Decidindo conflitos

Decidindo conflitos

por 14/06/2006

Manda quem pode, obedece quem tem juízo


Vejam a seguinte situação. Ela é verídica. O Presidente de uma organização de grande porte ligou para seu Diretor e foi direto: “Sabe a Raquel? Vá lá agora e mande-a embora!”. O Diretor respondeu surpreso: “Por que presidente?”. Eu não gosto dela!, disse o Presidente. Mande-a embora agora!. O Diretor contrariou as ordens do Presidente. Afinal, não achou correto demitir uma pessoa por uma razão tão banal. Algum tempo depois, foi o Diretor quem foi demitido…


Pergunte-me então. Quem estava certo nesta situação? Eu diria que ambos estavam corretos em suas posições. O Presidente, líder máximo na organização, tinha autoridade para impor sua vontade. O Diretor, por sua vez, não encontrou justificativa plausível para demitir um membro de sua equipe, que aliás, considerava a melhor profissional entre todos.


Eis aqui um exemplo de conflito resolvido pelo chavão: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Passados alguns anos, este mesmo Diretor se fez a seguinte pergunta: “Valeu a pena o que fiz?”


Conflito em alto mar

Nos anos 70, um navio petroleiro brasileiro deparou-se com um barco à deriva em alto mar. Era um daqueles barcos cheios de refugiados da guerra do Vietnam. O Comandante do navio, comovido pela situação desesperadora das pessoas, decidiu resgatar todos que estavam na embarcação.


Os sobreviventes estavam famintos. Há quatro dias sem comer e já não tinham mais água para beber. Porém, todos foram salvos graças à atitude humanitária do Comandante do navio, pois no dia seguinte, um ciclone varreu a região. Na volta para casa, este mesmo Comandante foi demitido. Na verdade, ele havia descumprido ordens da empresa. Era proibido ajudar refugiados em alto mar…


Quem estava certo nesta situação? Ambos estavam corretos em suas posições. A empresa seguia ordens do governo e o Comandante não podia fechar os olhos para tanto sofrimento em alto mar.


Conflitos como estes não são incomuns no ambiente de trabalho. Somos todos chamados a tomar decisões que muitas vezes, instigam nossos valores. As decisões tomadas nesses dois casos têm um ponto em comum: Conflito de valores. Ou seja, os valores pessoais falaram mais alto que os valores corporativos.


Quanto mais competentes as pessoas, mais conflitos


Seja no escritório ou em casa nos deparamos, constantemente, com situações de conflito. Ao contrário do que muitos pensam, equipes formadas com profissionais de alto nível são terrenos férteis para conflitos.


A mediocridade das pessoas em uma organização gera um sentimento de “paz” mentiroso. Neste caso, a falta de conflito não se dá pelo bom ambiente de trabalho, mas pela acomodação da vala dos comuns. Seja qual for o caso, nada substitui um ambiente onde o diálogo aberto e franco prevalece.


Porém, vai aí um alerta! Seja no escritório, ou em alto mar, nunca abra mão de seus valores pessoais! Não existe pior conflito que aquele que acontece dentro de você.


Quanto ao Comandante do navio? Está muito bem. Recentemente foi homenageado pelos sobreviventes que hoje moram todos no Brasil, com filhos e netos brasileiros.


E o Diretor? É este quem vos fala…


Até a próxima!


Material retirado do Programa Planejamento, Organização do Trabalho, do Tempo e da Energia