MUNDO DIGITAL: Muito além dos computadores e redes sociais

MUNDO DIGITAL: Muito além dos computadores e redes sociais
Maio 13 12:10 2011


Considerar as plataformas digitais antes de traçar uma estratégia de marketing é tão importante quanto o conteúdo que você deverá colocar nelas

Por Juliana Cruz

Para explorar com sucesso as mídias digitais, uma empresa deve ter alguns aspectos em mente. Sobretudo no que se refere ao digital em si, que não se restringe apenas ao computador. Existem muitas outras plataformas digitais, como os tablets (iPads e similares), netbooks, e, é claro, o próprio celular; além de muitos meios para se divulgar um conteúdo.

Como palestrante de um dos mais importantes eventos relacionados a tendências digitais no País, o Digital Strategies Summit 2011, ocorrido na capital paulista em março, a jornalista Cristina De Luca, diretora de conteúdo do Grupo Now!Digital, foi enfática ao falar sobre a questão do conteúdo virtual e em como ele deve conversar com o suporte, ou seja, com a ferramenta pela qual será divulgado.

A jornalista destacou que as plataformas e mídias digitais estão aumentando cada vez mais e que é a hora de investir em divulgação de produtos por esses novos meios, sem esquecer o básico: “A velocidade de conexão com a internet no Brasil é baixa para a maioria dos usuários, e vídeos, por exemplo, tendem a demorar para carregar, podendo, muitas vezes, fazer com que o internauta desista deles”, explica De Luca. “É sempre bom ter multiplataformas, como vídeos, comunicação móvel e blogs, para se relacionar com o consumidor”, complementa.

Como atingir seu cliente?

É aí que entra a personalização do conteúdo de acordo com público-alvo, cultura, região, poder aquisitivo e, também, o meio digital pelo qual será inserido. Esse foi, inclusive, o tema da última edição da National Retail Federation (NRF, umas das principais feiras de varejo do mundo), realizada em Nova York, EUA, no início deste ano. O evento focou na necessidade de simplificar a compra e o relacionamento com o consumidor usando a tecnologia como parceira desse processo.

Muitas pessoas, por exemplo, ainda utilizam o Orkut em vez do Facebook como plataforma de relacionamento. Da mesma forma, internautas antes ativos no Twitter encontraram no Facebook todas as ferramentas que julgam necessárias, até o momento, e diminuíram seu fluxo de acesso ao microblog.

Cabe ao lojista perceber essa dinâmica e migrar, ou agregar plataformas, de acordo com sua clientela. Assim, a comunicação não se perde, tal como o tempo despendido em criar ações de marketing. Segundo De Luca, esse é o futuro do conteúdo digital: “Ele deve ser específico e a tendência é se tornar cada vez mais complexo para acompanhar a evolução das redes sociais e das ferramentas utilizadas para acessá-las”, finaliza.

O que vem por aí?

De acordo com dados apresentados por Cesar Paz, diretor da AG2 Publicis Modem, a inclusão sociodigital no Brasil atingiu 17% entre as classes D e E no último ano. O uso do PC (personal computer) tradicional entre os representantes dessas classes sociais é dominante, já que hoje é muito mais fácil comprá-los a prazo em grandes redes varejistas. Por outro lado, as classes C e B já andam acessando a internet por meio de seus dispositivos móveis, integrando os 22 milhões de mobinautas (usuários de internet móvel 3G — por celular ou tablet) do País, dados obtidos junto à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Vale lembrar que a classe C mobiliza hoje, sozinha, cerca de 100 bilhões de reais da renda nacional, por ano.

É correto dizer que essa parcela da população pode, e deve, ser abordada, com sucesso, por meio do bom e velho SMS (mensagem de texto). Mas, para isso, é necessário que os lojistas se livrem de certos mitos que rondam e inibem estratégias de marketing para essa plataforma digital. Um dos argumentos que acabam afastando a iniciativa de uma campanha eficaz por celular é o fato de que no Brasil cerca de 80% dos planos são pré-pagos. Mas a ideia de que pessoas não gastarão seus créditos enviando respostas aos anúncios recebidos em seus celulares cai por terra quando é considerada a possibilidade de criar ações por meio de Bluetooth e SMS gratuitos.

Há quem diga ainda que não trabalha com essa plataforma por não ser possível medir o retorno. Porém, de acordo com Léo Xavier, sócio-fundador da Pontomobi, empresa especializada em mobile marketing, existe uma abundância de números e métricas para comunicação SMS. Há também muitas fontes de informação sobre publicidade via celular.

A eficácia limpa

Para Xavier, a conexão entre marcas e consumidores mudou muito nos últimos três anos e o uso do celular é de extrema importância na interação entre ambos. “São 194,4 milhões de linhas de celular ativas no Brasil, sendo que 92% dos usuários não ficam a mais de um metro de distância do aparelho”, explica Xavier. “O mobile é a última milha da publicidade. O mais poderoso e pulverizado ponto de contato entre marcas e pessoas no Brasil”, afirma.

A comunicação via SMS é considerada um dos mais cômodos, eficientes e ambientalmente corretos meios de divulgação, tanto pela economia de recursos naturais e interação instantânea, quanto pelo tempo real de retorno. Afinal, a tendência é que se algo interessar ao cliente, ele responderá de imediato, em vez de arquivar a mensagem como faria com um e-mail em sua caixa de entrada, por exemplo.

Por outro lado, como não se trata de um modelo de divulgação tão disseminado, lojistas do setor desconhecem o poder da mensagem de texto enquanto plataforma de marketing direto. É o caso de Flávio da Conti, proprietário da 100% Studio Musical, grande loja da cidade de Teixeira, na Paraíba. “Trabalhamos com uma agência de divulgação que traça estratégias em TV, rádio e outdoors, mas nunca trabalhamos com SMS. Aliás, a ideia de usá-lo nunca me foi apresentada, então não saberia dizer como utilizá-la”, explica o lojista.

O que o SMS tem?

Uma das ações cabíveis aos PDVs para aproveitar essa tecnologia é o envio de cupons digitais — mediante a autorização do cliente, claro. Sabendo que brasileiros não são adeptos de acumular papel em suas carteiras, enviar-lhes um cupom promocional com ofertas que se encaixem em seu perfil de consumo — previamente traçado pelo lojista — é uma forma de tentar garantir seu retorno à loja para compras futuras.

O SMS também pode ser utilizado em conjunto com outras mídias, especialmente a impressa, a televisiva e a radiofônica. Em anúncios feitos em revistas, por exemplo, é possível propor a interação do consumidor por meio do envio gratuito de uma mensagem de texto que lhe permita participar de alguma promoção vigente na loja.

Além disso, muitos usuários de aparelhos celulares já usam internet pelo aparelho, o que viabiliza outros tipos de ações para o empresário. “Não é fazer mídia para dispositivos móveis, é fazer mídia para audiências móveis”, explica o sócio da Pontomobi. Segundo ele, é necessário sempre traçar estratégias diferentes para cada tipo de plataforma, variando o conteúdo, para não cansar o cliente.

Xavier também acredita na comunicação móvel por três motivos: o formato único com caráter exclusivo; menor índice de dispersão, dado o fato de o conteúdo ficar em uma tela menor e mais limpa; e maior proporção do anúncio em tela em relação a tamanho.

Trabalhar todas as ferramentas propostas pelos avanços tecnológicos, sejam elas focadas em internet ou não, é muito importante para abranger o alcance de suas promoções. O SMS permite falar com seu público-alvo a qualquer dia e hora, atingindo-o instantaneamente, não importa onde ele esteja. Ótima opção para anúncios relâmpagos, em especial se o perfil do cliente já estiver identificado e as propostas enviadas disserem respeito aos gostos e localização dele no momento do envio. Fique atento: o mundo digital não se limita à internet.

Celulares em números

No Brasil, 140 milhões de pessoas têm celular. São mais de 194,4 milhões de linhas habilitadas e 92% dos usuários não ficam a menos de um metro de seus aparelhos. Segundo dados da Teleco, Qualcomm, Anatel e TNS Research, o Brasil já conta com 22 milhões de mobinautas (usuários de internet em dispositivos móveis, celular e tablets).

Para saber mais

Livro: www.mobilizebook.com.br

Blog: www.mobilizado.com

YouTube: /pontomobi

Twitter: @mobilizadoblog


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