O novo cenário da sua loja

O novo cenário da sua loja
setembro 21 10:58 2009

O novo cenário da sua loja

Equipamentos e mesmo a concorrência têm como base
 o avançado uso da tecnologia.
 Qual será sua postura diante
 de um panorama tão digital?

Se você acredita que a tecnologia é o lobo mau, tenha a certeza: ela realmente vai devorar o mercado. O conceito Computer Music não é novidade e já vem sido bastante explorado por lojas com perfil mais ousado, que não tem medo de correr riscos. Lojas assim ainda são raras, mas se você não está entre elas, precisa começar a modificar seu jeito de pensar e sua atuação comercial. Não se engane, o Computer Music veio para ficar! E, você, também quer continuar no mercado? Claro que quer, então, continue pelas linhas abaixo e descubra como atualizar-se e preparar-se para essa nova realidade.

Medo de tecnologia: eu?

Muitos consumidores — e até mesmo lojistas — têm preconceitos no que se refere à tecnologia. Argumentam que tecnologia é sinônimo de preço alto. Pura falta de informação, já que para os especialistas de produtos da Quanta Music, Daniel Raizer e Jobert Gaigher, a tecnologia é a principal aliada na solução de problemas. Uma relação custo-benefício que torna a sua aplicação muito mais barata, já que realmente sana os problemas de forma eficiente. Eles explicam: “Até pouco tempo só podíamos gravar um trabalho musical em casa utilizando um gravador de fita cassete — que tinha qualidade de som muito ruim. Agora podemos usar o computador e uma placa de som para gravar com qualidade melhor que a dos CDs convencionais de música por um preço módico”.

De fato, a democratização da produção musical só foi alcançada com a acessibilidade e a popularização dos produtos de tecnologia musical. Hoje, qualquer pessoa pode gravar, com qualidade, as suas músicas em casa, distribuí-las e, até, comercializá-las via internet. Tudo é feito de maneira virtual. Novos artistas, como Mallu Magalhães e Andy McKee, conseguiram uma projeção real com a ajuda fundamental de sites como o YouTube e o MySpace.

A velocidade na troca de informações e o alcance da divulgação pela rede são infinitamente superiores se comparados a outros meios de comunicação e com uma vantagem: muito mais baratos. Vale lembrar que muitos apontam essa facilidade como a causa da crise da indústria fonográfica, em meados de 2003, da qual as grandes gravadoras nunca mais saíram.

Um fator determinante para baratear a tecnologia foi a substituição das mídias analógicas pelas digitais. Por exemplo, no passado, poucos tinham a possibilidade de adquirir um gravador Tascam e mesmo esses ‘privilegiados’ tinham de desembolsar um bom dinheiro por rolos de fitas para produzir fonogramas de qualidade. Alguns estúdios reutilizavam essas fitas, o que significava ainda perda de qualidade, além de ser uma operação difícil, que gerava o custo de um especialista. Atualmente, computadores velozes, HDs, pendrives, a facilidade na gravação de CDs e DVDs — cada vez mais baratos — garantem qualidade sonora e simplicidade de uso. Com um computador, o usuário pode acumular as funções de produtor musical, técnico de som, músico e distribuidor fonográfico. O fator ‘preço’ é motivo forte o suficiente para tornar qualquer consumidor ávido para comprar tecnologia.

Tecnologia de ponta — leia-se produtos inovadores — terá sempre um custo mais elevado do que os outros produtos, mas é a evolução constante de tecnologias que a torna acessível. Ou seja, o produto que hoje é inacessível para a maior parte dos consumidores amanhã poderá ser o top seller da sua loja.

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Produtos inovadores, como interfaces de áudio, porta-estúdios digitais, instrumentos eletrônicos e softwares se apresentam como soluções de relação custo/benefício muito bem-aceitas no mercado. Veja, por exemplo, o caso de um tecladista que admire a sonoridade de um piano elétrico Fender Rhodes, instrumento raro e caro. Esse tecladista tem duas opções: encontrar um modelo com condições de uso — e desembolsar uma pequena fortuna por ele — ou adquirir um software emulador, que recria sons de diversos instrumentos e pode ser instalado no computador, sendo tocado por um teclado controlador, tudo isso por um preço muito mais acessível.

O lojista não pode ter a ilusão de que os consumidores estão plenamente conscientes de como os produtos tecnológicos podem facilitar a sua vida. Ele precisa levar ao cliente essa informação. O estudante que compra um gravador digital portátil multicanal, por exemplo, poderá gravar uma base, estudar improviso e fazer um comparativo de sua evolução, identificando seus erros. Por que não oferecer o produto na hora da venda de uma guitarra, por exemplo? “Muitas pessoas não sabem que é fácil, barato, e que podem alcançar resultados impressionantes ao utilizar um computador e alguns equipamentos de tecnologia para produzir música”, esclarecem os especialistas da Quanta.

Parece ficção científica

Expressões como facilidade de uso, interface amigável, portabilidade estão em moda e apontam tendências do mercado de instrumentos musicais. Para Alex Lameira, gerente de produtos da Roland Brasil, das marcas Cakewalk, RSS e Edirol, as tendências tecnológicas estão sempre relacionadas à facilidade e à inclusão de novas ferramentas. Um exemplo é a função de cortes em uma edição musical feita por apenas alguns cliques no mouse, ou ainda o fato de uma plataforma multipistas disponibilizar recursos para, além de mixar, masterizar uma faixa. “Na parte de equipamentos musicais, os destaques são a transmissão via rede, a facilidade de gravação e monitoração, simuladores de amplificadores e de sonoridades bem próximos do som original com um custo-benefício impressionante. O laptop já é uma realidade nos palcos”, completa.

O avanço visual e a usabilidade dos sistemas também permitem a operação muito mais simples de qualquer software, sem ser necessário que o usuário entenda de linguagem de programação. Além disso, as conexões dos equipamentos estão mais simples, com número de conectores bem menor, propiciando mobilidade e ganho de espaço inimagináveis. É o caso dos produtos baseados no protocolo Reac (Roland Ethernet Audio Communication), da Roland, que efetua a transferência de áudio por meio de cabo de rede. “Só para se ter ideia, é possível passar 40 canais por um único cabo de rede”, informa Lameira. E já existem os equipamentos que não necessitam de nenhum fio, graças a conexões bluetooth e wireless.

Os especialistas de produtos da Quanta apontam ainda para a mudança que ocorreu no mercado de tecnologia musical, mostrando que, antigamente, os computadores eram caros, instáveis e incompreendidos. Mesmo assim, algumas lojas de instrumentos musicais vanguardistas criavam pequenos setores chamados de computer music, que, aos poucos, foram ganhando espaço e se tornando realmente uma seção de tecnologia. “A evolução e a queda dos preços dos produtos digitais nos últimos anos estão nos levando cada vez mais a entender o conceito de computer music não como um departamento, mas sim como tendência de integração de tecnologia digital com praticamente todos os departamentos de uma loja de instrumentos musicais ou de áudio”, afirmam.

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Alguém duvida de que em poucos anos não encontraremos no mercado guitarras elétricas ou teclados profissionais com pelo menos uma porta USB ou algo similar? Já existem instrumentos mais leves e compactos capazes de se integrar com um computador, como o Ovation Idea (veja na pág. 94), que possui gravador MP3 embutido capaz de registrar a performance do músico e transferi-la, em tempo real, para o computador. “Os instrumentos musicais elétricos e eletrônicos carentes de uma conexão digital serão para o futuro o que hoje é para nós uma televisão sem entrada de áudio e vídeo”, completam.

Instrumentos acústicos em extinção?

Fato: a tecnologia não fará com que os músicos, amadores ou profissionais, deixem de comprar instrumentos acústicos. Os especialistas da Quanta acreditam que é muito provável que esse consumo até aumente, graças ao preço reduzido e à praticidade proporcionada pela tecnologia. Mas também é possível que enquanto uma fatia dos consumidores migre para os mercados digitais, outra parte continue fiel aos instrumentos acústicos. “Vale frisar que alguns mercados devem morrer ou diminuir drasticamente por uma questão de praticidade”, revelam. Os especialistas da Quanta ainda preveem que “o piano deve experimentar o mesmo que experimentou o cravo no século 18. Cada vez mais será mais comum encontrar um teclado com som de piano do que um piano acústico. Isso já é visível. O piano não morrerá, mas se tornará cada vez mais raro, menos comercial e mais caro”.

Por mais apocalíptica que possa parecer, a extinção de alguns mercados é inevitável também pela necessidade de alternativas que promovam uma economia sustentável e se preocupem com o meio ambiente. Já há algum tempo existem pesquisas que buscam soluções eficientes para substituir a madeira na construção de instrumentos musicais, como podemos ver nas guitarras construídas com o corpo em acrílico e na linha X Series da Martin, com seus instrumentos confeccionados em HPL (laminado de alta pressão) — material sintético que pode ser confeccionado simulando texturas de madeiras tradicionais.

Futuro feliz

Não se sabe ao certo onde é que toda essa evolução tecnológica vai nos levar, mas quem não estiver preparado para ela perderá muito terreno. O perfil do consumidor está mudando. O jovem de 13 anos cresceu com acesso à internet e prefere interagir com colegas de condomínio pela tela do computador, o que dirá quando se trata de consumo?

Educação musical:
um nicho a ser explorado

A tecnologia digital também diminuiu a distância e rompeu fronteiras. Um músico brasileiro antenado pode ter acesso ao que é produzido de material didático em qualquer lugar do mundo. Aulas online de música são possíveis de serem realizadas graças a computadores com acesso a internet banda larga, câmeras com alta resolução, programas de mensagem instantâneas, como o Skype ou o MSN, mixers compactos e interfaces de áudio. Saber oferecer produtos que atendam as necessidades desses professores, equipamentos compactos com saída USB, por exemplo, pode ser o diferencial de uma boa venda. A educação à distância também está se desenvolvendo, especialmente nos cursos de graduação – que receberam notas superiores a cursos presenciais na prova do ENADE. Este é um nicho que tem muito campo a ser explorado, em especial, com produtos musicais/tecnológicos que facilitem uma maior integração com o universo virtual. Exemplos de softwares para educação musical: Sibelius Star Class e EarMarte School.


A concorrência do e-commerce


E como fica a questão da concorrência com a loja virtual? As lojas de rua conseguirão sobreviver? Estudos apontam que quem procura o e-commerce busca mesmo o melhor preço. Já que não possuem estrutura física, as lojas especializadas em e-commerce podem oferecer produtos com preços muito mais atraentes — na maioria das vezes impraticáveis para uma loja convencional. Isso aumenta dramaticamente a pressão sobre os preços em diversos setores, no mundo inteiro. Sendo assim, as lojas precisam disponibilizar serviços e diferenciais impossíveis para o e-commerce.

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Uma das formas mais evidentes é oferecer consultoria na hora da venda, apresentando produtos que podem solucionar os problemas exclusivos daquele cliente. Em geral, o músico prefere ir a uma loja convencional comprar o seu instrumento, tudo para “sentir” sua tocabilidade e sonoridade. “No mercado musical há o agravante de que normalmente o músico quer provar o instrumento antes de investir”, lembram os especialistas de produtos da Quanta Music, Daniel Raizer e Jobert Gaigher. “Esses consumidores estão atentos a todas as informações disponíveis na internet, e o vendedor precisa estar preparado”, orienta o gerente de vendas para a América Latina da Numark USA, Anthony Lamond.

Para o consumidor tradicional, o e-commerce ainda não serve, como também não atinge os anseios dos consumidores carentes de informação e ávidos por uma consultoria com um especialista. “A única barreira ainda a ser transposta pelos lojistas é a ideia de ter vendedores especializados em tecnologia. Em um universo de 800 lojas que a Yamaha atende, no máximo 1% possui um especialista”, conta o gerente de marketing da Yamaha, Pardal. “A quantidade de clientes perdidos por falta de informação e de formação do vendedor é muito grande”, completa.

Mas será que contar com um especialista e ter um vendedor capacitado para informar o cliente sobre qual produto atende melhor a sua necessidade são o bastante? Se não é possível entrar na guerra de preços, programas de garantias estendidas podem ser soluções momentâneas.

Esse nicho de vendas on-line é uma realidade que o lojista não pode ignorar. Muitas empresas estão traçando estratégias para se aproximar do seu consumidor, uma delas é a internet colaborativa, que atua em redes sociais como Orkut, Facebook, Twitter e fóruns (veja matéria da pág. 50).

Se por um lado o mercado convencional — que já é grande — deve experimentar certo crescimento nos próximos anos graças à era digital, o e-commerce, que ainda é pequeno, deve apresentar um crescimento muito maior no decorrer dos próximos dez anos. “Talvez no futuro comecem a aparecer lojas híbridas que ofereçam atendimento personalizado de qualidade por meio dos recursos da realidade virtual, mas isso ainda deve demorar um pouquinho”, preveem os especialistas da Quanta.

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