Um Brasil de empreendedores

Um Brasil de empreendedores
junho 11 11:35 2008

Para que um negócio dure, é preciso determinação e clareza sobre o objetivo que se pretende alcançar

As expectativas dos empreendedores
Se perguntarmos para qualquer empreendedor, independente do segmento, sobre o tempo que espera que a sua empresa dure, a resposta mais provável é que dure por muitos e muitos anos, décadas de preferência. Isso nem poderia ser diferente, pois todos desejamos que as nossas lojas de instrumentos musicais sejam centenárias, altamente competitivas e lucrativas. Esses fatores traduziriam o que os empreendedores chamam de um empreendimento de sucesso. Antes de conhecermos os fatores que contribuem para o sucesso das empresas centenárias, vamos apresentar as características de um empreendedor e o que este pode enfrentar.

O que é ser empreendedor
Ser empreendedor é empenhar-se para realizar um sonho. Um empreendedor é aquele que imagina, desenvolve e implementa suas visões. É um otimista que vive no futuro, transformando crises em oportunidades e exercendo influência nas pessoas para guiá-las em direção às suas idéias. É aquele que cria algo novo ou inova o que já existe e está sempre pesquisando. É o que busca novos negócios e oportunidades com a preocupação de melhorar produtos e serviços. Suas ações baseiam-se nas necessidades do mercado. Quando bem-sucedidos nessas empreitadas, são chamados de visionários; quando fracassam, são chamados de loucos, irresponsáveis, incompetentes e coisas do gênero.

A maioria dos empreendedores traz dentro de si o desejo de ascensão social, a necessidade de assumir responsabilidades e de ser independente. Para se tornar um empreendedor de sucesso, é preciso reunir criatividade, determinação, habilidade de organizar, liderar pessoas e de conhecer tecnicamente etapas e processos, profundos conhecimentos do segmento em que pretende atuar, além da capacidade de analisar os competidores.

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A geografia do tempo de vida das pequenas empresas
Apesar de todo o otimismo dos empreendedores, as estatísticas recentes mostram um tempo de vida muito curto para as empresas brasileiras — apesar de essa taxa de mortalidade ter se reduzido. O número de micros e pequenas empresas que fecharam as portas no País caiu de 35,9% para 22% entre 2003 e 2006, segundo o levantamento "Taxa de Sobrevivência e Mortalidade das Micros e Pequenas Empresas", realizado pela Vox Populi. A pesquisa fez o diagnóstico de 14.181 empresas, 13.428 ativas e 753 extintas de todas as regiões do Brasil. Especificamente no Sudeste, o índice de fechamento caiu de 39,1% para 16,1%. A mortalidade está em declínio desde 2000, quando a quebra chegava a 61,1% no Sudeste e a 59,9% no Brasil.

Os principais motivos
A mortalidade das empresas tem explicações claras. Os empresários apontaram que a falta de clientes foi a razão que mais contribuiu para o fracasso do negócio. Em seguida, aparecem a carga tributária, os encargos e os impostos como fator decisivo para fechar o negócio no período.

O que as estatísticas indicam
Não basta ter criatividade, não basta também sonhar e ser motivado, outros traços marcantes do brasileiro. Não é à toa que tantas iniciativas de negócios, apesar de muito criativas, acabam não se consolidando. É bem verdade que a burocracia e a tributação excessiva dificultam a missão de abrir — e mais ainda de manter — uma empresa legalmente constituída, mas isso não é justificativa para uma iniciativa não dar certo. Aliás, para o empreendedor que tem convicção e está disposto a batalhar por seu sonho, essas dificuldades são apenas obstáculos a serem superados. O verdadeiro empreendedor não procura desculpas nem culpados para as suas dificuldades. Segue em frente, sabendo o que tem de fazer. Determina, com clareza, o objetivo que deseja alcançar e desenha um roteiro para chegar lá. Define todas as ações que fazem parte do roteiro e segue-as com determinação, mas também com jogo de cintura para contornar as dificuldades que surgem no meio do caminho.

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Empreendedorismo e percepção da realidade
Enquanto os empreendedores acreditarem que basta ter um sonho ou uma sacada criativa para abrir um negócio, seu projeto ficará no ar. É preciso botar os pés no chão para materializar o sonho, e para isso existe o plano de ação. Depois, é seguir o caminho traçado com motivação, fé e convicção. O sonho no empreendedorismo é a idéia a partir da qual se consegue fazer um planejamento estratégico e um plano de negócios. O que não é planejável é fantasia, e essa nem papel aceita.

Será possível ensinar empreendedorismo?
Diversas escolas estão voltando seu ensino para o comportamento empreendedor e, por isso, as pessoas estão mudando sua concepção com relação aos empreendimentos e profissões. Movidas por uma necessidade (perda de emprego, por exemplo) ou por visualizar uma oportunidade no mercado, algumas pessoas podem iniciar um pequeno negócio e ter sucesso por toda a vida. Outras podem não ser tão bem-sucedidas, e terem de se deparar com um fracasso, apesar de seu esforço. Para alguns, o sucesso dos negócios é pura sorte, mas para o empreendedor, é apenas o resultado de sua visão acompanhada de uma ação, pois todos os dias são feitos para se realizar algo.

Não ficam reclamando do sol ou da chuva, pois estão ocupados em atingir o que planejaram para a sua vida. Os obstáculos que surgem são retirados de sua frente com trabalho e garra, não servindo nunca como ‘desculpas’ para afastá-lo de seus objetivos. A ousadia é outra característica de pessoas de sucesso. Até mesmo porque, para empreender no Brasil, só mesmo com muita garra e perseverança. As dificuldades são extremas e poucas pessoas têm coragem para enfrentar os desafios que surgem em seu caminho. Por isso, o verdadeiro empreendedor não pode, em primeiro lugar, buscar o lucro, porque ele será o resultado das ações da empresa. Ele tem de estar sempre ligado ao mundo, buscando cada vez mais novos conhecimentos para enfrentar os desafios.

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Então, qual será a razão de alguns empreendimentos serem bem-sucedidos e outros fracassarem? Entre os diversos motivos, estão a falta de planejamento, pesquisa, conhecimento do negócio e do mercado. Outro fator é que existem pessoas que não possuem características comportamentais empreendedoras necessárias para os negócios, como coragem para assumir riscos, persistência, planejamento, rede de contatos, comprometimento, entre outras; ou, se as têm, não as identificaram ou as aprimoraram para se lançarem no mercado. Muitas pessoas têm idéias, porém ficam somente nelas, não passando nunca para a ação, atitude necessária para transformá-las em realidade fazendo as coisas acontecerem. E isso somente ocorrerá se a pessoa tiver uma verdadeira paixão por aquilo que faz, pois este é o combustível necessário para entusiasmar-se por seu projeto de vida. O verdadeiro empreendedor é um campeão que não desiste jamais, pois acredita em sua capacidade e vê os fracassos como oportunidade de aprender cada vez mais. Não fica esperando a vida passar. Ele somente tem olhos para o futuro, sendo capaz de investir todo o seu tempo na realização de seus sonhos!

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