Loja em família

Loja em família
setembro 29 15:13 2008

Há oito anos um grupo de familiares de Vitória (ES), teve a idéia de montar uma sociedade para a abertura de uma loja de componentes eletrônicos. Dois anos depois, o sonho foi concretizado e a loja Eletrovix teve as portas abertas. Por causa da forte demanda do mercado de igrejas, os comerciantes enxergaram, em 2007, a possibilidade de expandir os negócios para o setor de instrumentos musicais. Em dezembro do ano passado, foi concluída uma reforma no comércio que introduziu a entrada no novo segmento. De lá para cá, o faturamento vem crescendo 35% ao mês e a expectativa é incrementar os negócios em 40% em 2008 na comparação com 2007, como explicou o sócio Jorge Luiz De Seta Júnior em depoimento à Música & Mercado.

“A idéia de montar uma loja entre parentes teve início em 2000, numa conversa entre alguns membros da família. No entanto, inicialmente o plano não foi levado adiante. Somente um ano depois, em maio de 2001, seis integrantes se juntaram e discutiram com mais seriedade a possibilidade de abrir o negócio. Eram eles: José Canal, Elder Magno Canal, Jean Pierre Canal, Neuci de Lourdes Canal, Severino da Silva Braga e eu. Além do parentesco, nos unimos por afinidade e pela necessidade de capital, uma vez que tínhamos conhecimentos nas áreas administrativas e de mercado.

Excluindo Severino, com experiência de 35 anos no ramo de eletrônica, nenhum outro do grupo havia atuado no setor. Cada um tinha sua profissão. A experiência de Severino foi o que nos levou a escolher o ramo. Ninguém estava descontente com a vida profissional, apenas vimos uma oportunidade de abrir um novo negócio. Começava a surgir a idéia de abrir uma loja de componentes eletrônicos.

Dessa forma, os seis continuaram em seus empregos e juntaram capital para o empreendimento. Eu possuía uma loja de parafusos e ferramentas, José é empresário da construção civil e Elder, que faleceu, atuava no ramo de lanchonetes. Neuci é economista e Jean, administrador.

Após mais um ano, em fevereiro de 2002, conseguimos concretizar a compra do imóvel que considerávamos ideal para o comércio. Apenas Severino e eu mudamos nossas posições e fomos trabalhar para a concretização do negócio.

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O ponto fica no centro de Vitória, região que concentra tradicionais lojas do mercado, local estratégico para o ramo. A loja recebeu o nome de Eletrovix: a união da palavra ‘eletrônica’ com a sigla Vix, código usado pela aviação para o Aeroporto de Vitória.

Barreiras 

Há dificuldades em se trabalhar em sociedade. No começo tudo é bem difícil. No entanto, como somos todos parentes, sempre resolvemos bem as questões mais polêmicas. É claro que divergências acontecem. Entretanto, a administração da empresa sempre ficou sob a minha responsabilidade e quase nunca tive de prestar contas dos meus atos.

O ano de 2002 foi marcado por muitas incertezas políticas e monetárias. O aumento do dólar e a eleição de um novo governo federal nos fez adotar uma postura de cautela. Dessa forma, realizamos apenas a reforma do imóvel, sem inaugurar o comércio. Como nossos recursos financeiros eram próprios e limitados, o período de tempo antes da abertura da loja contribuiu para que nos capitalizássemos novamente, uma vez que todas as compras iniciais seriam feitas à vista.

No início de 2003, começamos a fazer as pesquisas sobre com quais produtos trabalhar. Como Severino tinha o conhecimento dos produtos e fornecedores, ficou com ele a responsabilidade de iniciar os contatos e decidir quais seriam os primeiros itens que comercializaríamos. Ele e a sócia Neuci montaram planilhas e fizeram cotações com os fornecedores.

Passamos por muitas dúvidas e medos. Montamos o negócio num imóvel próximo a uma loja antiga na região. Estávamos preocupados com a sobrevivência do negócio devido à forte concorrência.

Como tínhamos dinheiro para pagar à vista, não encontramos muitas dificuldades na negociação com os fornecedores. O poder de compra facilitou em muito essa etapa. Severino escolheu os produtos com base nas experiências que tinha acumulado nos anos de atividade no ramo.

Abrindo as portas

Depois de tudo feito, inauguramos e Eletrovix em 26 de junho de 2003. A loja tem um exclusivo layout interno, por ser ampla, bem projetada e diferente das que existiam no ramo. O térreo tem mais ou menos 120 m2, além de um andar superior com quatro salas individuais, que hoje usamos parte para o escritório e parte para estoque.

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Os componentes eletrônicos eram os produtos-chave. Procurávamos fazer uma exposição diferente das vitrines. Ou seja, era basicamente uma loja de eletrônica com alguns poucos itens na linha de instrumentos musicais e equipamentos de áudio. Para se ter uma idéia, tínhamos na época mais de quatro mil itens diferentes no estoque, sendo que o volume de instrumentos de música se resumia a dois ou três modelos de violões, guitarras e contrabaixos da Giannini e uns poucos teclados da Casio.

Inauguramos a loja com seis funcionários: quatro vendedores, uma operadora de caixa e um responsável pela entrega das mercadorias. O Severino já conhecia todos eles de empregos anteriores. Havia também eu na administração e o Severino no controle do estoque. Os outros sócios nunca trabalharam na loja, porque tinham suas próprias empresas, nas quais continuam até hoje.

Não demorou muito tempo, cerca de oito meses, e começamos a ter uma boa demanda em vendas e instalações de equipamentos de áudio, principalmente em igrejas. A partir desse ponto, começamos a dar mais importância ao setor. No entanto, ainda não tínhamos quase nada de instrumentos musicais.

Começamos a focar nossas ações de marketing nos consumidores que vinham das igrejas, em especial as evangélicas, e tivemos uma boa surpresa na aceitação do nosso trabalho. Passamos a fazer anúncios em rádio e em revistas bem posicionadas no segmento evangélico. Fizemos alguns programas de TV e anúncios em jornal impresso. Hoje o mercado gospel representa aproximadamente 40% do faturamento.

Novo setor: instrumentos

Em outubro de 2007 repensamos o negócio e decidimos fazer uma grande mudança. Como passamos a atender muitas igrejas na parte de áudio, percebemos que elas também precisavam de instrumentos musicais e resolvemos investir nessas mercadorias.

A decisão exigiu que fizéssemos uma boa reforma na loja para mudar o visual de eletrônica. Pastilhamos as paredes, climatizamos o ambiente, instalamos painéis canaletados (slatt wall) e investimos no mix de produtos e marcas. Compramos violões, guitarras, contrabaixos, teclados, baterias e acessórios. Também contratamos profissionais especializados e, ainda este ano, esperamos aumentar a área do estoque.

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Todas essas mudanças consumiram e ainda consomem uma boa dose de capital. Existem muitos bons concorrentes na região, bem fortes mesmo. Estamos na capital do Espírito Santo e não é difícil localizá-los. Para ganhar espaço, tentamos ser bem transparentes com o cliente e buscamos um atendimento especializado, com preços compatíveis com os do mercado.

Uma das dificuldades é manter o mix de produtos sempre atualizado em relação à demanda do consumidor. Além disso, equilibrar o prazo de recebimento das vendas com o pagamento das compras é difícil. Já chegamos a oferecer opção de pagamento em dez vezes, mas os fornecedores fazem, no máximo, em até 120 dias.

A competição com a internet também é grande, uma vez que muitas lojas virtuais do segmento colocam preços muito abaixo do que conseguimos fazer. Entrar no e-commerce também não é fácil. Em 2006 montamos um site para vendas que foi desativado este ano. Vamos estudar melhor como colocá-lo no ar novamente. 

A reforma ficou pronta em dezembro de 2007. Climatizamos a loja para proporcionar mais conforto no trabalho e aos clientes. Hoje temos 11 funcionários, além do Severino e de mim. Contamos com quase 14 mil itens no estoque e as vendas vêm crescendo muito no novo segmento de atuação. Desde o fim da reforma, estamos com alta, em média, de 35% no faturamento mensal. Para 2008, esperamos ultrapassar o aumento de 40% observado em 2007.

Hoje somos quatro sócios, o Severino, o José, a Juciléia Maria Canal, que era esposa do Helder, e eu. Dos seis funcionários que começaram conosco, ainda temos três. Os outros saíram.

Acredito que existem dificuldades e tropeços em qualquer ramo. Entretanto, se o trabalho é feito com honestidade e seriedade, é possível vencer todos os problemas e prosperar. Pode até demorar um pouco, mas não falha.”

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