Música em sala de aula, e agora?

Música em sala de aula, e agora?

por 11/10/2011

Neste artigo, educadora aponta os erros que levaram à ausência da educação musical nas escolas para que eles não se repitam com a instituição da nova lei

Por Lilia Rosa*
 No texto anterior, comentamos que a música ficou praticamente fora das escolas públicas brasileiras por 25 anos (1971-1996), coincidentemente no período onde o ensino das artes se tornou obrigatório no país, com a introdução da matéria Educação Artística no currículo escolar – pela LDB n° 5.692/1971. Por que isso ocorreu?

Vamos mostrar as principais causas que levaram ao ”sumiço” do ensino musical da Educação de nossas crianças e adolescentes para que agora, diante da nova lei, não venha se repetir os mesmos erros ou propostas inadequadas. 

A lei  que introduziu a Educação Artística, a colocou como atividade educativa e não como disciplina, objetivando despertar o gosto pelas artes por meio da criação ou expressão, leitura de obras (apreciação e reflexão), contextualização e integração das diversas linguagens. Esse propósito, porém, ”caiu por terra” já no início de sua implantação, ou seja, no momento em que o governo instituiu a criação de cursos universitários de apenas dois anos (licenciatura curta) para suprir a demanda: preparar um professor capaz de lecionar música, desenho, dança, teatro, artes visuais e desenho geométrico para as diferentes séries e graus.

Afinal, como seria possível em tão pouco tempo formar ou transformar um jovem estudante num professor com domínio em diversas linguagens artísticas? Segundo a arte-educadora Ana Mae Barbosa, “é um absurdo epistemológico” ter essa intenção num currículo de licenciatura, principalmente porque na época sequer havia cursos universitários para formar professores de artes.

É importante lembrar que esses profissionais existiam e, em sua maioria, eram artistas, músicos, atores, dançarinos e outros especialistas, mas não foram ”aproveitados” nas escolas devido à falta de título superior. Diante da situação, o ensino das artes no país caracterizou-se (e ainda se caracteriza), em geral, pela aprendizagem superficial das linguagens e, especialmente, pelo ensino das artes visuais que, na verdade, privilegia o desenho e os trabalhos manuais.

Com a Lei 11.769/2008, que obriga o retorno imediato da música em sala de aula na educação básica, as discussões e preocupações voltaram à tona. E agora? Como será feita a inclusão desse conteúdo no cotidiano escolar se ainda o país mantém  um reduzido número de arte-educadores com habilitação em música e licenciados em educação musical?

Sugestões

Acreditamos ser necessário e urgente um encontro com todos os interessados, incluindo secretários de cultura/educação estaduais e prefeituras, para discutir o assunto de forma conjunta, democrática e responsável; elencar experiências positivas existentes nos estados ou cidades; elaborar propostas curriculares para cada escola e/ou município, bem como prever e resolver questões de contratação dos profissionais envolvidos, de qualificação profissional (cursos de capacitação, aperfeiçoamento ou atualização dos professores em exercício) e de infraestrutura (espaço adequado, instrumentos, aparelhos de som/vídeo, materiais pedagógicos para cada série, softwares educativos musicais etc.).

A escola deve se preparar, de verdade, e achar soluções plausíveis para que a música integre a disciplina Arte, esteja dentro do ambiente escolar e faça parte da vida do educando e, assim, como as demais artes, possa contribuir para a formação integral do cidadão.

*Lilia Rosa é educadora musical e pesquisadora com Doutorado em Música. Este artigo foi originalmente escrito para o Informativo Banda da Banda, de Amparo-SP. www.liliarosa.com