ESPECIAL: Mercado da música em 2013

ESPECIAL: Mercado da música em 2013
janeiro 02 17:28 2013

Grandes executivos do setor antecipam suas ações e revelam suas expectativas com relação ao mercado da música em 2013

Não é só para cada pessoa em particular que a mudança de ano é emblemática, empresas e governos também analisam o ano que se foi e traçam suas metas, planejando ações para que o que virá. É por isso que conversamos com os principais executivos de algumas companhias do setor e também com os presidentes de nossas associações mais expressivas, a Anafima e a Abemúsica.

Além de uma reflexão do comportamento do nosso mercado em 2012, queremos levar até você uma visão plural, com a opinião e a análise de executivos importantes para o nosso segmento, e fornecer-lhe uma visão mais abrangente do que se espera para o setor no próximo ano.

Aproveite, e tenha certeza de que ter otimismo em relação ao novo ano é fundamental, mas planificar ações que façam esses anseios tornar-se realidade é muito mais! Feliz 2013!

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Lucio Grossman, Diretor da Pride Music

Lúcio Grossman, diretor, Pride Music: Aumento de participação no mercado, investimento, dedicação e foco

“Acreditamos que o mercado ainda vai se manter aquecido, com as lojas brasileiras trabalhando cada vez mais alinhadas com as marcas líderes mundiais. Como acontece no mundo inteiro, em momentos bons ou difíceis, as marcas líderes sempre trazem fluxo de clientes para a loja. Seguiremos explicando aos nossos clientes que não faz sentido trabalhar com marcas desconhecidas que não agreguem nada a suas lojas. Em 2013, manteremos o curso de continuar buscando um aumento de participação de mercado para as marcas com as quais trabalhamos. E sempre lembrando que não há alternativa a não ser crescer, crescer e crescer. E para crescer é necessário, investimento, dedicação e foco.”

Giorgio Giannini, diretor, Giannini: Reestruturação da linha de cordas, novos produtos e foco em qualidade

Giorgio Giannini

Giorgio Giannini, Presidente da Giannini

“O mercado em 2013 ainda passará por uma fase de acomodação. Houve um crescimento muito acelerado em 2009 e 2010, mas em 2011 esse crescimento começou a diminuir e ainda sentimos que o mercado não chegou ao seu patamar ideal. Olhamos com preocupação a escalada do dólar — alguns economistas chegam a prever um grande crescimento, entre R$ 2,10 a R$ 2,50. Isso provocaria o encarecimento dos produtos musicais, possivelmente diminuindo o consumo. Até por isso, em 2013 o foco da Giannini será voltado à organização interna, tentando manter os custos sob controle, ajustando a empresa diante das perspectivas do mercado sem deixar de investir e buscar o crescimento desejável. Teremos uma grande reestruturação na linha de cordas, lançamentos de novos produtos e investimento na qualidade, para conquistar cada vez mais a confiança do consumidor.”

Antonio Carlos Tonelli

Antonio Carlos Tonelli, Diretor da Musical Express

Antonio Carlos Tonelli, diretor, Musical Express: Diversificação nos investimentos em marketing e novas marcas

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“Apesar das incertezas no cenário mundial, acredito que teremos um ano menos conservador do que o de 2012. Um fator determinante para um bom ano seria a estabilidade das taxas cambiais. Em 2012 começamos a trabalhar com duas novas marcas que exigiram uma mudança radical em nosso espaço de trabalho. Terceirizamos uma empresa de logística para se adaptar a essa nova realidade e agora começamos a pesquisar novos espaços para uma possível mudança. Estamos tentando diversificar nossos investimentos na área de marketing. O fato de trabalhar com diversas marcas cria a necessidade de uma organização mais complexa para que todas sejam focadas e estejam sempre presentes na mente do consumidor. Em 2012 fizemos uma edição do nosso catálogo que foi muito elogiada pelos nossos clientes. A ideia é agregar mais algumas marcas a esse portfólio de acessórios.”

Takashi Fujita, presidente, Yamaha do Brasil: Inauguração da Yamaha Music School e muitos lançamentos

“Nossa matriz no Japão sabe que o mercado brasileiro está crescendo rapidamente. Pessoalmente, também acredito no potencial de crescimento do mercado brasileiro no longo prazo, embora em 2012 o mercado tenha crescido com uma velocidade abaixo de nossa expectativa. Devido ao aumento do poder de compra dos brasileiros, precisaremos de uma linha mais ampla e especializada de produtos e serviços para atender a essa demanda.

Em 2013, a Yamaha irá inaugurar sua primeira escola de música no Brasil, chamada Yamaha Music School, inicialmente na cidade de São Paulo. Futuramente pretendemos expandir a rede para todo o Brasil. Através das escolas de música, pretendemos ampliar a população de músicos que colaboram para a expansão do mercado de instrumentos musicais.  No ano passado lançamos diversos produtos. Em 2013 temos planos de lançar mais produtos inéditos. Neste momento ainda não posso mencionar mais detalhes, mas piano, teclados, sintetizadores, instrumentos de sopro, guitarras, baixos, baterias e produtos de áudio profissional são algumas das categorias nas quais teremos lançamentos. Em breve vocês terão novidades!”

Silvio Dutra, presidente, Anafima: Projeto Comprador e licença de marcas para a Copa do Mundo

“A equipe econômica do governo prevê para 2013 um crescimento superior a 4%, porém, o empresário deve esperar um crescimento de 3,5%. O panorama não é agradável, ainda mais porque a inflação deverá ficar entre 5,5% a 6%. Por outro lado, creio que a taxa cambial não deverá sofrer grandes alterações, mesmo porque o governo tem a intenção de manter o dólar na faixa de R$ 2,00. Apesar desses números, entendo que devemos ter otimismo, especialmente no mercado da música, uma vez que em 2013 teremos a Copa das Confederações no Brasil, uma ótima oportunidade de fazer negócios. No próximo ano, a Anafima irá dar continuidade aos seus projetos internacionais e priorizar novos Projetos Compradores, oportunidade em que os associados poderão receber a visita de grandes compradores internacionais. Além disso, os empresários precisam ficar atentos aos direitos de licença da marca da Copa do Mundo. Nesse aspecto, a Anafima já iniciou tratativas com a Globo Marcas, tendo total subsídio para prestar a assessoria necessária aos empresários do setor. Enfim, mesmo com as ressalvas acima, a diretoria da Anafima espera que 2013 seja um excelente ano para o mercado de instrumentos musicais.”

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Priscila Storino Aguiar, diretora, Izzo Musical: Melhoria da gestão administrativa e logística 

“Nosso foco 2013 é a consolidação dos processos implementados, para garantir agilidade e assertividade no atendimento aos nossos clientes, ponto fundamental para a consolidação e expansão de nossa atuação no mercado.”

Alec Haiat, diretor, Habro Group: Principal foco será o áudio pro e diferencial em produtos

“Parece-me que 2013 será um ano mais realista. Em 2012 creio que todos tivemos uma expectativa alta e acabamos por nos adaptar a resultados mais realistas. Acho que não teremos crescimento do mercado e o Habro Group se empenhará ao máximo para tentar reverter essa tendência. O principal foco será o áudio pro com lançamentos muito inovadores, tanto da Line 6 quanto da Mackie. Como no ano passado agregamos marcas de peso ao nosso portfólio, seguiremos com a introdução dessas novas linhas, que trazem um diferencial considerável em relação ao que já existe atualmente no mercado.”

Takao Shirahata, presidente, Roland do Brasil: Preços mais competitivos, novos produtos e incentivos para aumentar a demanda

“Para o primeiro semestre vejo que será um período de ajustes — principalmente no volume de vendas versus demanda. Conversando com diversos importadores percebi que a demanda foi menor do que o planejado e isso gerou um excesso de oferta. Sem esse ajuste, a rentabilidade cai e ninguém ganha. Para o segundo semestre, com a chegada dos lançamentos e até o aquecimento natural do mercado, as vendas deverão ganhar melhor qualidade. Porém, comparado a 2012, penso que em 2013 devemos ser mais cautelosos, buscando melhor qualidade na venda. O desafio para a Roland é o mesmo de todas as empresas do setor: como aumentar a demanda por instrumentos musicais. Ao longo dos últimos dez anos muitas empresas ampliaram seu mix de produtos e passaram a ofertar cada vez mais variedade e volume de itens. A oferta cresceu mais rápido do que a demanda. Com isso gerou-se uma competição maior no mercado e se não fizermos algo — seja individualmente ou em conjunto — para aumentar a demanda, a situação no mercado da música ficará cada vez mais difícil, pois todos querem o seu pedaço do bolo. A única saída saudável é aumentar o tamanho do bolo. E para isso o Brasil tem potencial. Mas precisa ser trabalhado. A Roland lança anualmente cerca de 30 novos produtos. Mesmo com a desaceleração mundial, a Roland não deixou de investir em lançamentos e vamos ter novidades tanto para a Namm como para a Musikmesse. Um diferencial em relação aos anos anteriores é a preocupação em lançar produtos a preços mais competitivos e com mais tecnologia embarcada. O consumidor quer mais por menos.”

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Synésio Batista da Costa, presidente, Abemúsica: Desenvolvimento do mercado consumidor e estímulos à educação musical

“O grande desafio da indústria nacional, agora, é equilibrar uma relação exageradamente desigual: de todo o faturamento anual, 90% vêm das importações e a minúscula parcela restante tem origem na fabricação em solo nacional. A Abemúsica, por um lado, continua firme na defesa da livre concorrência justa, o que exclui a pirataria e o subfaturamento dos produtos importados; por outro, defende e dá suporte a fabricantes brasileiros para que melhorem a qualidade de seus produtos, o marketing e a presença em eventos internacionais do setor. Tão importante e necessário quanto essas medidas é o desenvolvimento de um mercado consumidor. Em um conjunto de ações desenvolvidas no último ano, recentemente criamos o i-Música – Instituto Abemúsica para Educação Musical. O primeiro projeto, batizado de Planeta Musical, foi apresentando durante a Expomusic. Voltado para estudantes carentes do ensino fundamental, o projeto contempla inicialmente 360 crianças e 20 educadores para a formação e compra de instrumentos musicais financiados pelo i-Música, em parceria com três ONGs: Casa do Zezinho, Fundação Julita e Projeto Arrastão. Entendemos que, desse modo, estamos resgatando uma dívida que temos com o País não só pela inclusão social proporcionada pela música, mas também pelo fomento de uma indústria que gera empregos, recolhe impostos e colabora para o desenvolvimento do País como um todo.”

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