Gerson Tajes: um candidato da música

Gerson Tajes: um candidato da música

por 10/11/2020

Presidente licenciado do Conselho Federal da Ordem dos Músicos do Brasil, Gerson Tajes, lança candidatura para vereador na cidade de São Paulo

Gerson Tajes, ou Alemão, como é chamado, tem um perfil singular. De origem humilde, o menino loiro que cresceu na Cohab 2 na Freguesia do Ó, e estudou até o primeiro grau, se tornou o cérebro do Conselho Federal da OMB – Ordem dos Músicos do Brasil, uma instituição desgastada por anos de má gestão e desserviço a classe musical no País.

gerson tajesA tarefa árdua foi sendo recompensada pouco a pouco. Músicos de gabarito como Carlinhos Brown, Maestro João Carlos Martins e Frejat passaram a defender a atuação da Ordem dos Músicos. Obviamente o desafio continua sendo imenso “Foram décadas de má gestão na OMB”, explica Gerson Alemão. As críticas também vieram sobre sua candidatura, ele rebate “Temos sim que por pessoas nossas, da música, dentro dos poderes. A bem da verdade, quanto mais pessoas da área cultural se candidatarem, melhor. Não há pecado nisto”.

Nesta entrevista para a Música & Mercado, Gerson explica um pouco do seu pensamento. Confiram.

Gerson, qual seu histórico para  defesa da classe musical na Câmara dos Vereadores em São Paulo?

Fui presidente do Sindicato dos Músicos do Estado de São Paulo e atualmente sou presidente licenciado da Ordem dos Músicos do Brasil. Além disto, minha formação musical iniciou no trompete, em seguida fui abençoado pelo samba, o que me encanta.

Como você vê a defesa da música na política?

Há muita falação, muita gente que se coloca aos lados do músico fazendo protestos, mas isto é populismo. O fato é que para mudar algo na música pela política, devemos fazer política e isto é ser resiliente. São muitas reuniões, portas na cara, se a pessoa não for resistente ou se acreditar em todo mundo que tira foto para sair nas redes sociais, está perdido.

Houveram críticas sobre a Ordem dos Músicos do Brasil e os recursos que você usava para ir a Brasilia…

Olha, pegamos a OMB com anos de caixa preta. Abrimos a entidade, trabalhamos tendo somente os custos elementares reembolsados, o que era o mínimo. Uma vez, numa live que questionaram quem pagava as passagens de avião, em nossas viagens à Brasilia, como se isto fosse um luxo. Tenho ideal, trabalho com força e ninguém me para. Críticas? Qualquer pessoa que trabalhe sempre terá. É fácil querer receber um salário para assumir a presidência de uma instituição como a Ordem dos Músicos, difícil é enfrentar a barra e trabalhar com um ideal no peito.

Você entrou na Ordem dos Músicos no Brasil para virar vereador? Já era intenção?

Óbvio que não, as coisas vão tomando um caminho com o passar do tempo e também não é nenhum problema isto (se candidatar). Pelo contrário, quanto mais representantes da música nós tivermos na Camara dos Vereadores, melhor. É um pensamento pequeno minimizar a importância dos candidatos da música e espero que não somente eu, mas que outros candidatos que representem este setor sejam eleitos. Temos trabalhar pela música dentro do legislativo das cidades.

Quais foram os principais feitos em sua gestão na Ordem dos Músicos no Brasil na sua visão?

Creio que foram muitos. O primeiro foi ter a coragem de assumir uma entidade que tinha uma imagem ultrapassada, com ações e caixa bloqueado pela justiça e trabalhar arduamente para mudá-la. Não à toa, temos apoio de centenas de músicos reconhecidos e que não emprestariam sua imagem para instituição que não fosse comprometida com a verdade e bom trabalho. No campo prático, tivemos dezenas de reuniões com lideranças do legislativo e Governo para profissionalizar o setor. Quer um exemplo?

Sim, gostaríamos.

Te digo alguns. Fomos nós que corremos atrás para providenciar a nota contratual para os trabalhadores da música poderem se aposentar com dignidade. Para uma ação desta, foram muitas horas de trabalho e viagens à Brasilia. Na Secretaria Especial da Cultura, estivemos com todos os Secretários, intercedendo para a melhor gestão da categoria. Participamos da Comissão de Regulamentação da Lei Aldir Blanc entre tantas outras coisas.

O que você pretende fazer se eleito para vereador na cidade de São Paulo.

A agenda é vasta e se usar o espaço aqui, virará propaganda eleitoral (risos). A educação musical é uma das principais bandeiras, da periferia ao centro. A implantação das aulas de música obrigatória, apoio às ONGs que atuam nesta tarefa. Maior verba do Município e a fiscalização para seu uso correto para a Cultura. Os trabalhadores da cultura tem na mão a maior cidade do País e uma das maiores do mundo. A cultura aqui não é tratada com o respeito que merece e a periferia é abandonada culturalmente. Na minha gestão, música e outras formas de cultura são prioridades.