Vintage que agrada

Vintage que agrada
maio 12 12:53 2009

Vintage que agrada
Mesmo não ostentando a popularidade de antes, os órgãos Hammond continuam conquistando legiões de fãs ao redor do mundo. Inclusive no Brasil

Até o final dos anos 70, não havia órgão mais popular que o Hammond. Seu som característico e único arrebatou músicos de diversos estilos, criando-se um verdadeiro fã-clube do instrumento. Entretanto, com a chegada dos anos 80 e seus sintetizadores, a marca foi perdendo espaço no mercado. Hoje, aos cuidados da japonesa Suzuki, os órgãos Hammond estão crescendo novamente e a intenção é conquistar cada vez mais os jovens. Sobre esse e outros assuntos, conversamos com Wagner Ribeiro, sócio-gerente da marca no Brasil.

>> Qual é o perfil do músico que utiliza os teclados Hammond hoje?
Atualmente o músico que utiliza a marca Hammond já conhece a marca, suas características e prima pela qualidade e excelência do produto. É um público ainda seleto, formado em sua maioria por apreciadores do instrumento/marca e músicos profissionais.

>> Os órgãos Hammond tiveram um ‘boom’ nos anos 60 e 70 no segmento rock, estendendo-se a outros estilos. Hoje, porém, o número de grupos que utiliza os instrumentos diminuiu. Quais segmentos ainda os utilizam com frequência?
O órgão Hammond obteve grande sucesso desde a década de 1940 em todo o mundo, pois era o primeiro instrumento ‘portátil’ que oferecia a possibilidade de criar ou ‘imitar’ outros sons (sintetizador).  Todos os estilos musicais, desde essa época, já usaram Hammond. O rock foi apenas um dos estilos que, com personalidade e atitude revolucionária, obteve destaque. É interessante deixar claro que para o blues, o soul, o gospel e o jazz, o Hammond nunca deixou de ser usado, assim como as grandes e icônicas bandas de rock (The Rolling Stones, Deep Purple, entre outros).

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A década de 1980 foi marcada pela antítese musical dos acontecimentos e revoluções das ‘psicodélicas’ décadas de 1960 e 1970, regada com as novidades tecnológicas, como os sintetizadores e samplers. Esses equipamentos ofereciam uma sonoridade diferente e variada, com um custo, peso e dimensões menores, fazendo com que surgissem novos estilos. Hoje, o conceito e a sonoridade do Hammond estão de volta e é cada vez mais usado em diversos estilos. Além dos já citados, podemos notar um crescente uso em música sertaneja, bossa nova e uma variedade de subestilos do rock (pop rock, heavy metal, progressivo).

>> Muitos organistas de igreja ainda utilizam e preferem os órgãos Hammond. A que se deve isso? Hoje, qual é a importância para a empresa dos músicos que tocam em igrejas?
O Hammond faz parte da cultura musical de diversas igrejas e é uma ferramenta importante para os ritos e a liturgia. Igrejas e religiões diferentes usam até hoje o Hammond, seja como alternativa do órgão de tubos ou como instrumento característico, caso do gospel e de congregações. Os organistas levam o som e a cultura do Hammond até o ouvido dos fiéis. A Hammond delega grande atenção aos organistas que se especializam em tocar esse instrumento.

>> Hoje existem muitos softwares que tentam imitar a sonoridade dos órgãos Hammond, alguns beirando a perfeição. Quais as principais diferenças entre utilizar esses programas e tocar em um autêntico Hammond?
Sim, há vários produtos tentando imitar a sonoridade dos órgãos Hammond. Alguns melhores que outros, porém nenhum, por melhor que pareça, chega perto do original.  É errôneo afirmar que beiram a perfeição, uma vez que o Hammond já foi inventado, então, por que ‘imitar’? Esse é o parecer de diversos organistas profissionais de Hammond no mundo.

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Os simuladores e softwares são bons, mas não transmitem o calor e a alma do instrumento, bem como as inúmeras variáveis que esse timbre tem, resultando numa sonoridade boa, porém com sérios limites, principalmente de interpretação. O toque das teclas e os ‘multicontatos’ são completamente ignorados pelos simuladores e softwares e são essenciais para o desempenho do instrumento. A caixa Leslie é outro assunto à parte. Por melhores que sejam as simulações digitais, não há como replicar o som do efeito da caixa Leslie ao vivo, pois ela literalmente ‘joga’ o som 360 graus pelo ambiente, conseguindo um efeito físico multidimensional do som que varia desde a sala e a posição do ouvinte. É uma experiência à parte que muitos que nunca ouviram ou tocaram com uma Leslie de verdade nem imaginam.

>> Qual é a posição da empresa e do produto hoje no mercado? Há possibilidade de os órgãos Hammond se tornarem populares novamente entre os jovens?
A Hammond Company é uma empresa ativa e presente no mercado mundial, representada no Brasil pela importadora Hosmil.  Os órgãos Hammond estão de volta ao mercado nacional há nove anos e a procura pela sua sonoridade é crescente.  O Hammond ainda é desconhecido por muitos jovens devido ao ostracismo do produto durante quase duas décadas, mas com a quantidade de informação disponível hoje, como a Internet, e todo tipo de mídia audiovisual, fica fácil conhecer e identificar melhor esse instrumento.

XK-System

>> Como a atual crise afetou a empresa? O que fazer para superar esse período sem grandes prejuízos?
Se esta crise fosse alguns anos atrás, estaríamos muito preocupados, pois os Hammond eram muito caros. A Hammond Company, focada em desenvolver equipamentos mais acessíveis ao mercado mundial, hoje conta com os produtos Hammond adaptados à realidade. Toda crise passa.

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>> Quais os próximos passos da empresa no setor de áudio? O que mudou na confecção e fabricação dos órgãos Hammond ao longo dos anos?
A Hammond Company tem a missão de manter a tradição do autêntico órgão Hammond, bem como sua marca. Existem vários modelos de órgãos Hammond. São investidos milhões a cada ano para levar a tecnologia de ponta para manter e criar com sucesso o mesmo som e possibilidades do instrumento original idealizado em 1935. A confecção inicial do instrumento não pode ser mais empregada devido ao custo e a impossibilidades dos materiais, além de não atenderem mais às normas e especificações internacionais para comercialização do instrumento. Portanto, a Hammond Company (subsidiada pela Suzuki instrumentos musicais) emprega a mais alta e exclusiva tecnologia para substituir algumas das partes do instrumento original, bem como para criar modelos portáteis e de diversos graus de complexidade para cada tipo de consumidor.

>> Os órgãos Hammond são importados. Como é feita a distribuição entre as lojas? O que fazer para que seu preço não suba muito?
Avaliamos as lojas dentro das normas e perfil do atendimento ao público. O público Hammond gosta de receber atenção e conversar muito sobre o equipamento. Sendo assim, os produtos Hammond acabam sendo encontrados nas melhores lojas, aquelas que primam e dispõem de tempo para dar atenção ao cliente Hammond. Quanto ao preço, não há por que subir muito. Devido à crise, estamos nos adequando ao mercado pelo menos há oito meses.

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