Modelos mentais e gestão de pessoas

Modelos mentais e gestão de pessoas
dezembro 17 18:09 2008

Modelos mentais e gestão de pessoas
Muitas vezes, o sucesso de uma organização está intimamente ligado à forma como seus líderes lidam com os diferentes tipos de personalidade que compõem a equipe

Ao conversar com empresários e lojistas do setor de áudio e instrumentos musicais, percebo um discurso quase unânime em relação à dificuldade de gerenciar pessoas. Eles afirmam que por vezes pensam em parar de crescer ou até mesmo diminuir o seu negócio por conta da falta de perspectiva em encontrar uma solução para essa questão.

Por outro lado, sabe-se que pessoas são imprescindíveis para qualquer organização e, portanto, não se pode negar essa realidade. É preciso aprender a lidar com a situação.
    Peter Senge, um importante pesquisador da área, acredita que a base para a transformação das pessoas e, por conseqüência, sua adaptação ao trabalho em equipe, está na compreensão dos modelos mentais que cada indivíduo possui. O modelo mental é composto de aspectos biológicos, históricos e culturais e, além de ser único (individual), é ele que cria nossos valores e premissas.

    O problema é que, muitas vezes, assumimos tais premissas como verdades, conflitando dessa forma com as verdades das outras pessoas. Nossos modelos mentais têm raízes tão profundas que nos levam a uma falta de consciência e acabamos não enxergando outra verdade a não ser a que está em nossa mente.

Caso real
    A indústria americana de automóveis perdeu uma enorme fatia de mercado a partir da década de 1980 porque seus líderes acreditavam que os consumidores americanos só se importavam com os modelos dos carros (símbolo de status na época), e que não se interessavam por tecnologia nem por segurança. O resultado de tamanha convicção foi o declínio sofrido por essa indústria, permitindo a ascensão dos fabricantes japoneses, que apostaram em outras verdades e se deram bem. Este é um típico exemplo de como os modelos mentais determinam não apenas a forma como entendemos o mundo, mas também como agimos.

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    Provavelmente, essa dificuldade em gerenciar pessoas está enraizada na falta de consciência dos diferentes modelos mentais de cada um. Como disse o executivo Bill O’Brien, de uma empresa multinacional, “o olho não vê a si mesmo”. Nesse contexto, diretores e gerentes precisam refletir sobre seus modelos, assumindo que suas visões de mundo podem ser diferentes das visões dos outros integrantes de sua equipe. Só assim haverá conforto para que um funcionário exponha e questione aquilo com que não concorda.

    Muitas empresas investem fortunas em treinamentos na esperança de conseguir mudar o comportamento dos seus funcionários. Geralmente ocorre um aprendizado superficial e que se perde rapidamente com o tempo. A questão comportamental está diretamente relacionada aos modelos mentais. Se não mudarmos a nossa maneira de pensar, não mudaremos a forma de agir. O verdadeiro aprendizado se dá quando passamos a investigar nossa forma de pensar e descobrimos que as nossas verdades podem ser questionadas e transformadas pelas outras pessoas.

 Sabe-se que toda organização nada mais é que uma grande rede de relacionamentos interpessoais. Dessa forma, só alcançarão progresso e sucesso as organizações que conseguirem gerenciar de forma efetiva e colaborativa esses relacionamentos. E, para isso, acredita-se que o estudo dos modelos mentais seja fundamental para que os líderes obtenham o melhor dos seus subordinados e, assim, derrubem a premissa de que o grande problema das suas organizações seja lidar com pessoas.
    
Bibliografia
Senge, Peter M. A quinta disciplina: arte e prática da organização que aprende. Nova Cultural, 2004.

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