O segredo da pós-venda

O segredo da pós-venda
junho 11 10:19 2008

Uma das primeiras empresas a apostar na comercialização de caixas ativas (caixas acústicas com amplificador) no mercado interno, em 1998, a Antera comemora neste ano o décimo aniversário com uma marca estruturada. O foco no custo-benefício e na pós-venda dos produtos fez a fábrica não ser atingida diretamente pelas mercadorias importadas e crescer cerca de 20% em 2007 em relação a 2006. O desempenho acompanha a alta de 10% a 20% verificada nos últimos anos, segundo a empresa. Para 2008, a expectativa é continuar no mesmo patamar de crescimento.

A política direcionada ao marketing e ao conceito de base da marca é outro fator que impulsiona o incremento dos negócios anualmente, como explicou o gerente comercial Hélio Mestrello. “A nossa caixa não tem segredo. Buscamos descobrir o que músico precisa no equipamento e o aprimoramos. Não adianta simplesmente copiar o produto que vem de fora. Procuramos adaptá-lo ao mercado nacional”, explica. A ação, segundo ele, colabora para a solidificação da mercadoria no mercado.

A idéia de fabricar caixas ativas veio por meio da percepção de uma necessidade dos consumidores. Nos anos 90, os atuais proprietários da Antera, os irmãos Jurandir e Valdir Jorge Tecco, tinham uma assistência técnica de eletrônica. Sempre em contato com os músicos, eram questionados sobre a necessidade de um produto compacto, como as caixas ativas, no mercado nacional. Apesar de o equipamento já ser comum em outros países na época, o modelo não fazia muito sucesso no Brasil. “Foi então que ambos resolveram produzir o material”, revela o gerente.

Expansão

Com o passar do tempo, todo o mercado abriu os olhos para o produto por causa de sua praticidade. Hoje, segundo Mestrello, elas são responsáveis por mais de 80% das sonorizações de pequeno, médio e, em alguns casos, até de grande porte no País. Além disso, praticamente todas as empresas do segmento de áudio profissional já comercializam o item atualmente. Na Antera, as caixas ativas são responsáveis por 90% dos negócios.

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A proliferação do produto pelo mercado, no entanto, fez com que a empresa buscasse alternativas para ser mais competitiva. “Há cinco anos havia duas, três empresas que trabalhavam com caixas ativas. Hoje são todas. Apesar de ser difícil se manter, procuramos focar o trabalho no desenvolvimento de nossos produtos. Se ficarmos de olho no concorrente, não fazemos nada”, afirma Mestrello.

Comércio exterior

Diferentemente da maioria das fabricantes nacionais, a Antera ainda não foi em busca do comércio exterior. Isso vale tanto para a exportação como para a importação de produtos asiáticos por melhores preços. Por enquanto, o direcionamento da marca é aprimorar-se no Brasil. Para isso, a fábrica conta com um laboratório de pesquisa e elabora projetos durante o ano todo.

“Enquanto não existir uma política equilibrada, principalmente de impostos, no mercado brasileiro, fica difícil pensar em grandes investimentos na exportação. Sabemos que algumas mudanças já começaram. Pensamos na possibilidade de exportar num futuro próximo.”

Pós-venda

Consciente de que há modelos importados com mais tecnologia, o gerente justifica por que a empresa não sentiu muito o impacto do aumento dos itens vindos de fora em 2007, devido à desvalorização do dólar. “Um produto importado de alta tecnologia é mais caro que o nosso e não possui uma pós-venda de qualidade no País. As caixas da Antera têm qualidade e garantia”, diz.

A justificativa é a mesma sobre os produtos chineses, por exemplo. Segundo Mestrello, apesar de serem mais baratos, eles não contam com boa tecnologia. “O consumidor final é muito bem informado sobre os riscos com importados. O profissional de áudio está buscando qualidade de manutenção desse produto em uso e nós garantimos esse atendimento.”

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Para 2008, a Antera continuará desenvolvendo novos produtos, sempre com o foco no custo-benefício. Isso porque a empresa não gosta de taxar suas mercadorias como premium ou populares. Segundo Mestrello, o ideal é tentar desenvolver a mercadoria de acordo com a demanda.

“Nossos equipamentos possuem destinos diferenciados porque a utilização de áudio passa pelo gosto pessoal de quem sonoriza. O que existe são situações que exigem produtos de alto desempenho e outras em que não haja esta exigência.” Segundo ele, há mais de dois anos o carro-chefe são as caixas acústicas de multiaplicação (Fly, PA, monitor). O público gospel, de acordo com Mestrello, é responsável por 80% dos negócios da Antera. “Esse público procura cada vez mais soluções para sonorizar as igrejas.”

Também não há uma estratégia definida para ser acompanhada durante o ano. “A situação é muito mutável. Procuramos sempre acompanhar e esclarecer fatos geradores ou indicadores de mercado, tais como política de preço, de faturamento e, principalmente, a parceria com nossas revendas.”

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