ESPECIAL: Reflexos do tsunami

ESPECIAL: Reflexos do tsunami

por 13/05/2011

Empresas japonesas do setor falam sobre a tragédia que assolou o país e sobre os impactos sofridos em sua produção

 

O dia 11 de março de 2011 ficará marcado na história do Japão por muito tempo. Nessa data, o país foi atingido por um terremoto de 9 pontos na escala Richter, que desencadeou um tsunami, responsável por varrer a costa nordeste do país.

Dada a sua magnitude, a tragédia ganhou vasto espaço na mídia. O número de mortos ultrapassou a marca de 12 mil pessoas e, como se não bastasse, a usina nuclear de Fukushima foi atingida pelo terremoto e teve um de seus reatores destruído, deixando toda uma nação em estado de alerta por tempo indeterminado.

No entanto, mostrando sua força e determinação, apenas duas semanas depois o país já começou a se reconstruir. Considerando que algumas das grandes marcas do nosso setor são provenientes do Japão, entramos em contato com a Casio, Roland, Yamaha e Suzuki para saber como os últimos acontecimentos afetaram as empresas. Por não ter tido sua fábrica japonesa atingida pelos tremores, a Yamaha optou por não se pronunciar a respeito do assunto. A região onde se localiza a fábrica da Suzuki também não foi atingida. “Não teremos nenhum problema com o fornecimento de produtos”, informou o gerente comercial da sede, Waichiro  Tachikawa.

Repercussão comercial

Infelizmente, a Casio não teve a mesma sorte de suas conterrâneas. Segundo Nobuhiko Shimada, presidente e CEO da Casio Brasil, apesar de a fábrica ter sofrido apenas pequenos danos, possivelmente poderão ocorrer problemas com os fornecedores das peças: “Portanto, a produção e entrega de abril em diante sofrerá atrasos”, alerta Shimada. E acrescenta: “Estamos verificando se podemos retomar a produção. A segurança dos trabalhadores é nossa prioridade”.

Já a Roland não enfrentou problemas diretos por conta da tragédia, pois suas unidades de produção ficam em lugares distantes do centro do terremoto. Aliás, foi feito um levantamento pela empresa para confirmar o bem-estar de seus funcionários. O mesmo ocorreu com a equipe da Casio que, embora não tenha sido afetada diretamente, está oferecendo orientação e apoio a funcionários que tiveram parentes atingidos.

Entre as ações da Casio em prol das vítimas do desastre está a doação de 50 milhões de ienes (cerca de 625 mil dólares americanos) para apoiar os refugiados, além de relógios da marca. A Roland, por outro lado, acredita na solidariedade das empresas japonesas e na orientação individual: “Empresas japonesas em geral são muito solidárias com seus funcionários, principalmente em situações de emergência. Nesses casos a orientação geral é dar apoio e ajudar, mas são tratados caso a caso”, disse Takao Shirahata, CEO e presidente da empresa no Brasil.

Além do Japão, a Roland possui fábricas em Taiwan, EUA, Itália e China, por isso não teve sua produção comprometida pelo terremoto. “Hoje a produção e distribuição da Roland é descentralizada, o que minimiza o risco de desabastecimento em situações emergenciais como essa”, explicou o executivo.

Lojistas não enfrentarão problemas

Para os lojistas, o presidente da Roland Corporation Japan, sr. Kaz Tanaka, avisa que a empresa se empenhará para que não haja desabastecimento no mercado. Takao complementou informando que, no momento, o maior temor e a atenção se voltam para os riscos de contaminação pela radiação nuclear, mas declara-se admirado com o povo japonês: “A cada dia descobre-se mais sobre as reais dimensões dessa catástrofe. Em meio a tanta tragédia, ressalta-se o espírito ordeiro e solidário do povo japonês. Nada de saques, assaltos ou pessoas querendo se aproveitar da desgraça alheia”.

Por ter sido atingida pelo terremoto, a Casio recebeu diversas mensagens de apoio de todo o mundo e, em resposta, informou que fará todo o possível para diminuir qualquer desabastecimento dos lojistas. “Daremos o nosso melhor para recuperar a produção o quanto antes para minimizar problemas com nossos clientes”, enfatizou o CEO da empresa no Brasil. E ampliou com uma mensagem de solidariedade para a comunidade japonesa: “É o momento de todos os japoneses cooperarem mutuamente para superar o pior desastre depois da Segunda Guerra Mundial. A Casio irá tomar todas as medidas necessárias para apoiar a recuperação. Precisamos manter laços apertados entre os japoneses e tentar nosso melhor para nos recuperarmos da tragédia”, finalizou.

 

Panorama da tragédia

O terremoto de magnitude 9 na escala de Richter que atingiu o largo da costa nordeste do Japão, em 11 de março, foi, segundo a Agência de Meteorologia local, o maior ocorrido no país e o quarto maior no mundo, desde que registros começaram a ser mantidos. O sismo foi seguido por várias réplicas, algumas com magnitude superior a 7 pontos na escala Richter, segundo o Instituto de Geofísica norte-americano (USGS).

O número de mortos ultrapassou a marca de 12 mil pessoas e a quantidade de desaparecidos passa dos 15 mil, segundo a polícia japonesa. Na central nuclear de Fukushima, seriamente atingida pelo terremoto e pelo tsunami subsequente, continua a extração de água contaminada com radiatividade para o oceano Pacífico. A radioatividade do líquido vertido para o mar é 500 vezes superior ao limite permitido e boa parte dele se acumulou em um edifício de armazenamento de dejetos nucleares, por conta do tsunami.

O levantamento atualizado das consequências do desastre natural aponta que cerca de 170 mil pessoas foram alocadas em 2.200 refúgios, a maioria proveniente de localidades litorâneas de Iwate, Miyagi e Fukushima, as três províncias mais danificadas pela tragédia.

 

 Por Juliana Cruz

 

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