China em 1º no quesito competitividade entre os emergentes

China em 1º no quesito competitividade entre os emergentes

por 09/04/2012

Estudo mostra que nos mercados emergentes China ainda domina no quesito competitividade; o Brasil está em último. Surpresa nos países desenvolvidos com Reino na frente

 Entre os mercados desenvolvidos, Reino Unido e Holanda foram classificados como líderes de baixo custo, onde é recomendável fazer negócios, de acordo com levantamento da PMG International.

A mais recente pesquisa Competitive Alternatives (Alternativas Competitivas) testemunhou o movimento que alçou o Reino Unido do quarto lugar entre os países desenvolvidos em 2010 para a primeira posição do ranking neste ano, auxiliado por uma combinação de menores custos com mão de obra no período pós-recessão, instalações industriais e serviços públicos e por cortes de impostos para pessoas jurídicas e um menor valor cambial da libra esterlina devido à crise da dívida europeia.

Apesar de um aumento significativo no interesse de muitas empresas em atender o grande e crescente mercado doméstico brasileiro, os custos no Brasil são maiores que os observados em todos os outros quatro países de alto crescimento pesquisados, e se aproximam dos níveis de custos de alguns dos países desenvolvidos, de acordo com o estudo. Por exemplo, a vantagem competitiva dos custos no Brasil chega a apenas 7% em relação à economia norte-americana, percentual muito próximo ao do Reino Unido (5,5%). A China, que lidera a lista, tem custos 25,8% menores que os dos americanos, seguida pela Índia (-25,3%), México (-21%) e Rússia (-19,7%).

Roberto Haddad, sócio da área de Tributos Internacionais da KPMG no Brasil, explica essa configuração: “Os níveis salariais brasileiros, incluindo o salário mínimo, estão significativamente acima daqueles dos outros países de alto crescimento estudados, e a alta carga tributária também impacta o desempenho total de custos do Brasil”, afirma.

A pesquisa Competitive Alternatives estuda 26 elementos relevantes de custos empresariais, incluindo mão-de-obra, impostos, imóveis, e serviços públicos em mais 110 cidades de 14 países ao redor do mundo. Além disso, o levantamento confere dados não relacionados a custos que influenciam a capacidade competitiva dos países pesquisados, tais como questões demográficas, educação, condições de trabalho, aplicação de inovação e infraestrutura. No Brasil, foram apuradas informações nas cidades de São  Paulo e Belo Horizonte.

 A edição de 2012 é a primeira do estudo Competitive Alternatives da KPMG a examinar países de alto crescimento e a comparar a competitividade de custo no Brasil, Rússia, Índia, China e México.  Com esse objetivo, o estudo constatou, portanto, que a China e a Índia são os líderes entre todos os países estudados, com custos empresariais gerais, respectivamente, 25,8% e 25,3% abaixo da base de referência americana, como já citado. Os baixos custos de mão de obra alicerçam a vantagem competitiva para China e Índia, com a primeira oferecendo os menores custos no setor de manufatura e, a segunda, nos segmentos de serviços. 

Enquanto os custos com mão de obra variam muito entre os países em desenvolvimento e os desenvolvidos, muitos outros custos empresariais nos países de alto crescimento são semelhantes aos dos países desenvolvidos, ou maiores que estes, em alguns casos.

Por exemplo: o Canadá e os Estados Unidos oferecem custos de arrendamento de instalações industriais menores que aqueles oferecidos na China, México, Rússia, ou Brasil, enquanto que a Índia, Holanda, México e Alemanha são os países com os menores custos para arrendamento de escritórios. A alta carga tributária, especialmente em relação a impostos indiretos, também anula a economia obtida com baixo custo de mão de obra em alguns dos países de alto crescimento.

Mark A. Goodburn, diretor da KPMG, afirma que “muitas empresas estão procurando os mercados de alto crescimento para dar suporte e constituir uma efetiva rede global de suprimentos. As vantagens desses mercados não são apenas determinadas pelos custos, mas também pela geração de valor. Com a explosão das tecnologias, a capacidade produtiva e a especialização em planejamento, esses mercados conquistaram seu lugar entre os líderes em negócios globais. Apesar disso, complexidades nos mercados locais desses países podem ser intrincadas, desde a oferta de mão de obra, até a tributação, tornando vital a preparação de uma estratégia de negócios muito bem elaborada para se obter sucesso ali”.

Segundo outro diretor da empresa responsável pelas conclusões expostas, o executivo Greg Wiebe,  “as empresas ao redor do mundo estão lidando com um volume imenso de mudanças que são acompanhadas por muitos desafios. Isso é especialmente verdadeiro para aquelas que trabalham em múltiplas fronteiras. A questão principal é como gerenciar os riscos enquanto se agrega valor ao resultado final. Consequentemente, o entendimento de todos os elementos envolvidos para se operar em um país, em vez de outro, é de suma importância”.

Para ler o estudo completo (em inglês), acesse: www.competitivealternatives.com