Considerações sobre a volta da educação musical nas escolas

Considerações sobre a volta da educação musical nas escolas

por 26/09/2011

Neste artigo, Felipe Radicetti, um dos principais responsáveis para a criação da Lei de Musicalização nas Escolas, fala sobre as ações que ainda estão sendo feitas com a implementação da lei

 Para os coordenadores da campanha ”Quero Educação Musical na Escola”, levada a cabo durante os 18 meses anteriores a agosto de 2008, culminando com a sanção Presidencial da Lei 11.769/2008 – que leva a educação musical como obrigatoriedade nas escolas do País – , é sempre um prazer encontrar notícias de todos os que se sentem engajados na implementação dessa Lei.

É motivo de alegria, ver os desdobramentos de uma mobilização que resultou na significativa cobertura jornalística em todo o Brasil, da qual conseguimos compilar 177 matérias publicadas, ao apoio de 94 entidades do setor da música e educação nacionais e internacionais, incluindo a prestigiosa International Society of Music Education (ISME), a Federação Latinoamericana de Educação Musical (FLADEM), assim como a participação direta de 11.221 signatários individuais. 

O resultado dessa mobilização foi um processo muito bem-sucedido de ação conjunta dos setores musical e educacional da sociedade civil organizada com o poder público, notadamente a Comissão de Educação, Cultura e Esportes do Senado Federal. A transparência de todo o processo foi exemplar. Há farta documentação jornalística, política, institucional e acadêmica. 

Ainda assim, o entendimento dos artistas de visibilidade nacional participantes (que formam o Grupo de Articulação Parlamentar Pró-Música – GAP), como da coordenação da campanha ”Quero Educação Musical na Escola”, é de que se trata de uma ação de toda a sociedade civil, do Poder Legislativo e da imprensa, com amplo apoio popular, implicando numa lei com efeitos duradores para o futuro da educação, e consequentemente, para a indústria e comércio em um segundo momento, de tal forma que a recorrente publicidade daqueles que nunca estiveram presentes ou participaram da luta de 18 meses em Brasília querendo apropriar-se de maneira exclusiva de uma ”autoria” do projeto da volta da educação musical na escola restringe-se a fato risível.

Mas, finalmente, e falando sério, a educação precisa e merece, da parte da sociedade brasileira, de atos compatíveis com a responsabilidade e credibilidade necessárias a esse momento histórico para a educação no país. 

Aproveito a oportunidade para comunicar que no dia 22 de setembro de 2011, uma comissão formada pela cantora Daniela Mercury, a compositora Cristina Saraiva (Coordenadora do GAP) e a Profa. Dra. Magali Kleber (Presidente da Associação Brasileira de Educação Musical – ABEM) estiveram em audiência com o Ministro de Estado da Educação, Fernando Haddad, com o objetivo de cobrar do MEC uma implementação consequente da educação musical nas escolas. Os presentes receberam a promessa do ministro de que a regulamentação sai até a primeira semana de outubro.  

Além de compartilhar mais essa notícia positiva e os parabéns com todos vocês, caros leitores, quero me congratular com a Revista Música & Mercado, que apoiou a iniciativa e esteve participante e parceira a nosso lado, desde a primeira hora. 

 

 

Obrigado a todos,

Bruxelas, 22 de setembro de 2011

 

 

Felipe Radicetti é compositor; vice-presidente da MusimagemBrasil; coordenador do Grupo de Articulação Parlamentar Pró-Música – GAP; e coordenador da campanha ”Quero Educação Musical na Escola”.

*Foto de Antonio Costa, da Gazeta do Povo, na escola Atuação – PR.