Grandes eventos: Conectando várias bandas num único palco

Grandes eventos: Conectando várias bandas num único palco
setembro 19 10:07 2017

Como será que as locadoras estão ligando várias bandas em grandes festivais de música? E como será que eles fazem a montagem e a desmontagem delas no show em poucos minutos? Como fazem para passar som?

Nesta publicação, vou te falar alguns procedimentos que são usados para ter o melhor resultado. Antes de ligar várias bandas, ou seja, antes de colocar a mão nos cabos, é desenvolvido uma metodologia do que vai ser feito no processo de planejamento.

Ainda lá, nas reuniões, para decidir sobe o evento, é analisado as bandas, suas necessidades (riders) e a melhor forma para o atendimento. Neste momento, tudo é levado em consideração. Por exemplo, o tamanho quanto altura e largura é muito importante para decidir o praticável.

Nisto é avaliado a movimentação de entrada e saída no palco. Já que o trânsito pode esbarrar em alguma cenografia derrubando algo. Ou ter que passar por cima de algum desnível que realmente seja transtorno à entrada ou saída.

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Também é pensado no espaço onde serão colocados após a passagem de som e como ficará a organização, por onde entra e sai neste espaço e no palco. E tem festival que até o posicionamento no enquadramento na TV pode ser ponto para decisão.

São nestas reuniões que se decide o equipamento que será colocado para atendimento. Em muitos festivais, isto é feito com muitos equipamentos para serem escolhidos pelos técnicos e, em outros, somente um pedido no rider é atendido. E é aí que a dor de cabeça aumenta, pois como deixar pronto várias bandas para que a troca delas no palco seja de forma rápida e precisa?

Ligando várias bandas no multicabo

Para estes eventos é utilizado um multicabo, ou vários, do tipo multipino. Que é daquele que você desconecta o cabo da caixa de conexão. E neste caso, não é só o da caixa grande (stagebox com splliters) que divide o sinal para as mesas da frente (PA), do palco (Monitor), da gravação e/ou TV.

Stagebox

Stagebox com splliters (medusa com pernas pra duas mesa)

Também as pequenas caixas de distribuição (subsnake), que em média tem 12 vias, que ficam próximas aos instrumentos e levam o sinal para o stagebox. Se todas as bandas usassem os mesmos canais nas mesmas posições, seria só desconectar o subsnake de uma bateria e ligar na outra.

Mas como isto não ocorre, cada banda tem sua particularidade, ao ter várias stagebox com os cabos em multipino, a história é muito facilitada.

Entrando e saindo prontas do palco

Imagina aí, cada banda já ficar com cabeamento, pedestal e microfones conectados e prontos. Elas entrando ou saindo do palco assim, chegando e só ligando os multipinos dos subsnakes conforme cores e números.

Stagebox com splliters também é conhecido como medusa. Quando se usa um só, acaba que é preciso ficar trocando as conexões, recebidas pelos subsnakes, para colocar cada canal conforme a sequência que a banda pede.

Existe um risco muito grande de algum cabo estragar neste manejo, onde o mais comum é o fio romper na solda. Aí, para evitar estes problemas, grandes festivais usam várias medusas (stagebox com splliters). Estas várias meduas (stagebox) tem splliters em multipino também. É um conector bruto de grande, que solta cabos com mais de 160 condutores internamente. Ou seja, com mais de 54 canais em um único cabo, que vai cada um para uma mesa.

E como é na outra ponta, lá na mesa?

Ligando várias bandas em várias mesas de som

Como as coisas são megas em grande eventos, os locadores cumprem os riders, atendendo as necessidades conforme são pedidas (e claro, cobrando por isto). Algumas vezes, usam vários do mesmo modelo, para adiantar para os profissionais as configurações e checagens quanto a atração que estes técnicos atendem.

E como eles deixam todas estas bandas ligadas ao mesmo tempo? Alguns locadores preferem usar multipino para que o cabo do splliter entre direto pra mesa. Já outros preferem não ficar arriscando desconectar de uma pra outra e deixa vários cabos passados e a troca só sendo feita lá no palco, no stagebox (medusa).

Assim, várias mesas de modelos diferentes, ou não, são interligadas ao stagebox da que sua atração vai estar usando de forma muito rápida e simples. Inclusive, tem uma pequena mesa de som para receber os sinais de DJ, locutor, apresentador ou qualquer outra coisa a parte das apresentações.

Com ela, os sinais ficam facilmente em uso, sem a dor de cabeça de mudança de cenas ou dependência do favor do operador da banda. E a saída destas várias mesas, como são ligadas para o processamento, se serão vários LR saindo delas?

conectando bandas

Conectando as mesas no processamento

Grandes locadores acaba não usando uma mesa de som como master. O que seria usar uma mesa de som para receber o som de todas e delas ir para o processamento (processadores). Existem equipamentos que fazem troca A/B entre duas mesas com bastante qualidade e existem os splliters que funcionam como matrizes que fazem recebimentos de vários sinais e enviam para vários sinais.

Um exemplo: Se o recebimento no processador é só de L/R e forem usadas quatro mesas, então, é só configurar o splliter.

Usa ele como duas entradas de cada mesa para duas saídas, comutando entre elas quando cada banda for se apresentar. E quando o operador prefere ter o controle do sub, ou de outra via, fora do controle do L/R? Também se torna simples, pois é só criar uma nova rota neste matrix, de recebimento de sinais dos consoles para o processamento.

Multivia multipino

Multivia multipino para entrar em mesas de som

Passagem de som de várias bandas

Festivais sérios ($$$) exigem passagem de som, não é este negócio da ‘banda chegar na hora e sair tocando‘. Não tem 10 minutos de alô som, muita microfonia e desrespeito com público. Nestes festivais, os locadores colocam duas ou mais equipes para atendimento. Uma faz o atendimento da passagem de som e a outra faz o atendimento no valendo da apresentação.

Como falei, as coisas são sérias, bem feitas, bem documentadas e com vários investimentos ($$$). Os profissionais cumprem uma metodologia para que o posterior técnico (do valendo) possa dar continuidade de forma perfeita ao atendimento do anterior.

Não é uma coisa que só fica na cabeça de uma pessoa e a outra tem que tentar adivinhar. Inclusive, não tem o faz tudo, são especialistas em áreas.

Ligando as bandas

Imagina se o especialista que ficará responsável pelas ligações do stagebox (medusa) também tem que ficar aumentando ou abaixando DJ? Não tem como, ele tem planilha que é estudada junto ao outro companheiro para que seja sincronizado os passos.

Eles definem o que vão fazer pra passagem de som e pro valendo de cada atração. Qualquer coisa que vá surgir de surpresas, é tratado como surpresa. Inclusive, pontuado assim em suas planilhas, pois fazer o patch é uma coisa séria.

Se na hora do valendo o bumbo chega no canal da voz, lascou tudo. Num tanto de conexões, que foi feito na passagem de som, se perde muito tempo para encontrar o que foi conectado aonde. É importantíssimo uma metodologia de trabalho. Quando estou como o cara do patch (patchman), e estou ligando várias bandas, tem dado certo fazer marcações com cores, números e letras.

 

palco

Desenho de um palco básico de um festival


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Tiago Borges
Tiago Borges

Eu acredito que conhecimento é só uma questão de tempo. Ninguém nasce sabendo, pois todos tiveram que ter um início. Quero ajudar você conseguir alcançar resultados incríveis, já que seu conhecimento só será limitado se você quiser. Conheça meu site: tiagoborges.net

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