O limite da razão

O limite da razão
janeiro 23 08:53 2017

Vida virtual, uma realidade que não tem horários. Acontece também com você?

São 22h30 de um dia qualquer e aquele som característico faz com que o sono que estava chegando volte para onde quer que estivesse. Um som agudo, incômodo, fóbico e causador de ansiedade.

Em um gesto intuitivo, automático, quase que natural, volto os olhos para o meu aparelho de telefone, que hoje chamam de smartphone, e eu, carinhosamente, de Phobia-phone.

E lá esta ela: uma mensagem no grupo de trabalho, uma pergunta irrelevante, uma solicitação, um dado ou informação que naquele minuto não me serve para nada além de afugentar meu sono ainda mais.

Enquanto a mobilidade é cada vez mais presente na nossa vida, aplicativos de chat têm se tornado o instrumento perfeito para um controle absoluto, impaciente e acelerado. Criados para facilitar a troca de frases rápidas entre pessoas, estes se tornaram ferramentas de trabalho que aceleram negócios, conversas e decisões. Mas por que são usados de maneira indiscriminada? Sem critérios ou regras? Noto que até mesmo nos dias de hoje, antes de ligar para alguém, seja em casa, seja no número celular, dou uma olhada no relógio e vejo se a chamada não seria inconveniente àquela hora. Penso bem se a informação que desejo transmitir não poderia ser entregue no dia seguinte. Então, por que o aplicativo é diferente?

“Ah! Porque a pessoa que recebe a mensagem responde quando quer… É assim que funciona, cara.” Eu penso: experimenta não responder ao meu chefe para você ver!

Não. Isso não se trata de responder quando dá na orelha. Trata-se de o meu colega, chefe ou família estar necessitando de algo urgente. E fatalmente iremos olhar. Não há mais limite de horário. Acabou-se a privacidade. E todos nós achamos isso ótimo! Afinal, somos antenados e conectados e já não necessitamos de telefones, nem de carros com motores a combustão, nem mesmo de realidade, mesmo que esta seja a rota direta de nossas conquistas e ganhos. Seria então melhor viver em um mundo virtual? Comprar um carro elétrico e esquecer de vez aquele V8?

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Produção móvel

O uso de aplicativos deve ser feito de maneira a extrair mais produtividade. São criados para uso em ambientes onde sistemas de plataformas cruzadas alongam distâncias entre as diversas unidades de uma companhia. Nisso se tornam efetivos e produtivos. Utilizados com parcimônia, de maneira a não deixar mal-entendidos, e nos horários de trabalho adequados, são sim uma maneira de obter respostas rápidas e assim melhorar o desempenho.

Sim! Também servem para seu chefe te acionar a hora que quiser e saber como anda aquele projeto, importante ou não. Serve ainda para modificar a maneira que planejamos, já que neste mundo imediatista, as respostas são carregadas de dúvidas e um ‘typo’ (erro de digitação que pode causar a má interpretação do interlocutor sobre algum assunto) pode colocar tudo a perder. E o corretor, então? Depois que o “enviar” foi apertado, resta apenas se desculpar.

Mas e quanto às vantagens? Podem me chamar de velho, antiquado, mas não vejo nenhuma. Bom, talvez digitar enquanto se está em uma reunião para buscar informações, sem ter que interromper a mesma, seja uma vantagem. No entanto, por que já não foi à reunião preparado?

Mas funciona também como um backup de dados, provando que tal conversa foi efetivamente mantida em dia tal, hora tal, caso eu necessite provar. Bem, isso é realmente necessário? Onde ficou a confiança?

E também funciona como um instrumento de comunicação para clientes em que a cada hora mando estoque, promoções e tudo mais que me dê na cabeça. Eu te bloquearia!

E, obviamente, como uma ferramenta extremamente útil de compartilhamento de coisas inúteis que, ao menos, nos fazem rir.

Bloqueado! 

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E que tal passar a utilizá-lo menos? Com mais eficácia e inteligência, em horários específicos e adequados. Ou será que este já virou um vício? Uma patologia? Uma dependência? Tente passar um dia sem um aplicativo desses. Caos nacional! Uma barbaridade! Minha ferramenta de trabalho está desligada! Sem ela eu não sou ninguém!

Nem que fosse das 22h às 6h? Eu acho que é melhor procurar ajuda.

E talvez, se eu dormisse melhor, o meu sorriso viria mais fácil. Mas enfim, peço que me deixem interromper esta matéria, pois tenho de responder este aqui das 23h59, é do meu chefe e ele não pode esperar. Até breve!

Obs: Esta é uma obra de ficção e uma crônica dos novos tempos e de suas ferramentas que cada vez mais se tornam parte de nossas vidas.

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Joey Gross Brown
Joey Gross Brown

Sólida experiência em vendas, marketing e administração geral adquirida em grandes empresas líderes de mercado, reportando-se diretamente ao conselho de administração e/ou presidência. Vinte e dois anos de experiência de gestão sólida, incluindo planejamento, execução e avaliação de pequenas, médias e grandes projetos para todos os tipos de tamanhos de empresas. fluência total em Inglês, Português e Espanhol. Líder da equipe de auto-motivado e resultado impulsionado profissional com habilidades ideais para a condução de pequenas e grandes equipes para realização alvo em qualquer tipo de ambiente.

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