PME: As famílias e suas empresas: evite possíveis crises

PME: As famílias e suas empresas: evite possíveis crises
setembro 11 14:14 2012

São variadas as situações adversas que as empresas familiares podem atravessar. Destacamos alguns tipos de conflitos comuns nesse modelo de negócios e oferecemos sugestões eficazes para enfrentá-las e até mesmo para evitá-las

Por Carlos Mello Moyano*
Uma das enormes carências que possui a educação universitária, na área de administração de empresas, é relativa ao desenvolvimento do conhecimento sobre pequenas e médias empresas e sobre empresas familiares. Como consequência, há uma compreensão errada, por parte de nossos administradores, da realidade das empresas no Brasil e na América Latina, onde esse tipo de modelo é maioria.

O trabalho de administrar as empresas familiares é complicado, pois os problemas usuais de qualquer organização ganham uma nova dimensão: as rivalidades familiares. Famílias que administram a mesma empresa podem ter muito, mas muito sucesso (vide Walmart), mas possuem problemas afetivos, e de intensidade tal, que um gerente profissional raramente teria. Esses executivos devem lidar com dois ‘universos’ antagônicos: o da racionalidade e o dos sentimentos.

Elementos que integram as empresas familiares

Alguns dos elementos mais importantes que integram as empresas familiares são:

1 – O capital tem ‘nome e sobrenome’ e essa é a diferença para as empresas de capital aberto. As flutuações no curto prazo dos ganhos incidem diretamente no modo de vida da família, ao contrário do que pode acontecer em outro tipo de empresa.

2 – Os familiares têm conflitos sobre o grau de supervisão que um pode exercer sobre o outro. Esse fato cria desconforto no supervisionado, podendo provocar situações irritantes e de rivalidade.

3 – Para o fundador, a empresa é seu ‘filho’, indicando que lhe dedicará tempo e que tudo o que a integra está vinculado a fatos significativos que pautam a história da firma.

4 – O empresário sente que a empresa é uma extensão dele mesmo. Ela reflete sua personalidade e se torna em um instrumento para satisfazer suas aspirações pessoais e familiares.

Todos os elementos acima estão vinculados a aspectos da personalidade dos familiares, ao grau de comunicação existente entre eles, ao ciclo de vida familiar e organizacional.

Fases de crescimento da organização

As fases de crescimento da empresa são: início, sobrevivência, sucesso, expansão e maturidade.

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O início da empresa se deve a dois aspectos: o primeiro, pelo desejo do empresário de não ser funcionário, e o segundo por aproveitar uma oportunidade de mercado. As preocupações do fundador são de dois tipos: o desenvolvimento de um produto apropriado e a obtenção dos recursos necessários para financiar o negócio.

A sobrevivência é marcada pela busca da rentabilidade e organização das atividades da empresa, separando produção e comercialização, além do sistema contábil.

O sucesso coloca o empresário em uma encruzilhada: crescer ou continuar pequeno. Segundo a escolha, ele permanecerá fazendo o habitual ou enfrentará novos desafios.

Da expansão provêm três preocupações: a busca de recursos para financiá-la; a coordenação de atividades para manter o nível de qualidade de serviço; e o desejo de viver o sucesso (prazer).

A maturidade da empresa traz ao empresário novos desafios vinculados com a consolidação, em manter o espírito empreendedor e a sucessão administrativa.

As crises e as formas de evitá-las

São oito as crises mais comuns que uma empresa familiar atravessa, sete delas associadas às cinco fases de crescimento e uma delas associada ao ciclo de vida familiar. A seguir, explicitaremos as crises e suas possíveis soluções.

A crise inicial

Tem várias causas, entre as quais se destacam:

• As pessoas importantes da empresa não possuem ampla experiência administrativa no setor do negócio.

• O sistema contábil é inadequado e não fornece as informações básicas para a tomada de decisões.

• As necessidades de capital são subestimadas.

Como evitá-las:

• Imponha sua autoridade.

• Solucione as deficiências administrativas com a contratação de pessoas capacitadas.

• Planifique as atividades com seus colaboradores. Um dos erros mais frequentes está nas projeções de vendas; contrate um assessor ou gerente com experiência.

• Invista em sistemas de informação. Solicite a seu contador que elabore custos, cálculo do ponto de equilíbrio e que planeje o fluxo de caixa.

A crise de caixa

Essa crise se origina pelo ritmo inadequado entre lucro e crescimento. A crise inicial mais a descapitalização conduzem, frequentemente, à crise de caixa, seja por possuir capital parado, crédito sem controle ou expandir demais sem a solidez necessária.

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Para evitá-la, a situação mais simples é implementar e realizar uma aplicação adequada do fluxo de caixa. Realize permanentemente uma análise dos períodos, no que se refere ao que entra e sai no caixa da empresa.

 A crise de organização e autonomia

Acontece quando a empresa desenvolve a estrutura com o objetivo de separar as funções de produção das comerciais, e o fundador perde o controle de algumas dessas áreas.

Para evitá-la, o empresário deve primeiro capacitar os funcionários e depois delegar, mantendo o controle sobre os setores mais sensíveis. Também se pode contratar um assessor.

A crise de delegação de autoridade

Chega quando a empresa é grande demais para ser dirigida por uma pessoa, mas pequena ainda para ser dirigida por uma equipe profissional de administradores.

Para evitá-la, existem várias soluções:

• Busque uma segunda pessoa forte. Alguns consultores competentes podem lhe ajudar nessa busca. Embora os problemas dessa crise sejam vários, como o próprio reconhecimento do dono de que ‘não sabe tudo’, e a participação financeira, exigida pelo segundo líder, é necessário chegar a um acordo entre o dono e essa pessoa, de forma que possam se complementar e sanar as deficiências. Assim, o diretor escolhido também atuará como o dono e dará continuidade à empresa.

• Contrate um assessor para as áreas que você não domina.

• Planifique uma fusão com outra empresa.

• Forme um conselho gestor. Essa ideia, raramente posta em prática, consiste em se reunir com outros empresários e intercambiar ideias sobre temas específicos que os preocupam.

• Analise como gasta seu tempo. Isso lhe permitirá saber a quais atividades ou pessoas você dedica mais sua energia; não esqueça que seus funcionários ou assessores podem se sentir frustrados por terem acesso difícil a você.

• Desenvolva uma equipe administrativa. Um a um, dedique tempo a eles, até ter certeza de que respondem às suas necessidades.

A crise de liderança

Essa crise é encontrada, como a anterior, quando a empresa já não pode ser conduzida por uma, duas ou três pessoas. São necessárias três mudanças:

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– Delegar mais autoridade (ainda mais?)

– Delegar em vez de executar (ensinar o que fazia)

– O proprietário precisa controlar por meio de informes

Para evitá-la:

• Estude administração, principalmente organização, finanças, marketing e recursos humanos.

• Torne-se um líder eficiente.

• Busque críticas honestas e confidenciais. Um consultor competente saberá como transmitir essas informações sem violar a confidencialidade.

• Estude seu trabalho, aprenda a se comunicar, a transmitir ordens; assista a cursos de capacitação.

A crise financeira

Mais cedo ou mais tarde a crise financeira chega a todas as PMEs e o proprietário precisa decidir entre várias alternativas, das quais destacamos:

– Utilização de recursos próprios.

– Utilização de empréstimos.

– Sócio(s).

– Venda de ações.

Cada um desses itens pode levar ao sucesso ou ao fracasso. Contudo, essa crise também pode ser evitada de três maneiras:

– Conceda, mas não perca o controle.

– Crie um fundo de expansão.

– Obtenha empréstimos de longo prazo.

A crise de prosperidade

A crise de prosperidade pode acontecer pelas seguintes causas:

• Busca do prazer e comodismo ou por problemas de crescimento rápido.

• Os problemas derivados da busca do prazer são aqueles ocasionados pelos empresários que, depois de sofrer tensões ou pressões por um tempo, conseguem estabilizar a empresa, dedicam-se a usufruir ‘os prazeres da vida’ e se acomodam: “Se consegui assim, para que mudar agora?”.

• Os problemas de crescimento rápido acontecem nas empresas onde o proprietário tende a superestimar sua capacidade e a de sua equipe.

• O empresário, após obter alguns sucessos, pode se encontrar exposto aos ‘aduladores’ de plantão, funcionários ou falsos amigos, que podem levá-lo a expandir sua empresa.

A recomendação para evitá-la é a seguinte: amadureça, evite que sua vida ‘particular’ influencie a empresa. Dê passos para trás, resgate a sua agressividade anterior. Planifique e controle os seguintes setores: crescimento das vendas; eficiência de produção; índice de lucro sobre capital investido; índice de retenção de clientes; desenvolvimento de produtos e crescimento dos recursos humanos.

* Carlos Mello Moyano é diretor do Instituto de Marketing do Uruguai (IMUR).

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