Você está admitido!

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novembro 17 12:32 2006

Em sua reta final, o programa O Aprendiz traz à tona a questão sobre a formação cultural, acadêmica e ética dos profissionais no mercado de trabalho


Li na Carta Capital de 9 de agosto que a terceira edição do Big Brother empreendedor do Roberto Justus alcançou a marca de 1.500 candidatos por vaga. Com um índice de desemprego de 10,4%, segundo o IBGE, isso não chega a ser uma surpresa. O que realmente me causa espanto é a produção do programa O Aprendiz selecionar, entre 24 mil candidatos, apenas 16 de um nível tão baixo. Seria um retrato da nossa realidade empresarial ou todos os funcionários competentes estariam devidamente empregados com salários acima de 500 mil reais por ano?
Na mesma matéria da Carta está registrado que o número de candidatos só diminuiu porque o ‘inglês fluente’ tornou-se pré-requisito. Na seleção deste ano também se tornou importante a ‘boa formação acadêmica’. Oops… E esses 16 aprendizes foram os melhores? A começar pelo diretor de TV, que ainda não aprendeu o que é eixo*, parece que o conceito de capacitação profissional foi virado, literalmente, de cabeça para baixo (ou invertido da esquerda para a direita, de acordo com a percepção estética de quem posiciona as câmeras na mesa de reunião do programa).
E dá-lhe brainstorming, market share, break-even, approach e briefing saindo da boca de pessoas que mal sabem falar o português. Como em todo reality show, os participantes fazem qualquer coisa para passar a perna nos seus companheiros e ficar com o filé. Um dos finalistas da última etapa, a tal de Bia, além de demonstrar dificuldade em se relacionar, é uma pessoa nitidamente falsa, ardilosa, intransigente e de caráter duvidoso. Será que ela veste Prada? Apesar de escrever este texto antes da decisão final, não duvido que ela fique com o prêmio. Bia é o retrato da “vencedora” que não mede escrúpulos para atingir seus objetivos. Como escreveu Nirlando Beirão, na mesma Carta, uma autêntica discípula da Cartilha das Sanguessugas.
Numa época em que a ética está sendo discutida de forma tão veemente, não deixa de ser uma ironia prepararem uma tarefa que envolva ‘Responsabilidade Social’ para encerrar o programa. É um triste reflexo de como andam as relações entre capital e trabalho num país que ainda não perdeu sua condição de col

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