Mercado internacional: desafios e soluções para ampliar o seu negócio

Mercado internacional: desafios e soluções para ampliar o seu negócio
agosto 11 09:24 2016

Fato: a internet revolucionou a vida de todos, redefinindo o conceito de distância e até mesmo de fronteira. Evidentemente, a maneira de as pessoas consumirem produtos e serviços também mudou

Grandes empresas, com medo de perder o controle do mercado, resolveram estabelecer regras rígidas capazes de limitar o poder que a Era da Informação deu aos seus usuários. Em vão. As gravadoras que perseguiram no advento do século XXI uma Captura de pantalla 2016-08-07 a las 11.21.41ferramenta de compartilhamento, o Napster, e seus usuários com o intuito de desestimular a pirataria, acabaram perdendo mercado por se recusar a aceitar que o formato físico estava perdendo espaço para os formatos digitais. Ignorando o que pregavam as Majors, empresas investiram em novas maneiras de distribuir música e material audiovisual, prosperando ao utilizar os recursos e avanços tecnológicos que a internet possibilitou, em especial a oportunidade de atuar de forma global.

Assim presenciamos o surgimento e o crescimento do iTunes, YouTube, Spotify, Google Play, entre outras ferramentas que são usadas por inúmeras pessoas para consumir música e material multimídia.

Do mesmo modo, presenciamos o crescimento de canais de venda que expandiram seus horizontes, como a Amazon, criada por Jeff Bezos há duas décadas com o intuito de ter seu site reconhecido como a “loja de tudo”. De certo modo, ele conseguiu! A Amazon certamente é uma das gigantes no comércio eletrônico, faturando valores próximos a US$ 90 bilhões. Você não precisa ser uma Amazon, mas pode pensar na possibilidade de expandir os horizontes atuando em novos mercados, especialmente em um período de instabilidade econômica e redução do poder de compra do brasileiro.

É importante destacar que a internacionalização é possível para marcas de empresas de pequeno, médio ou grande porte. Na verdade, o tamanho da empresa não tem importância tão decisiva se comparado com o desejo de expandir o negócio e o processo de preparação/qualificação para atender os mercados-alvo. E, para isso, o empresariado pode contar com o auxílio e o suporte de associações do seu segmento, bem como com a Apex-Brasil (Agência de Promoção a Exportação), que vem desenvolvendo um trabalho exemplar e colecionando casos de sucesso no exterior.

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Aprendendo com os erros do Habib’s

Não há como negar que o Habib’s é uma marca consolidada no segmento do fast-food. A brasileira reconhecida pelos seus baixos preços é tão querida pelo público em geral que tem confiança suficiente para brincar com o episódio do impeachment da presidente Dilma Rousseff em um filme exibido dias antes da votação no plenário comemorando a “queda dos preços baixos” da rede. Assunto polêmico que foi bem recebido pelo grande público.

Acontece que nem tudo são flores e a vida nem sempre foi fácil para a companhia. Em 2000, a rede resolveu apostar em expandir o mercado internacionalmente e, embalada pelo sucesso em território tupiniquim, resolveu abrir seis lojas na América do Norte, por um sistema de franquias no México. O objetivo era chegar a 150 lojas no período de cinco anos.

Sem fazer o dever de casa, acabou fazendo tudo errado. O carro-chefe do restaurante, como sabemos, é a esfiha. O produto era uma novidade para os mexicanos e, com o intuito de familiarizá-los rapidamente com o simpático alimento de origem árabe, resolveram apresentá-lo como o “taco do Habib’s”, uma referência a um dos pratos tradicionais da comida mexicana que consiste em uma tortilha de milho recheada com carne. Logicamente a ideia não gerou resultados e, para piorar, durante o período ocorreram os ataques de 11 de setembro de 2001, que praticamente inviabilizaram qualquer tentativa de sucesso do Habib’s na América do Norte. O resultado final da aventura encerrada em 2005 foi um prejuízo de US$ 5 milhões.

Captura de pantalla 2016-08-07 a las 11.22.03Automóveis Made in Brazil para o mundo!

Temos de lembrar que o mercado brasileiro automobilístico não é mais o mesmo. No entanto, muitas empresas investiram bilhões de reais nos últimos cinco anos em plantas com o intuito de produzir automóveis de alto padrão no Brasil, seduzidas com o cenário positivo e, principalmente, pelas regras estabelecidas com o intuito de estimular a produção nacional e o desenvolvimento de novas tecnologias em solo brasileiro.

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Com as fábricas prontas e um cenário diferente daquele que as multinacionais observavam anos atrás, a estratégia mudou. Em 2016 as montadoras observam as suas fábricas no Brasil como fornecedoras para mercados solidificados ou em expansão. É o caso de BMW, Fiat e Toyota.

Tanto a BMW como a Fiat planejam produzir no Brasil automóveis para o mercado norte-americano. As primeiras unidades do consagrado X1 começam a sair de Santa Catarina para os Estados Unidos em julho. Serão embarcadas 10 mil unidades por ano. A Fiat também objetiva como mercado-alvo os Estados Unidos com a sua recém-lançada Toro, mas é preciso ajustar as demandas (atualmente existe fila de espera nas concessionárias pela pickup da marca) e pensar em soluções de logística. Já a Toyota observa com dificuldade a entrada de produtos brasileiros no mercado internacional, mas tem planos de intensificar a venda de seu compacto Etios, produzido no Brasil, no mercado sul-americano.

Com esforço dará certo 

Se o segmento automotivo, um dos mais competitivos e tradicionais, está redobrando esforços para oferecer seus produtos para o mercado internacional, inevitavelmente outros também seguem pelo mesmo caminho, inclusive empresas do setor musical. Carlos Eduardo Portella, vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil) alerta que essa política comercial deve ser permanente, pois é muito difícil retomar relações comerciais quando estas são interrompidas para atender o mercado doméstico, por exemplo. Por essa razão, se você, seja lojista ou fabricante, deseja ampliar o seu mercado e apostar no segmento internacional, saiba que o processo de introdução de sua marca e de seu produto ou serviço irá consumir tempo e investimento, e, por essa razão, tudo deve ser planejado, definindo muito bem os objetivos e metas em longo prazo, após um criterioso trabalho de análise de cenário dos mercados-alvo escolhidos. No próximo artigo trataremos sobre a estruturação de um plano de internacionalização para o seu negócio.

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Miguel De Laet
Miguel De Laet

Bacharel em música e especialista em publicidade pela Universidade de São Paulo (USP), é professor do curso de pós-graduação em Negócios da Música da Universidade Anhembi Morumbi e diretor-executivo da Universo Acústico, prestando serviço de consultoria em comunicação e marketing para empresas do setor musical.

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