), e juntando com o que já ouvi e presenciei nesses anos de mercado da música, resolvi escrever sobre a fofoca.

Pesquisei bastante para encontrar uma definição para fofoca, e achei uma muito próxima da realidade, e que se encaixa perfeitamente com os meus pensamentos: “A fofoca consiste no ato de fazer afirmações não baseadas em fatos concretos, especulando em relação à vida alheia”.

Por exemplo, quando quisermos que o mercado saiba de alguma coisa, basta contar para um fofoqueiro e pedir segredo — isso é muito importante —, e em pouco tempo todo o mundo estará sabendo, mais rápido que publicar em blogs, sites etc.

As frases dos fofoqueiros são sempre as mesmas: ‘Já está sabendo da novidade?’, ‘Sabe da última?’, ‘Você não vai acreditar!’. E sempre vêm assim: ‘Olha vou te contar, mas você jura guardar segredo?’.

No mercado corporativo, temos os fofoqueiros internos e os externos. Os internos, normalmente, procuram encobrir sua falta de profissionalismo, de conhecimento sobre sua profissão, e usam a fofoca para se aproximarem de seus superiores. Ou seja, eles fazem parte da profissão mais antiga do mundo: ser puxa-saco. 

O peculiar mercado da música

Houve um tempo em que chefes despreparados davam muita importância a esse tipo de profissional. Sempre estão atentos aos acontecimentos, para falar ao superior coisas como: ‘A conta de telefone desta empresa deve ser alta, pois quando o senhor não está fulano fica o tempo todo no telefone’; ou ‘Hoje o trânsito deve estar ruim, pois fulano chegou meia hora mais tarde’, e ainda — a melhor delas — ‘Olha, não sei não, mas acredito que fulano de tal está saindo com a Maria’. 

Em momento algum ele está buscando a solidariedade com os colegas, a união em benefício da empresa, mas apenas prejudicar seus companheiros, e, por conseguinte, o ambiente na empresa, que julgo ser muito importante.

Temos também os fofoqueiros externos, normalmente vendedores que viajam e visitam muitos clientes diferentes e, por isso, possuem bastante informação, acabando por levá-la de um lado para outro, e na maioria das vezes, distorcem-na, segundo seus próprios interesses. 

Quem nunca falou com um vendedor ou representante comercial e ouviu frases do tipo: ‘Nossa, a loja tal fez um pedido de mil peças deste produto’, só para você ficar se sentindo frágil ao comprar as cem peças, que seriam a sua necessidade, e aumentar o pedido… Ele também fala que determinada loja tem um faturamento muito maior que a realidade, só para te impressionar como concorrente etc.

Quando atuava como representante, lojistas fofoqueiros muitas vezes me perguntavam sobre a situação de lojas concorrentes. Eu sempre procurava me esquivar dessas perguntas com a seguinte frase: “Se eu te disser como está o seu concorrente, ou até abrir alguma negociação dele, você não acha que quando for lá e ele me perguntar a seu respeito vou falar de você também? Então é melhor mudarmos de assunto”.

No mercado, na vida, no mundo, existem pessoas do bem e do mal. E o mercado da música é peculiar, pois é relativamente pequeno, onde todos conhecem praticamente todos e muitas vezes as pessoas do mal conseguem ser ouvidas. 

Conheço até lojista que pega o telefone e liga para os seus concorrentes apenas para fofocar ou inventar histórias, só para prejudicar alguém ou alguma empresa, e até mesmo para se beneficiar. São conversas do tipo: ‘Olha, não compre determinado produto — ou de determinada empresa — por isso ou por aquilo…’ Mas ele próprio compra e fica trabalhando com aquele produto sozinho na região, sem o concorrente. Tem fofoca também entre fornecedores, que espalham que tal loja está quebrando para amedrontar os concorrentes, e eles ficarem sozinhos no fornecimento da mesma.

Conselho do Zé

Sempre que ouvir uma notícia, procure averiguar, guarde-a até saber da verdade, pois você só tem a ganhar com isso. Lembre-se: ninguém conhece a real situação de uma empresa, ou de um relacionamento, sem estar totalmente dentro da situação. Portanto, não acredite nas afirmações ‘Olha, tal empresa está quebrando’, ‘Tal fornecedor faz venda assim ou assado’, ‘Fulana está saindo com fulano’ etc. Desconfie sempre, pense sempre em qual é a verdadeira intenção da pessoa ao te dizer aquilo…

Sempre me lembro de um conselho do José Luiz, presidente da Meteoro: “Meu filho, acorde cedo, trabalhe muito e não dê ouvidos aos outros. Não leia notícias ruins, não procure saber da vida dos outros, das empresas alheias, cuide da sua, que já não é uma tarefa fácil”.Não escute os fofoqueiros de plantão, cuide bem do seu negócio e venda muito!

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