Palácio familiar

Palácio familiar
Maio 12 16:00 2009

Palácio familiar
Há meio século em atividade, a loja atua no mercado do Sul do País e firma parcerias com escolas e professores de música

Quem entra pela primeira vez nesta loja em Novo Hamburgo, RS, não imagina que a paixão pelo segmento tem tanto tempo. Tudo começou há 50 anos, quando o sr. Albano Brusius pegou uma carona com um amigo, dono de um comércio de instrumentos musicais, fechado com seu antigo estoque guardado em um depósito. A proposta foi imediata. O ex-dono ofereceu a loja e Brusius, sua caminhonete. A compra foi um presente para sua esposa, Alice. “O Palácio da Música teve muitas gestões, em que todos os herdeiros tiveram uma participação”, comenta Ariane Brusius, filha do casal, que conversou com a Música & Mercado.

>> O Palácio da Música tem cerca de 50 anos e começou com uma loja pequena perto da antiga Rodoviária de Novo Hamburgo. Quando surgiu a ideia de montar a loja? Sempre foi uma empresa familiar?
Há muito anos, meu pai pegou carona com um amigo, proprietário de uma loja de instrumentos musicais. Esse amigo ofereceu-lhe a loja e meu pai ofereceu em troca uma caminhonete: a partir daí saiu o negócio que fez com que minha família ingressasse no ramo de instrumentos musicais. O antigo proprietário pediu que fosse mantido o nome original do comércio que, em seguida, foi dado de presente para minha mãe, Alice — que trabalha até hoje na loja. Durante muitos anos, trabalharam somente meus pais e os filhos mais velhos. Quando eu e minha irmã éramos bebês, dormíamos em cima de capas de violão, dentro de uma prateleira.  

>> Por que escolheram Novo Hamburgo?
Era a cidade dos meus pais e onde estava localizada a antiga loja. O comércio local é forte e organizado. As pessoas reconhecem o bom atendimento e o comprometimento com que trabalhamos.

Leia também:  Feira da Música Centro Oeste será em Abril

>> Em seu site, você comenta que a loja superou as dificuldades, venceu os limites e hoje é uma das maiores do ramo no Estado. Na prática, as coisas foram como vocês pensavam? Quais foram as dificuldades e limites do negócio?
Foram muitas transições e muitas fases distintas. Manter um negócio por mais de meio século é um exercício de leitura e adaptação do mundo e das relações entre as pessoas.
    
>> E a concorrência na região? É possível praticar boas margens?
Antes as pessoas vinham de muito longe para comprar em nossa loja. Há cerca de dez anos, existem muitas lojas e mesmo a internet, que faz com que tenhamos de nos atualizar constantemente. Mas entendemos que o nosso principal concorrente é nosso próprio desempenho. Fazemos reuniões periódicas com a equipe para buscar soluções para as situações cotidianas, além de apostarmos muito na capacitação da equipe por meio de cursos e palestras.

>> Qual é o perfil dos consumidores do Palácio da Música?
Atendemos muitas pessoas que buscam manter um ambiente musical com suas famílias. Além de igrejas, escolas, bandas, DJs etc. Nossa loja aposta na educação musical. Minha família é formada por muitos professores e a linguagem musical está sempre presente. Somos a primeira loja ‘Sopro Novo Yamaha’ do Estado. Fazemos workshops e acolhemos com muita seriedade os professores comprometidos com o ensino da música.   

>> Também está no seu site que um dos grandes diferenciais da empresa é o atendimento. O que vocês fazem para conquistar o cliente?
Nossa equipe procura aprofundar sua capacidade técnica e humana. Esses dois elementos produzem um binômio fundamental para que sejamos considerados uma loja especializada em instrumentos musicais.

Leia também:  EDITORIAL: Todos precisamos mudar

>> Como vocês se mantém informados sobre novidades e lançamentos?
Nós nos atualizamos por meio de sites, revistas e feiras. Minha família participa da Expomusic desde a primeira edição.

>> Qual é a principal estratégia para o crescimento? Quais são as perspectivas futuras?
O nosso futuro é desenhado pela ideia de sermos melhores do que somos. Temos muitos pontos para evoluir. Nosso estoque está em fase de readequação e nosso display de produtos está ficando a cada ano mais sofisticado.

>> Pretendem abrir outras lojas?
Por enquanto, não temos meta de abrir outras lojas. Costumo dizer que os primeiros 50 anos do Palácio da Música já ocorreram e que nosso compromisso é fazer os próximos 50 anos terem também essa prosperidade de amigos, rede de referência e de respeitabilidade.

>> Qual é o produto que mais vende? Qual é a participação dos produtos importados no mix da loja?
O forte em nossa loja são os instrumentos de cordas. Violão, guitarra etc. Mas também trabalhamos com teclados, sopro, áudio e percussão.

>> Como você avalia o mercado de áudio e instrumentos musicais atualmente?
Ainda estamos no início. É muito complexo todo o ritual de uma venda. O que vale mesmo são as amizades que criamos em cada encontro com cada pessoa que entra em nossa loja. É uma postura de vida gostar de ajudar os outros, gostar de servir. Só consegue fazer isso quem gosta. O comércio de instrumentos musicais não é para pessoas normais. Quem trabalha em uma loja tem de ter um algo mais, senão acaba trocando de profissão.  

>> Qual é a importância do marketing em sua loja? Como ele é feito?
 Fazemos o tradicional boca a boca.

Leia também:  Linha de pedais TC Electronic está disponível no Brasil

 >>Vocês estão trabalhando também com escola de música e espaço para workshops? Como funcionam?
Temos um vínculo com as escolas de música da cidade e com muitos professores. Isso faz com que nos atualizemos sobre as demandas cotidianas. Outra prática é a dos workshops que fazemos na loja. O interessante é que aprendemos muito sobre o manuseio dos instrumentos e possibilitamos que isso seja compartilhado com as pessoas da cidade e região. É uma forma de contribuir com a cultura local.

>> Estão sentindo os efeitos da crise financeira mundial? O que mudou para vocês após esse episódio?
A mudança do dólar faz com que tenhamos de alterar os preços com bastante frequência. No mais, o movimento permanece estável.

>> Existe alguma dificuldade em relação aos fornecedores de instrumentos musicais?
Nossa relação com os fornecedores é muito respeitosa e cordial. Procuramos sempre parceiros e não aventureiros do mercado. E quando selamos uma relação comercial, buscamos ser leais com as combinações.  

>> Há alguma informação importante que você gostaria de acrescentar?
O mais bonito é ver a minha mãe, com 85 anos, vindo à loja todas as tardes. Ela abre a correspondência, separa as vendas para os cálculos das comissões e, principalmente, oferece chimarrão para os clientes. Ela é um exemplo de boa educação no atendimento e fundamentalmente paixão pelo comércio de instrumentos musicais.  

Comentários
view more articles

About Article Author

MM
MM

Música & Mercado é uma revista empenhada em promover e divulgar o mercado e negócios para a indústria de áudio profissional, iluminação e instrumentos musicais. Nós amamos o que fazemos.

View More Articles