Review do iRig Acoustic Stage da IK Multimedia

Review do iRig Acoustic Stage da IK Multimedia
abril 24 19:11 2018

Conheça como funciona o iRig Acoustic Stage

A IK Multimedia tem se caracterizado pelo amplo leque de periféricos de áudio e MIDI, que atendem não só a usuários de gadgets, mas também quem trabalha ao computador. Sua história tem início no ano em que a internet chegou ao Brasil – 1996 – quando dois engenheiros de áudio na cidade de Modena, na Itália, se perguntaram se poderiam emular um circuito eletrônico usando algoritmos DSP para passar um sinal de áudio pelo computador e obter o mesmo som, já focando em auxiliar o músico no seu trabalho digital, com o lema “Musicians First” (Os Músicos Primeiro).

A resposta foi sim, e o que eles queriam emular era um console vintage da Abbey Road. A partir daí a time-line de produtos da IK passou pelo looper Groove Maker em 1997, o conjunto de plug-ins para masterização T-RackS em 1999, O pioneiro plug-in simulador de instrumentos Sample Tank em 2001, o emulador de amps e efeitos para guitarra AmpliTube em 2002,  o Ampeg SVX simulador de amp para baixo em 2005, mais 2 AmpliTubes em 2007 (com o setup de Jimi Hendrix e o X-Gear), o Amplitube Fender em 2009 e o app para iOS em 2010.

A empresa começou a ficar conhecida no Brasil exatamente em 2010, com o lançamento do iRig para iPod, iPhone e iPad, que permitia uma conexão da guitarra ou outro instrumento plugável em P-10 aos tablets e smartphones da Apple. Logo em 2011 lançou um microfone para os gadgets, um app para vocal, o iRig MIDI e o app Sample Tank. Em 2012 mais uma série de iRigs, teclado controlador, interfaces, o speaker iLoud, e em 2014 continuou a lançar novidades, inclusive para o sistema Android.

No final de 2015 lançou o captador para instrumentos de corda iRig Acoustic, então como o primeiro captador e interface para iPhone e iPad, e em 2017 o Acoustic evoluiu para um sistema de captação, interface e mixagem para o violão, com cordas de nylon ou de aço. O sistema vem com um box controlador, onde se pode ligar a captação nativa do próprio violão, e mixá-lo com o sinal que vem do captador iRig patenteado como um microfone do tipo MEMS – Measurement Microphone System – já usado no ARC System, corretor acústico lançado em 2007.

Estúdio in a box

O sistema tem ainda um pré-amplificador DSP de 32 bits, que processa o sinal visando criar uma captação semelhante a um setup de microfonação de violão em estúdio. O sistema que testamos é o iRig Acoustic Stage, criado para uso no palco, com o instrumentista em movimento, daí a diferença entre uma captação por, digamos, um microfone condensador e um de fita, que impediria a movimentação em palco, e uma captação móvel, com o simpático formato de uma palheta, que facilmente se põe e se tira da boca do violão.

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Nosso teste se baseou nas performances do iRig Acoustic em gravação no meu home studio, usando um iMac rodando OS X Sierra, com 12 Gb de RAM, processador Intel i5 de 2,5 GHz, tendo como DAW o Logic Pro X 10.3.2. A primeira providência foi plugar o dispositivo via USB, o que dispensa o uso das 2 pilhas AA. Imediatamente o Logic reconheceu a entrada do iRig, e direcionei a saída para o VG-99 Roland, que uso como interface. Um ajuste de buffer size para 256 samples resolveu um pequeno problema de delay. Confira exemplos de áudio neste link (LOGIC).

Em seguida passei a explorar o ajuste de TONE do iRig. Pressionando-se o botão TONE se conseguem nuances para encordoamentos de nylon ou de aço. Para o aço as opções NATURAL, WARM e BRIGHT acendem seus leds verdes, e para o nylon um led de Nylon se acende junto com as mesmas opções. Segundo a IK, Natural emula um microfone condensador de diafragma grande bem posicionado em estúdio. Warm busca uma sonoridade com mais graves e médio-graves, e Bright dá mais claridade para ser usado com outros efeitos, como flanger, chorus, etc.

Certamente estas opções de timbres tiveram sua origem quando do lançamento da primeira versão do iRig Acoustic (antes do Stage), quando o dispositivo se fazia acompanhar pelo app Amplitube Acoustic. Nele existem 3 amplificadores, sendo um valvulado, o que deve ter originado as 3 regulagens: Natural, Warm e Bright, a partir dos amps do app, Solid State 1, Solid State 2 e Tube. São regulagens genéricas, e, experimentando alguns plug-ins do Logic, cheguei a resultados parecidos e mais diversificados. Mas vale pelo padrão, que facilita seu uso inicial.

No antigo app – ainda disponível – uma calibragem do violão já estava presente. Só que ela agora pode ser feita direto do box da versão Stage, pressionando o botão tone por 2 segundos com o captador conectado. As 4 luzes de opções vão piscar, para se iniciar a calibragem. A IK aconselha que se toquem pestanas em várias casas, e que se assista a vídeos demonstrando como a calibragem pode ajudar a criar novos timbres “customizados”. Eu me resumi a tocar pestanas da casa 1 até a 12, e obtive resultado um pouco melhor com um Tagima Ventura.

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O Tagima tem seu sistema piezo TEQ-7, que coloquei para trabalhar junto com o iRig, 50% a 50%, e ao comparar as duas captações mixadas (botão MIX) no box do dispositivo, o TEQ-7 mostrou mais presença, usando um sistema de amplificação estéreo Alesis, com um amplificador RA150 e 2 monitores Alesis One Mk2, passivos, óbvio. Problemas de fase não aconteceram, e se tivessem surgido, o box tem uma chave de fase lateral, pensada para as mixagens de captação nativa de cada violão e do iRig, (o TEQ-7 também tem). Confira exemplos de áudio neste link (Tagima).

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Foi usado para comparação um antigo e bom violão de cordas de nylon Gianinni da série handmade 1900, que tem um igualmente antigo – mas ultrapassado – sistema de captação piezo elétrica no rastilho, e um mero knob de volume de controle. Neste, os recursos do iRig Acoustic foram evidentemente realçados, superando com folga os resultados da captação nativa do violão flat (8 cm), também cutway, com quase a mesma espessura do corpo do Tagima (7,5 cm). No Gianinni também não tive problemas com fase trocada. Confira exemplos de áudio neste link (Gianinni).

Usei para conferir as potencialidades do iRig Acoustic Stage no iPad, o antigo Amplitube Acoustic e o GarageBand. No Amplitube o resultado não chegou a ser médio, talvez por alguma incompatibilidade entre o iRig Acoustic simples lançado em 2016, e o Stage. Mas no GarageBand para iOS, quando escolhida a opção de pista Gravador de Áudio, o sinal USB foi suficiente para gravar diretamente no app, tanto nas sub-opções Voz, quanto na de Instrumento, com suas variações configuráveis de “Mais Sons”. Confira exemplos de áudio neste link (GarageBand).

Prevenindo a microfonia

Um dos grandes problemas para a captação do violão é a famosa realimentação que recebe o nome de microfonia – feedback em inglês – e é responsável pela maioria das más captações de violões e instrumentos acústicos de cordas ao vivo. A maioria dos técnicos de áudio são microfonifóbofos, e não pensam duas vezes ao afastar os microfones de perto do instrumento para facilitar seu trabalho, comprometendo a qualidade da captação. Tapumes, edredons, espumas e outros artefatos são personagens desta história.

O grande botão CANCEL FEEDBACK do iRig se mostrou útil para conter microfonia, como os antigos “botões de pânico” das DAWs para MIDI feedback. Ele deve ser pressionado quando aparece o feedback, e pode ter armazenadas 10 frequências para atuarem. A IK sugere que se calibre preventivamente as frequências críticas, aumentando o volume até o ponto de início da microfonia, daí se apertando o botão. Ou tocando a insolente nota que dispara o feedback, e, enquanto ela ainda estiver ressoando, apertar o botão para armazenar o gatilho anti-feedback.

Quando uma frequência causadora de feedback é detectada e armazenada, o botão de FEEDBACK piscará uma vez em vermelho, e se por uma acaso a frequência não for armazenada, não pisca. Quando se esgotam as 10 frequências fatais, o botão piscará 4 vezes, indicando que acabou sua capacidade de armazenamento. Para zerar o armazenamento, e programar outras frequências fatais em outro mapa de palco, por exemplo, segure o botão pressionado por 2 segundos, até que se apague, e refaça os armazenamentos.

Enquanto o wireless não vem

Um problema notado foi a saída OUT do box do iRig, um pouco abaixo da média de outros dispositivos, o que, para gravação no Logic, me levou ao uso de plug-ins de ganho. Ela é desbalanceada e com impedância de 50 Ohms, talvez pensando no uso de cabos compridos até os amps. Como até um Guitar Link genérico tem ajuste de ganho, aqui fica uma sugestão, para combinar melhor com um dispositivo que usa USB class compliant com 48kHz e 24 bits, resposta de frequência de 30 Hz a 20 kHz e conversão A/D/A de 32 bits.

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Um outro aspecto importante no contexto geral do Acoustic Stage é o delicado cabo que liga o captador ao box. Pensando nas condições de uso no palco, o cabo com o plug de 2,5 mm é um forte candidato ao rompimento ou problemas de contato no manuseio do captador ou na plugagem ao box, ainda que nos testes o único incômodo foi a sua convivência com os dois outros cabos com plugs P-10 de AUX e OUT, entrelaçando-se na correia do violão ou mesmo na cintura do executante. Eis aqui uma boa aplicação para um wireless geral…

Alguns detalhes foram cuidadosamente pensados, como o botão de volume, que pode ser empurrado para dentro do box depois de ajustado o nível, evitando que um guitarrista mais dançante possa esbarrar no botão e alterar subitamente o volume, para desespero do operador de áudio na house. Nas laterais do box, os sliders on/off de liga-desliga e fase 0/180 são de fácil acesso até no escuro, enquanto os botões de FEEDBACK e TONE são devidamente iluminados com verde e vermelho, que sinalizam as mudanças de configurações.

Conclusão

Trata-se de um importante e inédito dispositivo dentro de sua faixa de preço, que se propõe a facilitar a vida dos músicos no palco e em home studios. Faz jus ao lema Musicians First, da IK Multimedia. Uma captação de violão realizada em estúdio imobiliza o violonista no posicionamento junto aos microfones, e o mesmo ocorre mais proibitivamente no palco, onde o iRig Acoustic Stage faz valer o seu nome. Desde o estojo próprio para viagens até o box preso com clip na correia do violão ou no cinto do violonista fazem jus ao nome de batismo.

A criação musical de timbres fica livre, com a possibilidade de se mixar diretamente no box do Acoustic Stage outras amplificações através da entrada AUX, auxiliada pela chave de fase. As microfonias ganham um inimigo com o botão CANCEL FEEDBACK, para alívio dos operadores de áudio ao vivo. Recentemente reparei que uma tomada de som de violão em estúdio foi enormemente comprometida ao vivo pela impossibilidade de se levar o mesmo setup de microfones ao palco. Um iRig Acoustic Stage teria resolvido a questão, não é Jackie dos Passos?

 

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Saulo van der Ley
Saulo van der Ley

Começou construindo caixas acústicas, estudando violão erudito, que depois recebeu cordas de aço, captador e alavanca. Montou um grupo de rock, fez um show no colégio em BH e se mudou para São Paulo/SP, onde em 75 fez trilhas para teatro e dança, com prêmio APCA. Membro fundador do Núcleo Música Nova com o mestre Conrado Silva, cursou Composição na UNICAMP, V Prêmio Sérgio Motta de Arte & Tecnologia com o grupo oTaoDoMinf, membro da AES, Troféu Clave OMB-SP, ex-redator e editor de revistas de áudio, Apple Developer e a 27 anos dirigindo a Pauta Arte & Comunicação, mesclando ensino e jornalismo musical.

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