Quanto o seu faturamento suporta pagar… Quais são os sinais de alerta?

Quanto o seu faturamento suporta pagar… Quais são os sinais de alerta?
maio 13 10:14 2009

Quanto o seu faturamento suporta pagar… Quais são os sinais de alerta?

A Sensibilidade dos Canários
Em 1911, autoridades britânicas aprovaram uma lei destinada a salvar a vida de mineradores de carvão. Em cada mina deveriam ser colocados dois canários. Por quê? Em caso de incêndio, a equipe de resgate desceria com esses pássaros, que são sensíveis a gases venenosos, como o monóxido de carbono. Se o ar ficasse contaminado, os canários mostrariam sinais de angústia, até mesmo caindo do poleiro. Esse primeiro aviso seria vital. O monóxido de carbono é um gás incolor e inodoro, que mata por impedir que os glóbulos vermelhos transportem o oxigênio pelo corpo. Se não fossem avisados do perigo, os membros das equipes de resgate poderiam desmaiar e morrer, sem perceber que foram envenenados.

Ao observarmos as práticas de alguns lojistas, notamos que enfrentam uma situação comparável à dos mineradores. Como assim? Bem, quando os vemos se endividando com base em seus faturamentos, logo, concluímos que estão adentrando em um território perigoso, permeado de sutis armadilhas e envoltos em instrumentos creditícios muito atrativos e de riscos difíceis de serem mensurados por gestores incipientes.
A nossa analogia nos leva a concluir que para algumas situações de negócios, confiar apenas nos nossos sentidos – feeling e empirismo – não é suficiente para discernirmos os impactos de fazermos uso regular e progressivo de instrumentos, tais como, contas garantidas, antecipação de recebíveis, linhas de capital de giro, descontos de notas promissórias, financiamentos para aquisição de bens duráveis, etc., Normalmente o impacto desses instrumentos só são percebidos quando já possuem uma representatividade percentual do faturamento muito superior ao que o lojista conseguirá honrar.

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O principal motivo que nos leva ao comprometimento
Antes de apresentarmos o nível máximo que o passivo operacional pode representar do faturamento, é importante relembrarmos porque muitos lojistas procuram esses instrumentos creditícios para suprir a necessidade de suas operações. Desde setembro do ano passado o nível de faturamento tem oscilado de maneira significativa em todos os segmentos – inclusive no segmento de instrumentos musicais. A queda no faturamento em lojas de pequeno e médio porte tem algumas conseqüências claras, e de difícil recuperação. Normalmente, um lojista de pequeno e médio porte não possui estoque pago. Esse ativo operacional é financiado por prazos de fornecedores. Sendo assim, quando a receita se torna menor do que a prevista, – em tempos recentes, em função da economia externa e seus reflexos – dá-se início ao processo de repactuação de prazos com fornecedores, inadimplência dos tributos e captação de recursos para custear os gastos operacionais fixos.

Até que nível você pode comprometer o seu faturamento…
O mais importante a se notar é que no momento em que esse lojista está contratando esse passivo de curtíssimo prazo – até doze meses – a única correlação estabelecida é entre o valor da operação de crédito e o montante do faturamento. Invariavelmente, o lojista acredita que comparando os dois valores, faturamento versus passivo contratado, ele consegue concluir se possui capacidade de pagamento para honrar tais compromissos. Já que esse lojista não pode usar o valor do faturamento como parâmetro para assumir tais compromissos, o que ele deveria utilizar? Prezado lojista, grave bem essa frase: “Dívida não se paga com o faturamento, se paga com o lucro!” Vamos ilustrar essa situação: A sua loja possui um faturamento mensal médio de R$ 300.000,00 e ao longo de três anos contraiu uma série de financiamentos que totalizam R$ 500.000,00. Esse valor está composto de diversas linhas de crédito. Que condição o faturamento dessa loja precisará atender para que esse lojista consiga realizar as amortizações necessárias para quitar essa dívida? A condição essencial é que esse faturamento produza um lucro líquido satisfatório. Por exemplo, se tivermos 3% de lucro líquido, ou seja, R$ 9.000,00 e a taxa efetiva, que representa o custo dessa dívida, for de 2% ao mês, só de juros teremos R$ 10.000,00 por mês. Para esse cenário, não conseguiremos quitar essa dívida nunca, ou seja, o lucro líquido produzido não é suficiente nem mesmo para os juros, logo, não haverá amortização.

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Muitos são os lojistas que se encontram em similar situação! Agora devemos voltar à ilustração dos mineradores de carvão que usamos no início desse artigo. O lojista que contraiu esse passivo de R$ 500.000,00 não se deu conta da gravidade do problema à medida que ia descendo a esse nível de comprometimento. Como ele não levou consigo um canário – poderosas ferramentas de gestão – não conseguiu se dar conta de quão comprometida estava se tornando a saúde financeira da sua empresa. Seja você um experiente lojista, que já atravessou muitas crises, ou um jovem e dinâmico lojista, não subestime os riscos do endividamento com base no faturamento, pois os efeitos podem ser letais.

É cada vez mais comum encontrarmos lojistas que buscam num segundo ou terceiro CNPJ a solução para o seu elevado nível de comprometimento financeiro. Cabe-nos salientar que essa visão é absolutamente torpe! A troca de CNPJ para os incautos é apenas uma nova oportunidade para repetir erros do passado. Todavia, os sábios antes de criarem um novo CNPJ avaliarão a efetividade de suas práticas de gestão, as formas como financiarão o seu capital de giro e o nível de rentabilidade com que pretendem operar. As crises intensificam a “seleção natural” dos empreendedores! Por isso, avalie se o nível de comprometimento do seu negócio é ou não reversível. Como indicador sugiro a seguinte referência: se o somatório das dívidas da sua loja for superior a duas vezes o seu faturamento mensal, dificilmente você conseguirá quitar as suas dívidas. Afirmo isso com uma precisão matemática! Para validar esse axioma, compare qual foi a rentabilidade média dos últimos trinta e seis meses com o montante das suas dívidas. Se o percentual de lucro líquido dos últimos trinta e seis meses for inferior a 20% e a sua dívida for superior a duas vezes o seu faturamento, você não conseguirá quitar as dívidas da sua loja e torná-la economicamente viável e financeiramente saudável. Nos últimos artigos envidei esforços ingentes para conscientizar os lojistas da importância de cuidarem dos fundamentos do seu negócio: capital de giro, gastos fixos, orçamento empresarial, modelos de precificação, capacidade de pagamento, e por fim, nível de endividamento. Doravante, os artigos apresentarão uma série de dicas e técnicas de gestão. Com isso, o nosso foco será a valorização e a capitalização do seu negócio! Desejo-lhes muito sucesso!

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