Percussão Brasileira cresce no exterior

Percussão Brasileira cresce no exterior
Janeiro 06 12:15 2009

Exposição de ritmos e maior qualidade dos produtos fazem o mercado da percussão no Brasil e no exterior crescer

Ao contrário do que muitos pensam, o mercado de percussão brasileira vai além da bateria e de acessórios para gêneros musicais folclóricos. Cada vez mais usados em diversos ritmos, os instrumentos percussivos ganham mais espaço em mercados nacionais e estrangeiros. Entretanto, é inegável a importância dos estilos musicais brasileiros na consolidação do nicho entre os lojistas.

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Simone e Enrique Carlesi, diretores da Luen

Segundo Roberto Guariglia, proprietário da Contemporânea, “a percussão está na raiz de todos os ritmos musicais brasileiros. Atualmente, segundo pesquisas realizadas junto aos lojistas, esse segmento representa, em média, 18% das vendas nas lojas, muito acima que outros tipos de instrumentos. Quando pensamos em exportação, os instrumentos de percussão são os que ainda representam o Brasil lá fora.” Para Anselmo Rampazzo, proprietário da RMV, além de estar intrinsecamente ligado aos gêneros musicais de nossa cultura, o valor agregado dos instrumentos garante uma boa receptividade. “Os instrumentos de percussão ainda representam muito da nossa cultura e, por serem de valor acessível, possuem mercado garantido”, esclarece.

A crescente aceitação dos gêneros musicais nacionais ajuda a garantir o interesse cada vez maior pelos instrumentos percussivos. É o que atesta José Enrique Carlessi, diretor da Luen. “Os instrumentos de percussão têm ocupado esse espaço, principalmente devido ao desenvolvimento cultural, no qual se podem destacar as ações que visam à inclusão social de grupos antes marginalizados, e que tem recebido atenção das autoridades e organizações não-governamentais. A música é uma ferramenta agregadora muito poderosa”, acredita.

De fato, a chamada inclusão social de ritmos antes vistos apenas como de classe baixa ajudou a impulsionar o mercado da percussão. Esse fator ocasionou maior exposição de gêneros tipicamente brasileiros no exterior, assim como sua aceitação e consumo. “A cada ano, podemos encontrar novos países interessados em aprender nossos ritmos, principalmente o samba. Isso faz com que a venda desses instrumentos para o exterior aumente regularmente”, afirma Guariglia. A divulgação de nossa cultura no exterior também é destacada por Rampazzo. “Já faz muito tempo que os fabricantes e consumidores internacionais se conversam. Há países com tradição de carnaval e rodas de samba, seguidos de jogos de capoeira”, diz.

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Mercado de percussão brasileira

O avanço na qualidade dos instrumentos fabricados no Brasil colabora para o  aumento dessa procura no exterior, segundo Carlessi. “Outro aspecto que deve ser lembrado é a melhoria dos nossos produtos, que vêm alcançando um padrão de qualidade que o mercado externo procura. Há muito investimento e esforço dos empresários na melhoria dos meios de produção e isso tem aberto muitas portas aos produtos brasileiros”, diz.

Porém, todo esse crescimento torna necessária maior atenção na hora de avaliar o instrumento. “Todo ano cresce o número de companhias estrangeiras que entram no segmento, gerando uma concorrência que, na maioria das vezes, é desleal, pois os produtos são fabricados em países asiáticos, sem técnica e qualidade”, adverte Guariglia.

Nessas horas, o reconhecimento imediato de uma marca influencia o consumidor final. “Em meio a tantas opções disponíveis no mercado, que dificultam bastante a escolha da melhor compra, é natural que a marca seja de grande influência na decisão do consumidor. Ao adquirir uma marca conceituada, ele leva também a garantia de um produto já consagrado”, explica Carlessi.
Toda essa procura acarreta um crescimento significativo do ramo, como atesta Guariglia. “A Contemporânea teve um crescimento médio de 25% em 2008, índice que nos fez investir em novas máquinas e contratar novos funcionários”, revela. As datas comemorativas também ajudam. “Geralmente, as vendas aumentam nos meses de junho e julho, por causa do dia 7 de setembro, e depois, nos meses de novembro, dezembro e janeiro, devido ao carnaval, que ainda tem uma grande influência no resultado das vendas”, comenta Guariglia.

Para 2009, a tendência é que o mercado da percussão continue crescendo, mesmo com as atuais dificuldades econômicas, principalmente no exterior. “Feiras internacionais, em conjunto com os associados da Associação Nacional dos Fabricantes de Instrumentos Musicais (Anafima), feiras regionais, eventos e workshops já estão programados. As vendas no Mercosul e em países da América Latina estão em crescimento, pois o Brasil mantém seu parque industrial ativo também no segmento de instrumentos musicais”, acredita Rampazzo.

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