1º Tech Art Festival – Manifesto Realizado

1º Tech Art Festival – Manifesto Realizado
março 26 14:12 2019

Uma cobertura do lançamento do projeto Fábrica do Futuro dia 23 de março  no bairro Floresta, em Porto Alegre, não poderia ser uma simples matéria jornalística.

Não se trata de um evento sem continuidade, nem de um acontecimento isolado. Então resolvi contar a história a partir do Manifesto publicado que precedeu a sua inauguração, e não colocar tudo como um acontecimento do passado. Afinal, estamos tratando do futuro…

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Os prédios que abrigam a Fábrica do Futuro hospedaram uma indústria familiar de enfeites de Natal desde os anos 1940, Wanda Hauck. A mítica natalina cativa o ideal de uma humanidade fraterna, emanando valores que se traduzem no sonho de uma vida feliz e sustentável. Este elemento básico de fabricar sonhos, de erguer a sua missão sobre uma fundação espiritual de fortes valores humanos está profundamente inserida no DNA da Fábrica do Futuro.

Por fora os edifícios aparentam uma outra realidade, mas ao entrar me deparei com um prédio ainda inacabado, que abrigará elevadores de acessibilidade e rampas para o acesso à outra edificação, também com 3 pavimentos, e que já conhecia ao visitar o estúdio Audio Porto, um dos melhores do país, senão o melhor, em outro evento com Geoff Emerick, ex-engenheiro de som de uma banda inglesa chamada The Beatles…

No térreo os visitantes se depararam com um pequeno palco, onde seria apresentado às 18 horas um show com o tecladista Luciano Leães, um excelente bluesman que conheci com a banda de outro ícone do blues gaúcho, Fernando Noronha. No setup do palquinho, grandes marcas de amps Hartke e Orange, teclado Nord Stage 2 e uma mesa Midas, cercados por já ansiosos espectadores no meio da tarde.

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O marco inicial do projeto do ecossistema foi um estúdio de música e vídeo de nível mundial. Desta forma, a arte se tornou o elemento essencial da temática de todo o complexo, e ela é um poderoso fio condutor dos valores citados, podendo falar com todas as pessoas em um nível profundo e subjetivo. Há alguns anos o estúdio vinha sendo construído sob a batuta do Rafael Hauck. Presente, dentre os outros da equipe, Francisco Hauck.

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O potencial econômico de uma grande centro de produção de conteúdo é algo imensurável, mas o grande benefício deste viés é justamente traçar esta linha humana e sensível entre todas as atividades do complexo, de fintechs a projetos de inteligência artificial. Falamos em humanizar as exatas, e dar aplicações pragmáticas para as humanas, cruzando conceitos. Nos stands, impressoras 3D, instalações de realidade virtual e pessoas abertas ao futuro.

Um terceiro elemento da formação da base filosófica do ecossistema de arte e tecnologia tem a ver com biologia. O planeta funciona de forma equilibrada, lidando com evolução constante e trazendo sucesso através de modelos de sinergia e cooperação há milhões de anos. Desta forma, é preciso além de olhar para frente, para o futuro tecnológico, estudar nossa origens e os sistemas naturais que nos precederam e que podem ter muitas respostas para nossos desafios atuais.

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Desafios como uma apresentação musical de Ian Ramil, acompanhado do crítico e agitador cultural Roger Lerina, que se transformou em um show conversado, num dos auditórios das instalações do segundo pavimento. Crítica e criação em tempo real. Uma providencial parceria com a Heineken refrescava o verão portoalegrense, acompanhada por guloseimas e lanches da Food Hall Experience e da Cachaçaria Água de Arcanjo.

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O ecossistema da Fábrica do Futuro, neste aspecto, pretende funcionar como um superorganismo, uma rede viva de indivíduos trabalhando coletivamente para produzir respostas cada vez mais velozes e precisas. Na prática, um sistema de instalações para coworking está em evolução, com opções para workplaces de diversos tamanhos e configurações, para abrigar a semeadura e colheita de cultura tecnológica, humana e renovadora.

Fábrica do Futuro – Aplicação Econômica

Uma base filosófica forte é um bom fundamento para modelos de negócios. Os valores humanos fundamentais são percebidos de forma parecida ao longo das eras e transcendem mudanças cíclicas da economia. Quando a missão da empresa se confunde com os interesses do seu entorno social, quando ela impacta positivamente seus parceiros, funcionários, proprietários e seus públicos, existe uma relação equilibrada e sustentável onde é criada uma “conspiração” pela perpetuidade do seu funcionamento.

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Não por coincidência, o Tech Art Festival teve início às 10:30 hs do sábado, com um Free Bike Tour pelo bairro Floresta, Distrito C. O verde da Floresta abriga casas de outras épocas e construções modernas, e o local da antiga fábrica de enfeites natalinos não poderia ser melhor para um projeto que inspira ares das novas tecnologias conduzidas por seres humanos arejados, e expira artes assistidas por mentes abertas a inovações.

Quando uma empresa produz algo verdadeiramente valioso, o valor econômico vai sempre estar presente. Uma vez que a tecnologia torna cada vez mais o local físico de trabalho um elemento secundário da produção individual, os ambientes precisam agregar valor positivo ao processo criativo para se justificarem. Neste sentido, o ecossistema da Fábrica do Futuro busca ser o ambiente mais interessante para atrair e manter talentos.

O início das atividades pelo estúdio Audio Porto coloca em prática sua ideologia, trazendo artistas de todos os naipes musicais, desde a OSPA – Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, até bandas de irreverente rock’n’roll como a Comunidade Nin-Jitsu. Pianos Steinway de calda inteira convivem com equipamentos vintage como microfones Telefunken U47, sem deixar faltar a tecnologia de ponta das DAWs e apps periféricos.

A concentração de talentos é a chave não apenas para atender mercados existentes como também para criar novos mercados, produtos e serviços. A  forte internacionalização do projeto, com um time de mentores estrangeiros de peso, ferramentas de excelência e difusão de conhecimento de ponta são ingredientes para promover a conexão das atividades locais com um mercado verdadeiramente mundial.

A concentração de talentos é o grande ativo econômico do ecossistema. O caráter multidisciplinar e plural permite aplicações em diversas frentes de negócios, como educação. Uma vez que o local se torne referência de inovação, existe o potencial da ocorrência de grandes oportunidades para aceleradoras e investidores anjos em termos de startups presentes no ecossistema.

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Um exemplo prático disso foi a grande Masterclass de Geoff Emerick, acompanhada por um telão no lounge, enquanto na própria sala da técnica principal dezenas de participantes-alunos recebiam fortes doses de conhecimento confortavelmente instalados, contando com apoio de um sistema de vídeo que não deixava saudades das clássicas janelas de vidro dos estúdios tradicionais.

Existe ainda um ciclo positivo de recursos humanos entre as empresas presentes no espaço e os jovens que frequentam o “goworking”. De um lado a Fábrica revela novos talentos, e de outro ela aproxima os iniciantes das empresas e líderes que os inspiram. Em um mundo que produz cada vez mais informação, e que muda cada vez mais rápido, o papel de filtragem e curadoria é um serviço essencial. Nosso ecossistema pretende criar as bases para uma república dinâmica e internacional que seja um ponto de referência e um centro ágil para soluções de problemas.

A julgar pelo sucesso de seu lançamento, a Fábrica do Futuro promete não só entregar a realização prática de sua ideologia, como ser capaz de criar movimentos artísticos/tecnológicos inéditos no cenário da capital gaúcha. Décadas atrás, em brainstorm rápida com o também músico e jornalista gaúcho Arthur de Faria, suscitamos a possibilidade do nascimento dos Estados Livres do Prata, formado por RS, Uruguai e norte da Argentina.

Agora, olhando para o futuro, e nele vivendo, é possível prever, junto com a evolução da produção fonográfica rumo à distribuição de fonogramas em plataformas digitais, interações cada vez mais fortes entre áudio e vídeo, sistemas de aprendizado a distância, sinergias entre as artes e seu namoro e noivado com a tecnologia, um casamento feliz entre artistas e seus públicos, produção e consumo, em harmonia e ritmo compostos por ideias como as iniciadas na Fábrica do Futuro.

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Saulo van der Ley
Saulo van der Ley

Começou construindo caixas acústicas, estudando violão erudito, que depois recebeu cordas de aço, captador e alavanca. Montou um grupo de rock, fez um show no colégio em BH e se mudou para São Paulo/SP, onde em 75 fez trilhas para teatro e dança, com prêmio APCA. Membro fundador do Núcleo Música Nova com o mestre Conrado Silva, cursou Composição na UNICAMP, V Prêmio Sérgio Motta de Arte & Tecnologia com o grupo oTaoDoMinf, membro da AES, Troféu Clave OMB-SP, ex-redator e editor de revistas de áudio, Apple Developer e a 27 anos dirigindo a Pauta Arte & Comunicação, mesclando ensino e jornalismo musical.

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