Music China: o mundo é aqui

Music China: o mundo é aqui
fevereiro 07 11:37 2007

Música & Mercado esteve na Music China, que figura entre as três principais feiras de instrumentos musicais do mundo


Depois que boa parte das grandes marcas mundiais colocou seus pés em solo asiático, a transferência de expertise na fabricação dos produtos foi imediata. A China não é um grande país, ela será. Nesta afirmação não há tom de desprezo em relação à atual China. O fato é que, ao visitar o país, a impressão que se tem é que, mesmo estando muito além do que ouvíamos ou lemos a respeito, a terra de Mao tem se desenvolvido em um ritmo alucinante.
Em um cenário que muda ano a ano, com prédios antigos dando espaço a arranha-céus, o mesmo ocorre com as indústrias, que se fortificam e crescem vertiginosamente. Nessa história fica a pergunta: haverá produção em massa em outros países após a entrada da China? É a nova revolução industrial em um mundo menor?
No campo do áudio e dos instrumentos musicais, Música & Mercado foi convidada para cobrir a Music China, feira produzida pela MesseFrankfurt, mesma organizadora da Musikmesse, na Alemanha.


A feira em números
Mais de 33 mil pessoas de 89 países marcaram presença na quinta edição da Music China, segundo a organização do evento, número 13% superior ao da edição 2005. Esses dados colocam a feira asiática entre as três mais importantes do setor de instrumentos musicais no mundo. De 18 a 21 de outubro, 971 empresas de 24 países expuseram seus produtos e serviços nos cinco pavilhões do New International Expo Centre, em Xangai. “Hoje, para ser uma empresa de relevância global, é preciso participar dos três principais eventos internacionais: Frankfurt, Anaheim e Xangai”, observou Tom Rees, da inglesa Gig Bags.
Com sua localização estratégica na Ásia, a China se tornou um eficiente mercado para os fornecedores de áudio e instrumentos musicais promoverem seus produtos para um público ávido por novidades no país. Além disso, a feira passou a ser uma grande fonte de novos contatos para quem veio da Europa e das Américas. “A Music China foi uma oportunidade única de encontrar pessoas do setor de várias partes do mundo”, disse Brian Cleary, da também inglesa Barnes & Mullins. “Escolhemos a feira da China para lançar nossos produtos porque sentimos que as pessoas participam desse evento com a mente mais aberta às novidades do que em outras ocasiões. Fizemos muitos novos e bons contatos com representantes dos mercados norte-americano e japonês”, complementou.
Para muitas das empresas internacionais, a participação na Music China não foi apenas uma oportunidade para a demonstração de produtos, mas parte de uma estratégia de longo prazo de criar memória de marca e estimular a demanda de mercado na própria China, que tem um enorme potencial a ser explorado. “Não viemos para a China para vender. Estamos aqui para promover nossos produtos para músicos profissionais e criar demanda no mercado local”, afirmou Laurence O’Neill, vice-presidente da associação francesa de fabricantes de instrumentos. A Music China se consolidou como um evento de apelo internacional, com mais de 2.600 visitantes vindos da Europa, Japão e Estados Unidos.

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Participação da NAMM
Pela primeira vez, a NAMM, Associação Internacional da Música, com sede nos Estados Unidos, participou da Music China, em Xangai, apresentando palestras, cursos e eventos ligados ao mercado de instrumentos musicais, todos vinculados à NAMM University. A idéia foi transformar a feira em um ponto de encontro dos empresários e executivos do setor na Ásia. A Music China é organizada pela Messe Frankfurt, Intex Shangai e pela Associação Chinesa de Instrumentos Musicais (CMIA), com apoio da NAMM como parceira internacional. “Este ano contamos com 800 empresas e fornecedores do setor”, afirmou Cordelia von Gymnich, vice-presidente da Messe Frankfurt. “A entrada da NAMM University no evento criou uma plataforma educacional que, com certeza, agregou valor para os expositores e visitantes. É um grande desenvolvimento para nós e esperamos estar caminhando bem junto à indústria de instrumentos musicais na China.”
Os horários dos workshops e convenções liderados por representantes da NAMM foram divididos em três partes, quando se discutiram os rumos do mercado de instrumentos na China e em todo o mundo.


Prolight + Sound
Como é característico das feiras promovidas pela Messe Frankfurt, o setor de áudio e iluminação recebeu atenção especial. Em um anexo do New International Expo Centre, em Xangai, aconteceu a quarta edição da Prolight + Sound Xangai, com um aumento de 21% no número de visitantes, que em 2006 foi de 12 mil pessoas de 80 países. Com 200 expositores, foi possível conferir as novidades em produtos e tecnologia nas áreas de acessórios, iluminação e sonorização.


Distribuidores
Se por um lado globalização e comunicação trouxeram a facilidade de negociar a distância, maus empresários e fábricas duvidosas se encontram em cada esquina  da China. Muitos distribuidores recém-chegados se aventuram a trazer para seus países produtos sem atentar para a origem da compra. Não resistir à tentação de pagar até sete vezes menos do que custa em seus países é o pecado mortal para muitas empresas. Basicamente há dois tipos de  empresas na China: aquelas que detêm a maior parte do processo de produção e aquelas que juntam as partes feitas por diversas terceirizadas. Em geral, a segunda é a que apresenta o maior risco para os desavisados.
De acordo com Jorge Rodrigues, consultor de importação, o erro é acreditar que se descobriu uma empresa com melhor preço que as demais. “Não existem milagres. Se o valor é muito baixo, há algum erro ou problema no processo”, comenta. “Nesse barco da busca dos produtos mais baratos a qualquer custo encontram-se novatos na distribuição e lojistas pequenos querendo atravessar os distribuidores”, explica Rodrigues. Isso não é uma tarefa fácil. Mesmo os distribuidores mais experientes, por vezes, têm algum problema com seus fornecedores. “A China é um mistério, você precisa estar atento a tudo. Uma hora nós recebemos um carregamento perfeito, outra hora não”, comenta um distribuidor brasileiro que preferiu não se identificar. Nessas idas e vindas, só os mais fortes sobrevivem.

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Números da Music China


VISITANTES
Locais: 30.478 (aumento de 13,5%)
Estrangeiros: 2.649 (aumento de 10%)
Total: 33.127
OS 10 MAIS
1) China
2) Coréia
3) Japão
4) Estados Unidos
5) Alemanha
6) Taiwan
7) Cingapura
8) Hong Kong
9) Rússia
10) Malásia


EXPOSITORES
Total: 971 (aumento de 28%)
Locais: 738
Estrangeiros: 233
Número de países representados: 24


OS 10 MAIS
1) China
2) Alemanha
3) França
4) Itália
5) Coréia do Sul
6) Estados Unidos
7) Espanha
8) Taiwan
9) Reino Unido
10) Áustria

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