Música como negócio

Música como negócio
janeiro 06 12:29 2009

Música como negócio
A Intermezzo começou como uma escola de música e acabou se transformando também em loja. Hoje, o sucesso é visível em ambos os espaços

Arquiteto por formação, José Carlos Spina Finotti sempre trabalhou com projetos. Mas foi na escola de música de seus pais, Anna Spina Finotti e David Finotti, que surgiu o amor pelo ramo de instrumentos musicais. Desde criança, já ouvia música em casa e, por volta de 1983, decidiram abrir uma loja. Inicialmente, a Intermezzo vendia apenas órgãos eletrônicos e pianos, mas em 1985, o jovem abdicou de sua profissão e decidiu entrar de cabeça no ramo dos pais. Primeiro, fazia as entregas aos clientes com uma pequena perua — serviço do qual se sente orgulhoso. Depois, tomou conhecimento de todos os departamentos da empresa. Foi quando pôde sugerir a diversificação no mix de produtos da companhia, alavancando suas vendas.

“Paralelamente, minha irmã, Selma Regina, artista plástica e pianista, ingressou na escola da família em 1990. Isso impulsionou os negócios com a contratação de um grupo de professores de primeira linha e imprimiu um acompanhamento personalizado para os alunos. Como toda empresa nova no segmento, a Intermezzo passou por um período de carência até se tornar conhecida. Além disso, concorria com empresas centenárias. O reconhecimento de minha mãe no ramo musical evangélico ajudou bastante. O sucesso da empresa foi gradativo e seguro.

Com o passar do tempo, a Intermezzo teve de aprender a conviver com a cultura da ‘não-inflação’, pois éramos puramente vendedores e achávamos que o próprio resultado das vendas cobriam os juros reais. Depois, vimos que não, que em momentos de inflação zero os juros são um enorme veneno para o negócio — por menor que seja. Com a concorrência acirrada, as margens dos lucros foram caindo e tivemos de abolir a palavra juros. Isso foi vital para a sobrevivência da empresa.”

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Incertezas e parcerias

“Minha maior preocupação no início dos negócios era remar por mares desconhecidos. Trabalhar com produtos que não dominava. Desse ponto em diante, norteei as ações com cautela. Se não sei vender aquele produto, não vou comprá-lo!
Outra dificuldade que tivemos de enfrentar foi não ter volume de vendas em alguns produtos. Isso nos impedia de trabalhar o preço de algumas mercadorias. Hoje, prefiro trabalhar com menos opções de marcas (principalmente as chinesas), ter volume e mais força nas negociações. 

Outro fator importante para o sucesso da companhia foi a parceria com os funcionários. Damos força para aqueles que se identificam conosco. Esses ficam por muitos e muitos anos. Acreditamos que mais vale um vendedor que fale a nossa língua — e a dos nossos clientes — do que contratar um expert que não esteja em sintonia com a nossa filosofia de trabalho. Prezamos por um ambiente harmonioso. No passado, já tivemos casos em que quase demitimos vendedores por inexperiência, mas que — com paciência e boa formação — hoje se tornaram imprescindíveis dentro da empresa.

Prezo por um ambiente livre de qualquer disputa interna e pelo auxílio mútuo entre os vendedores e funcionários. Caso isso não seja trabalhado, acabará resvalando no cliente, prejudicando os negócios.
No início, a loja tinha 400 m2 e a escola, 350 m2. Hoje, temos quase 700 m2 para cada empresa, onde conseguimos nos acomodar de forma excelente.”
 
A concorrência
 
“Recentemente tivemos de nos adequar a mais uma dificuldade. O nosso antigo endereço foi disputado por algumas construtoras e, no momento certo, resolvemos vender. Isso implicou mudanças, que são sempre sofridas e trabalhosas. Toda divulgação, papelaria e clientela tiveram de ser novamente trabalhadas. Isso gerou um grande aporte financeiro, mas deu tudo certo. Não perdemos um dia sequer de trabalho. Conseguimos locais excelentes e ótima visibilidade, tanto para a loja quanto para a escola.

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Infelizmente, não temos concorrentes diretos em nossa região — estamos na Avenida Cidade Jardim, em São Paulo e, portanto, fora do entorno das ruas Teodoro Sampaio e Santa Ifigênia. Tivemos de formar o ponto, trazer a clientela e fixar as marcas. É um trabalho árduo e um investimento de longo prazo. Justamente por não estarmos em um eixo musical, procuramos driblar a concorrência com um ótimo atendimento, além de preço, é claro.”
 
 
As expectativas
 
 “Estamos em um momento econômico mundial delicado, mas acho que o temor tem sido maior do que o problema. É preciso que a população brasileira tenha vontade de vencer a crise e isso deve ser traduzido em ‘movimentar a economia’, mas sempre com os pés no chão. Dizer que 2009 será melhor que 2008? Depende de nós!
Aconselho que todos os colegas imprimam às empresas muita seriedade, humildade perante o mercado, boas parcerias com seus principais fornecedores e otimismo, acima de tudo!”
 

Proprietário: José Carlos Spina Finotti
Endereço: Av. Cidade Jardim, 957 – São Paulo
Telefone: (11) 3078-3200
Número de funcionários: Loja (20) e Escola (30)
Área: Loja (680 m2) e Escola (650 m2)
Site: www.intermezzo.com.br

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