Uma nova chance

Uma nova chance
fevereiro 07 10:58 2007

A reeleição do presidente Lula não pode ser considerada um cheque em branco. É, na verdade, um perdão temporário, uma nova oportunidade de consertar os erros do primeiro mandato


Caros deputados estaduais, federais e senadores,


Tenho o orgulho de saber que todos os candidatos em que votei para o Legislativo foram eleitos. Sintam-se honrados! Apesar de ter nascido analfabeto, como a mãe do nosso querido presidente, sou um daqueles poucos privilegiados que conseguiram cursar não uma, mas duas boas faculdades, além de um mestrado meia-boca. Por isso, na mais sincera modéstia, creio não pertencer a nenhum dos lados dessa guerra civil entre ricos e pobres inventada pela imprensa.


Isso quer dizer que, graças a eleitores ‘lúcidos’ como eu – que uns chamam de elite e outros de intelectual de esquerda –, a reeleição do barbudo não é para ser considerada um cheque em branco. E muito menos um cartão corporativo sem limite de crédito! Ela é, isso sim, um habeas-corpus… Desculpem, mas diante de todos os escândalos que assombraram o planalto nesses últimos anos, não dá para facilitar. Parafraseando o próprio presidente, “nunca na história desse país” se viu tanta cara-de-pau. Como a mulher traída que quer o marido de volta, o povo fez vista grossa, mas também não abre mão de ser bem tratado para lhe conceder o perdão.
Não tem outra saída. Agora, é crescer ou crescer! O Lula Molusco já conhece a máquina, sabe em quem pode ou não confiar e tem todas as ferramentas na mão. Como metalúrgico, tem a obrigação de saber usá-las. Aos nossos legisladores cabe a responsabilidade de apoiar com lucidez as reformas que façam o País avançar e vetar com veemência tudo aquilo que o fizer retroceder. Coisas óbvias das quais ouvimos falar há anos! Reforma política, impostos mais baixos, investimentos em infra-estrutura, juros decentes… Aí, nesse último quesito, é preciso ‘culhões’ de verdade! Não é possível que continuemos vivendo em um país com hospitais e escolas sucateados e bancos esbanjando seus lucros exorbitantes.

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Quando será que os nossos governantes, legisladores e juízes vão entender que o ‘presentinho’ que ganham dessas instituições se esvaem pelo ralo das estradas esburacadas, dos rios poluídos, das praças malcuidadas, do caos no trânsito das grandes cidades, da fome, da miséria… É a vitória da ‘burrocracia’ sobre a burocracia. Um jogo de cartas marcadas. Uma disputa perdida em W.O.
Como a sociedade pode aceitar, tão passivamente, que essas corporações milionárias destruam a vida de centenas de milhares de empresas e cidadãos? Eu, particularmente, tenho feito a minha parte, contestando na justiça todos os juros que me são cobrados por esses senhores de engenho. Como se sabe, o resultado da ação pode variar de acordo com o local onde o juiz deposita suas economias. Mas vale a pena. Derrubamos um presidente, poxa! Por que não conseguimos fazer nada contra os bancos e financeiras que atravancam o nosso desenvolvimento?
Fica aqui lançado o desafio. Tenham ‘culhões’. Façam a sua parte! Eu, o povo, como a esposa traída, finjo esquecer o passado se for bem tratado. Quem sabe me apaixono de novo se voltar a ver a coisa crescer?

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