Paixão pela guitarra e a música country

Paixão pela guitarra e a música country
junho 01 13:34 2018

Matheus Canteri, guitarrista de São Paulo, conta sobre sua experiência na indústria musical e os instrumentos que usa.

IMG copiaMatheus cresceu cercado por instrumentos, pois seu pai é luthier e hoje conta com a empresa HC Guitars. Aos 12 anos, depois de assistir ao clipe de Run To The Hills do Iron Maiden, Matheus decidiu que queria ser guitarrista e começou a estudar o instrumento. “Tive alguns professores dos 13 aos 16 anos e depois comecei a me interessar por country music e, como não encontrei material e não conhecia ninguém que tocasse o estilo, tive que desenvolver sozinho minha linguagem. Toquei em algumas bandas de cover e logo comecei a compor e perdi o interesse em apenas reproduzir músicas já consagradas”, contou. Em 2010 lançou seu primeiro CD, Instrumental de Granja.

Quais os projetos nos que está trabalhando atualmente?

Matheus: Eu estou gravando meu terceiro CD que está sendo mixado pelo mestre Tchucka Jr. que conheci quando viajei dando aulas de guitarra para Fernando Zor da dupla Fernando & Sorocaba. Na época Tchucka estava produzindo as músicas da dupla. Tenho feito vídeos demonstrando equipamentos para algumas marcas como a Fuhrmann, Anasounds (França) e também com as guitarras do meu pai. Além disso em julho tenho uma Turnê na Europa com a banda The Royal Hounds (de Tennessee). Eu toquei com eles em novembro passado quando vieram ao Brasil para uma turnê.

Como você estudou guitarra?
Matheus: Aprendi a maior parte na prática. Meu canal do YouTube acabou abrindo muitas portas e descobri essa ferramenta quando despretenciosamente fiz um vídeo para um concurso de guitarra organizado pela Santo Angelo Cabos e acabei sendo um dos vencedores. Aquilo fez com que eu tivesse uma exposição que não havia tido até então e eu percebi que deveria explorar isso. O convite para tocar com uma banda norteamericana também aconteceu dessa forma. Fiz um tributo à uma banda famosa pelos guitarristas que por ela passaram, e um deles acabou vendo e compartilhou em sua página. No dia seguinte minhas redes sociais estavam cheias de americanos que haviam assistido e entre essas pessoas, Scott Hinds, vocalista/baixista da The Royal Hounds. Acho que é importante planejar e pensar como usar as ferramentas modernas para mostrar seu trabalho real, não se pode ficar somente no virtual e se tornar um músico de quarto. Em 2016 participei do Americana Music Association Fest, um festival em Nashville que além de shows tem palestras sobre diversos temas relacionados ao lado emprendedor da música. Foi uma experiencia muito positiva.

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Tele copiaO que você acha da educação musical no Brasil?

Matheus: Acho que a arte em geral ainda está longe de ser prioridade no nosso País. Sinto que, por conta da sua ausência na formação do brasileiro, as pessoas têm uma enorme dificuldade em dar valor às formas de arte. Só vêem o aspecto do entretenimento, que tem sim sua importancia, porém nem sempre tem muita qualidade.

Pensando nas lojas e na disponibilidade de marcas e instrumentos no País, como você vê essa situação?

Matheus: O que eu vejo é um mercado um pouco desestimulado. Os altos impostos tornam instrumentos de maior qualidade bastante inacessíveis, isso faz com que seja difícil vendê-los e as lojas acabam focando nos instrumentos de iniciante, a maior parte fabricada na China com material de baixa qualidade. Por outro lado, é uma oportunidade para as pessoas conhecerem marcas nacionais. Tem muita gente fazendo instrumentos e equipamentos de altíssima qualidade no nosso País.

É endorsers atualmente de alguma marca?

Matheus: Eu tenho uma parceria com a Fuhmann há alguns anos. Minha relação com eles é ótima, eles sempre escutam minhas sugestões e opiniões sobre os produtos. Além disso, faço vídeos demonstrando os equipamentos e os utilizo em meus shows. Também faço os vídeos dos instrumentos fabricados pelo meu pai (HC Guitars), é sempre muito legal, pois acompanho todo o proceso de fabricação de perto e sempre fico com saudade quando o instrumento é entregue ao dono que encomendou.

Falando em equipamento, se pudesse escolher sua guitarra preferida, qual seria e por que?

Matheus: As guitarras baseadas na Fender Telecaster são as que mais me agradam. Aquele tipo de captação com o som estalado, a ponte fixa e a simplicidade dos controles são os aspectos que fazem com que eu goste tanto desse modelo, além do visual.

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E em amplificadores?

Matheus: Gosto muito do som limpo encorpado dos Fenders como o Deluxe Reverb, e gosto muito dos Mesa Boogie também, tenho um F100 e adoro o seu timbre. Um amplificador que ainda não tenho mas já usei em gravações e é simplesmente incrível é o Dr Z. Eles são feitos manualmente nos Estados Unidos, muito usados pelo ícone do country Brad Paisley.

Tele copiaConte mais sobre a fabricação na HC Guitars.

Matheus: Meu pai é um artista incrível e um estudioso. Ele leva muito a sério cada detalhe dos instrumentos que constrói. Tenho alguns modelos diferentes feitos especialmente para mim, porém a que uso mais é baseada no modelo telecaster, com um shape um pouco mais suave e sem escudo. A captação, que também é feita à mão, tem saída bem baixa, e isso, combinado com um corpo leve e um braço em Maple, faz com que o timbre fique bem estalado, o que é ótimo no country. Tenho outra parecida que além disso tem um B-Bender, um dispositivo que faz um bend de um tom somente na corda B e é acionado pela correia do instrumento. Esse é um mecanismo raro de se ver por aqui e meu pai o projetou baseado no modelo inventado pelo Gene Parsons, ficou excelente. A HC Guitars vai estar expondo na feira Music Show em setembro e eu estarei no estande participando também.

Qual você acha que será o próximo passo na sua carreira? 

Matheus: Eu venho trabalhando para fortalecer meu nome internacionalmente. Acho que a música é uma linguagem universal e gostaria de atingir o máximo de pessoas possível. Isso é também uma necessidade, pois o cenário musical nacional tem poucas oportunidades de trabalho para os que querem viver da música. Acho que o próximo passo é solidificar uma carreira que englobe outros países.

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