Violões Takamine: por dentro da renomada fábrica japonesa

Violões Takamine: por dentro da renomada fábrica japonesa
março 13 19:10 2009

Violões Takamine: Música & Mercado visita a fábrica da Takamine no Japão para conhecer a realidade e o futuro da empresa

Presidente Mitsuyasu Ohno, da Takamine

Presidente Mitsuyasu Ohno, da Takamine

Quando se fala em violões é impossível não citar a Takamine. Criada na cidade de Sakashita, no Japão, há mais de 40 anos, a companhia é um marco na história dos instrumentos musicais devido às inovações tecnológicas e ao design de seus produtos. O que começou como uma empresa familiar, hoje é uma das principais marcas do mundo, distribuída em mais de 60 países. Os negócios internacionais da Takamine ganharam força comercial em 1975. A produção de violões elétricos e seus modernos captadores definiu um padrão de qualidade e sofisticação para a indústria, além de a empresa ser pioneira no controle deslizante para o pré-amplificador estilo acústico.

Segundo o presidente Mitsuyasu Ohno, a Takamine iniciou os negócios com a América Latina há 20 anos e ainda é um mercado sedutor para a empresa, pois esses países utilizam instrumentos com cordas de náilon, como na música folclórica, flamenca e no samba. “Cerca de 10% de nossa produção é de  produtos com esse perfil.

Antes de a crise financeira mundial surgir, o mercado brasileiro estava em expansão para a Takamine. O primeiro passo da corporação para este ano será expandir as vendas. A demanda desses países é muito importante e atrativa”, revela.

Quando se fala em crescimento, a empresa não cruza os braços. Constantemente investe em novas ações para adequar-se ao mercado em que atua. Uma das novidades é o desenvolvimento do novo pré-amplificador para violões com corda de náilon e o moderno design dos instrumentos, usando máquinas de alta tecnologia e artesanato. Para driblar a crise e atrair diferentes tipos de consumidores, a indústria japonesa trabalhará com vários modelos e preços.

Mas como se adequar aos custos de produção e às diferentes taxas de câmbio com o atual cenário econômico? Mitsuyasu Ohno responde: “Estamos exportando os produtos feitos no Japão em iene, pois o custo lá é muito caro e a taxa de câmbio muito alta. Reconhecemos que nossos clientes serão durões para comprá-los agora nesse país. Sendo assim, estamos preparando modelos de linha, incluindo os produtos feitos na China e na Coreia, negociados em dólar”, explica.

Isso significa que a Takamine colocará à disposição modelos de artigos adequados para seus pontos de mercado — dos iniciantes aos mais sofisticados. Dessa maneira, poderão importar materiais com

Robos fazem o polimento dos violões

Robos fazem grande parte dos trabalhos de precisão nos violões da Takamine

melhores preços quando o iene estiver forte.  Para os produtos inteiramente japoneses, o foco será o valor agregado: alta qualidade e tecnologia.

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Organização operacional da Takamine

A fábrica da Takamine e o escritório estão em Gifu, no Japão, e também existem companhias-irmãs na Coreia e na China. A empresa negocia seus produtos diretamente com os distribuidores de cada país onde atua. Quem cuida da venda e distribuição para os países latinos é a Kaman International, com excessão do Brasil.

A indústria no Japão opera sob o controle de sua matriz no mesmo país. Já a fábrica na Coreia está sob controle da KPBO-Korea/KMC-States/Takamine-Japan. “Exportamos nossos produtos para o mundo inteiro por meio de remessas em navios. O envio do Japão é feito pela F.O.B. Nagoya; a emissão da China é feita pela F.O.B. Xamen China em dólar; já o envio de navio da Coreia é pela F.O.B. Busan Korea, com custos também em dólar”, conta Ohno.

O presidente revela ainda que os mercados japoneses são os mais vantajosos para sua produção, sendo os EUA e a Europa os mercados internacionais mais importantes.

Para garantir um posicionamento positivo das vendas, a Takamine tem a estratégia de trabalhar em forma de triângulo: do topo (marcas high-end) ao mais baixo (menos expressivas). “Os produtos chineses estão na base do triângulo, a Coreia está posicionada no centro e o topo é representado pelo Japão. O posicionamento é por conta do preço.”

Em nossa visita à China, tivemos a oportunidade de visitar a Yaco, empresa que produz (em 2009, quando estivemos lá) os violões da Takamine no país. Para nossa surpresa, a Yaco mantinha uma réplica da fábrica japonesa da Takamine.

violões Takamine ,no Japão

Marcação a laser: fábrica dos violões Takamine ,no Japão.

Momento de crise no mercado de violões

O impacto da crise financeira mundial também deixou resquícios na empresa japonesa. Hoje, 80% das exportações são do Japão e o iene está ficando mais forte — cerca de 40%. Como as vendas estão caindo, a Takamine lança descontos e produtos mais baratos para não perder posição no segmento e sobreviver à crise mundial. “Outro problema é que, desde 2006, as vendas nos EUA vêm caindo drasticamente e nossa produção teve de diminuir.

Isso teve reflexos até outubro do ano passado. Porém, construímos uma nova instalação em setembro de 2005 e temos capacidade de nos tornar mais lucrativos”, diz Mitsuyasu Ohno. Além disso, a indústria também tem de estar atenta às matérias-primas dos violões. Como são feitos de madeira, antes de exportar seus produtos, sempre consideram as mudanças no meio ambiente.

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O mercado brasileiro e os violões Takamine

Alexandre Seabra

Alexandre Seabra, presidente da Sonotec, distribuidora Takamine no Brasil

A Sonotec assumiu a distribuição dos produtos Takamine em 1991, quando houve a abertura dos portos para importações por parte do governo Collor. Desde então, a marca pode chegar às lojas brasileiras com mais facilidade. Hoje, seus violões ocupam a posição no ranking como um dos melhores no País. A Música & Mercado entrevistou Alexandre Seabra, presidente da empresa.

>> Como ficaram os negócios entre a Sonotec e a Takamine após a crise financeira mundial?
Acreditamos que a crise se apresenta em uma proporção de mídia muito maior que a realidade. Atualmente, estamos trabalhando com um ritmo um pouco abaixo que o pretendido, mas não podemos dizer que nosso mercado parou e que não conseguimos mais vender nossos produtos. Adotamos uma política de trabalho mais criteriosa, conforme exige o momento atual. Buscamos condições para melhorar o relacionamento com nossos parceiros.

>> Com a distribuição da Takamine pela Sonotec, o que mudou na administração da empresa?       
Para nós, houve a necessidade do desenvolvimento de novas políticas de marketing e do comercial para atuar no segmento de distribuição em todo o Brasil e conquistar nosso espaço no mercado.

>> Do ponto de vista comercial, qual é a vantagem da Takamine em relação à concorrência?
Comercialmente, temos um produto de excelente qualidade, com uma variedade que permite ao consumidor escolher aquele que melhor atenda à sua necessidade. Além do suporte que ele recebe da Sonotec, que está no mercado como importadora há mais de 18 anos. Praticamos uma política de trabalho séria e de respeito ao cliente. Essa postura tranquiliza os nossos parceiros, pois sabem que não sofrerão com mudanças bruscas de atitudes.

>> Nos negócios da Sonotec, quanto a Takamine representa de faturamento?
É um produto que traz um valor agregado forte. No faturamento da empresa tem uma posição de destaque, sendo hoje a marca com maior peso, representando de 25% a 30% do faturamento.

>> Você poderia explicar a política de preços da empresa?  
Mantemos uma política justa de negociação. Essa postura faz os lojistas definirem livremente suas margens conforme a necessidade de cada região. A Sonotec não interfere nessa política.

>> Fale sobre os lojistas pequenos. Como trabalhar com eles, já que suas margens são menores no momento da compra? O que pode ser feito para a parceria ser um bom negócio para ambos os lados?
De acordo com a nossa política de trabalho, tratamos os lojistas de forma equivalente, dentro de suas condições de negociação, possibilitando a todos participarem desse mercado.

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>> Comente sobre o sistema de distribuição da empresa?
Temos uma particularidade que nos diferencia da maioria dos outros distribuidores. Estamos estabelecidos fora do eixo Rio-SP e ainda distantes de qualquer outro grande centro comercial. Isso nos obrigou a desenvolver um trabalho de logística diferenciado, encarando esse eixo como uma região que está fora da nossa rotina diária. Isso faz com que tenhamos facilidade de trabalhar fora dessas regiões.

>> Que produto lidera as vendas da marca no Brasil?
É difícil definir o produto líder de venda, pois graças ao trabalho desenvolvido, temos a aceitação plena de toda a linha.

 >> Fale sobre os desafios da Sonotec para 2009.
Conquistar um mercado é muito difícil e trabalhoso, mas mantê-lo por um longo período tem exigido uma dedicação especial. Temos desenvolvido para 2009 um planejamento de trabalho, mantendo o interesse do consumidor final pelos nossos produtos. Mesmo vivendo um momento de crise no mercado, buscaremos novas opções de produtos para a ampliação de nossa linha.

>> Quais é a sua análise sobre o mercado brasileiro de violão?
Pelas nossas conquistas, acreditamos que no passado esse mercado encontrava-se adormecido. Ao longo do tempo, ele despertou pela qualidade e diversidade dos produtos oferecidos pelos distribuidores. Embora haja atualmente uma forte concorrência, não acredito que ele esteja saturado. Porém, cabe a nós identificar qual é a melhor forma para ocupar seu espaço.

 

  Download Catálogo Takamine

 


Música & Mercado visita a fábrica da Takamine no Japão

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Raio X da Takamine

Empregados: 100, incluindo escritório e equipe de R&D.
Futuro projeto: mercado de caixas de som (áudio speakers)
Histórico: em 1986, introduziu a primeira série natural com a colaboração da Camac; em 1987, apresentou o modelo Limited Edition (EF25); em 1988, lançou o Takamine Parametriv EQ (TP Pre-amp), que mais tarde foi redesenhado como o pré-amplificador AAP; em 1989, desenvolveu o sistema de bateria externa; em 1994, aplicou a tecnologia a laser; o sistema Sound Choice Pré-Amps pode ser trocado em menos de dois minutos
Sedes: a fábrica da Takamine e o escritório estão em Gifu, no Japão, e também existem companhias-irmãs na Coreia e na China.

Contatos:  Takamine Brasil | Takamine Japão

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