O sobe e desce do Dólar

O sobe e desce do Dólar
junho 11 10:50 2008

Diante da desvalorização do dólar e da queda do superávit da balança comercial nacional — o saldo de janeiro a março deste ano ficou em US$ 2,837 milhões, redução de 67,5% em relação ao primeiro trimestre de 2007 —, economistas ouvidos pela revista Música & Mercado revelam que é tempo de cautela e estratégia para a indústria brasileira: tanto exportadoras como importadoras precisam levar em conta que a economia do País — e também a mundial — é cíclica e exige das empresas planejamento ante períodos de altas e baixas nos negócios.

Desde 1994, com a implantação do Plano Real, o País sente os reflexos da instabilidade do câmbio. Logo após a instauração da nova moeda, o momento foi de êxtase. Viveu-se a queda da inflação e o aumento do consumo. Conseqüentemente, as exportações aumentaram. Em 2002, depois de medidas por parte do governo para conter o cenário, o câmbio chegou a atingir R$ 4. De lá para cá, a moeda americana voltou a cair até chegar ao atual patamar de R$ 1,70.

Toda essa instabilidade, apesar de prejudicar o desenvolvimento, funciona como uma faca de dois gumes para a economia nacional, como explica Fábio Gallo, professor do departamento de finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Por um lado, o real valorizado gera efeitos positivos, como o controle da inflação e produtos mais baratos tanto ao consumidor como para importadoras. No entanto, as exportadoras saem prejudicadas”, comenta.

De acordo com Gallo, para as fabricantes tornarem-se competitivas, elas devem ofertar produtos com algum diferencial e qualidade. “Se o meu preço é mais alto, a mercadoria precisa ser melhor”, explica. O professor revela, no entanto, que provavelmente o empresário brasileiro encontrará outras barreiras na hora de aprimorar o produto, como difícil acesso ao crédito e à tecnologia. Diante dessas dificuldades em competir no mercado, Gallo acrescenta que, às vezes, o melhor a fazer é esperar por uma mudança no cenário. “É preciso segurar a onda e tentar melhorar a produtividade”, diz.

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É o que tem feito a Meteoro, que sofreu queda de 70% nas exportações. Segundo o consultor de marketing e negócios da empresa, Mello Júnior, a empresa tem investido em serviços de marketing e reforçado parcerias para permanecer no mercado externo.
As medidas (aqui tem uma seta para o Box com as explicações) anunciadas em março pelo governo para incentivar as exportações também foram vistas como tímidas pelo consultor. “Foi muito pouco, ainda há muito para acontecer. O governo deve estabilizar o preço do dólar em um valor compatível com a realidade e diminuir impostos para gerar incentivos”, opina. O professor Gallo acredita que, para resolver a questão, o governo precisaria atuar firme na redução dos juros. “Há anos optou-se por olhar a apenas a meta inflacionária.”

Importação
Enquanto as fabricantes tentam contornar a situação difícil, para as importadoras o momento é de preparar os negócios para possíveis mudanças no câmbio, como realizar bons negócios, estruturar o nome e incrementar a compra de equipamentos.
O professor da Trevisan Escola de Negócios Pedro Raffy Vartanian acrescenta que, às vezes, a saída é atuar em ambos os mercados, importação e exportação. “Dessa forma, as empresas estão prevenidas em relação a possíveis crises.”

Incentivo à exportação:
– Incidência da alíquota de 1,5% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre o investimento estrangeiro em título público e em renda fixa no País
– Fim da incidência de 0,38% de IOF nas operações de câmbio das exportações
– Fim da cobertura cambial (recursos de exportações que as empresas são obrigadas a trazer para o País)

O que fazer em épocas de dólar baixo?
Importadoras:
– Expandir os negócios
– Adquirir equipamentos
– Planejar um crescimento de longo prazo, levando em consideração possíveis altas da moeda (aqui pode estar a possibilidade de atuar também com fabricação)

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Fabricantes e exportadoras:
– Investir em produtos de maior qualidade e tecnologia, de modo a torná-los competitivos
– Reduzir custos e melhorar a produtividade
– Atuar com importação
– Estruturar-se e aguardar com calma uma mudança de cenário

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