Sintetizadores: a volta dos timbres vintages

Sintetizadores: a volta dos timbres vintages
Fevereiro 19 18:50 2016

Fabricantes de teclados atendem demanda dos famosos timbres vintages

Depois de duas décadas ignorando a tecnologia que criou os grandes sintetizadores e órgãos, marcas simplificaram, com patches/presets já prontos, os timbres que antes eram criados minuciosamente.

Surgiram então os samplers, os romplers e enfim, os sintetizadores que não sintetizam mais tanto assim. Mas algumas marcas começaram a reparar que, nós músicos, começamos a sentir falta dos grandes timbres pesados, encorpados e definidos que tínhamos e que desapareceram dos teclados modernos.

Começamos a procurar por instrumentos antigos e muitas vezes sem peças para reposição. Mas mesmo assim o resultado valia a pena.
De olho nisso, algumas empresas voltaram sua engenharia para relançar essas maravilhas antigas, como a MoogMusic e Dave Smith, relançando os Minimoogs e Prophets.

Com esse reaquecimento engatinhando e o sucesso desses instrumentos voltando à tona, outras empresas estão tentando relançar aos poucos estas grandes produtos.

Não vou citar todas agora, pois são muitas. Porém vou citar modelos que estão surpreendendo pela qualidade à altura de grandes empresas que dominam o mercado com tecnologia e know-how no segmento há décadas.

Além da tão aclamada Clavia, com seus Nord Leads e Electros, outras empresas investiram em produtos analógicos, como é o caso da Casio. A empresa japonesa voltou a produzir sintetizadores e pianos como os XWP1, XWG1, PX5.

No Brasil, a Tokai com os TX5 e T1, TP188; Labolida, com o Pico 4, Nano 1, Organ 1, a EMW com uma linha espetacular de sintetizadores modulares e estamos aguardando o tão esperado Voltix da SGR/Tron.



Mesmo que o assunto agora é vintage e que a atenção sempre está virada às marcas Clavia, Korg, Yamaha, Kurzweil e Roland, é bom olhar outros synths que merecem a atenção. Como por exemplo os MFB, os Vermona e acredite que tem muito mais por aí. Mas isso é outra história que está lá do outro lado do mundo e ainda vamos chegar lá.

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Iniciantes: quer um sintetizador de verdade com custo benefício excelente?

Casio XWP1

Vamos começar pelo interessante Casio XWP1 que, mesmo tendo sido lançado há alguns anos, ganha mais adeptos a cada dia. A primeira vez que vi o XWP1 foi numa loja em Porto Alegre e estava escondido em meio a outros teclados diversos. Chamou-me a atenção a estrutura do painel e só nesse primeiro olhar eu já tinha idéia do que poderia ser, já que se tratava de um Casio, me remetendo à excelente linha CZ de sintetizadores nos anos 80.

Pedi ao atendente para testar e ele todo solícito foi logo dizendo que se tratava de um teclado simples. Assim que ele ligou numa caixa multiuso qualquer e eu toquei a primeira tecla com um som semelhante à um Prophet5 eu arregalei os olhos e comentei. – É um sintetizador de verdade! Olhei para o atendente e ele estava mais surpreso que eu. Enfim…



A Casio já há alguns anos vem trazendo uma gama de sonoridade e recursos incríveis com custo benefício excelente. Uma nova tecnologia de áudio, que estão denominando “híbrida”, com arquitetura e estrutura intuitiva de criação dos timbres que são bem definidos e pesados, com a incrível possibilidade de manipulação em tempo real.

Para editar os timbres o usuário terá que estudar o “mapa da mina” (manual), mas nada que alguns minutos não resolvam.

Além da sessão sintetizador, que é incrivelmente maravilhosa, ele tem outras sessões:

  • Sistema Hex Layer: Onde o usuário tem a possibilidade de combinação em Layers e ainda pode manipulá-los pelos sliders em tempo real.
  • Drawbar Organ: Que é bem simples, mas funciona razoavelmente bem e posso dizer que melhor que muitos outros teclados com esse tipo de simulação. A outra sessão é a PCM com recursos encontrados em outros teclados comuns.
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Se formos fazer um comparativo o mais próximo pelo preço e qualidades de sintetizador que se pode achar nas lojas hoje, encontraremos o também híbrido, Roland JD-Xi. Com os excelentes timbres e recursos no padrão incontestável Roland. Ele apenas peca com o tamanho e número de teclas. Embora seja pequeno, ele tem sons e recursos gigantescos. Aliás a moda pegou com os Mini Synths junto com a Korg e Yamaha, mas isso é outra história.


Músico profissional: com conhecimento de síntese analógica e como manipular em tempo real os timbres

Korg KingKorg: Incontestável trabalho primoroso da Korg. Ele é um dos mais completos e bonitos sintetizadores no momento (2016). Modelagem analógica com 3 osciladores (e não apenas 2 como a maioria das empresas insiste em nos enfiar goela abaixo) , vocoder, e uma cerejinha no bolo que é o circuito de drive valvulado. Só faltou o aftertouch que a Korg sempre trabalhou extremamente bem.

Com essas características e na média de preço dele, eu não encontrei concorrência no mercado e sinceramente eu não entendi o porquê a Korg não o trouxe para a feira Expomusic de 2015.


Duelo de gigantes Clavia Nord Stage, Korg Kronos e o Motif XF

O Nord Stage 2 tem recursos maravilhosos para serem usados em shows ou estúdios. Coisas simples me chamam a atenção como a possibilidade de usar pedais triplos para execução de peças de piano. Isso é apenas o básico, fora outras inúmeras vantagens que o instrumento nos oferece, como a possibilidade de personalizá-lo com novas amostras de instrumentos que lhe convém. O fácil acesso à edição dos timbres em tempo real é, sem dúvida, a melhor ferramenta para nós tecladistas.

O Korg Kronos é uma das mais impressionantes keyboard workstations já produzidas e traz um incrível piano com 12 níveis de troca de camadas de samples “sem loop”, nos dando o caimento natural da sustentação das notas. Com nove mecanismos de geração de sons distintos, sequencer de 16 pistas e mais 16 canais de áudio para gravação, realmente é uma poderosa máquina de criação.

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O Yamaha Motif XF não fica atrás pois veio desde 2001 ganhando admiração e muita tecnologia com qualidade e recursos de tirar o chapéu. Agora, além de tudo, com muito mais memória e com a possibilidade de personalizar também o teu teclado com os timbres que lhe convém. Parece ser um novo padrão a ser tomado nos novos teclados.

 


 

 

Não há como fazer uma comparação entre eles. Seria um debate desgastante pois de um lado  entrariam gostos pessoais e por outro características de timbragens e recursos que cada um deles tem.  O que um excelente tecladista deveria fazer é ter os três no seu setup além de um ou dois synths para solos.

 

E você? O que achou? Coloque sua opinião aqui nos comentários. 

 

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Allex Bessa
Allex Bessa

Tecladista, compositor, produtor e arranjador. Gravou para RGE, Velas, Atração, Continental East/West Warner (entre outras), também peças publicitárias para Microsoft, Vasp, Varig, Carrefour, Pringles, Bank Boston, Coca Cola Co. (entre muitas outras) e também tocou com Sergio Dias, Rita Lee, Gloria Gaynor…

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