Leác’s cada vez mais moderna

Leác’s cada vez mais moderna
maio 17 11:43 2007

Com nova organização interna e funcionários mais bem treinados, a fabricante de equipamentos de áudio está investindo na modernização da gestão. Agora, é colher os resultados.


Na atual fase da Leác’s, vícios administrativos ou falhas de comunicação não serão admitidos. A empresa contratou uma equipe de consultores da Fundação Getulio Vargas, de São Paulo, que identificou os problemas internos e de relacionamento com os clientes.


Hoje, a fábrica de equipamentos de áudio ostenta não só uma nova organização, como um site reformulado e a reestilização de seus produtos. Esse processo já fazia parte dos planos do então diretor da empresa Roberto Ribeiro, falecido há dois anos, que deixou para os filhos a missão de comandar essa profunda mudança. “Assim, todos nós da empresa trabalharíamos atendendo às necessidades da fábrica, às nossas necessidades como profissionais e conviveríamos em harmonia”, explica Tatiana Ribeiro, diretora administrativa, na entrevista que você confere a seguir.


Música & Mercado: Quando se percebeu a necessidade de profissionalizar a empresa? Quais eram os problemas apresentados?
Tatiana Ribeiro:
 Percebemos que era necessário tornar a Leác’s mais competitiva e isso nos levou a traçar um planejamento estratégico que, entre outras coisas, resultou na profissionalização da empresa, que era familiar. A globalização da economia vem se desenvolvendo de forma acelerada, não só levando o País a se inserir nesta nova ordem mundial, como produzindo mudanças significativas no comportamento do mercado. Com isso, as organizações devem acompanhar a velocidade das mudanças, adotando medidas que as tornem mais competitivas.


Essa profissionalização começou há quanto tempo? Como foi realizada?
Começou há cinco anos, com profissionais da Fundação Getulio Vargas de diversas áreas: administradores, engenheiros de produção, logística, recursos humanos e gestão empresarial. Na verdade, essa profissionalização era uma idéia que meu pai queria implementar para que todos nós – eu, meu irmão Fábio, ele e minha mãe – pudéssemos trabalhar atendendo às necessidades da fábrica, às nossas necessidades como profissionais e também pudéssemos conviver em harmonia. Era muito desgastante passar o dia inteiro com a família e depois ir para casa e a luta continuar. Hoje, isso é um prazer para nós, conhecemos nossos limites, quem é responsável pelo quê. Nós nos respeitamos e nos apoiamos acima de tudo.

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Após essa primeira triagem dos consultores da FGV, qual foi o plano traçado para a Leác’s?
Todas as áreas da empresa passaram por mudanças gradativas para que nada fosse retirado, para que apenas pudéssemos somar algo a uma estrutura que já vinha funcionando, mas que precisava de ajustes. Neste plano, determinamos algumas metas a serem cumpridas e desenvolvemos uma estratégia de negócio que compreendeu a construção da visão do futuro; do perfil e da definição do negócio; da missão; análise ambiental; valores; objetivos e metas corporativas; alteração e ampliação da cadeia de valores (infra-estrutura da empresa, RH, área administrativa, desenvolvimento de produtos, SAC, projetos para lojas, compras, processo produtivo, pátio fabril, logística, marketing, serviços de pré-venda, entre outros) e estabelecemos indicadores para que pudéssemos nos monitorar. Não fixamos um prazo determinado. Algumas dessas mudanças foram concluídas, mas ainda estão sendo aperfeiçoadas.


Como foi essa mudança de visão de empresa familiar para profissional?
Todos os vícios de uma empresa familiar tiveram de ser tratados e o processo foi penoso. Antes de tomarmos a decisão e efetivamente trabalhar para mudar, tivemos de ter consciência de que ‘onde muitos mandam, ninguém obedece’ e assim por diante. Hoje todos têm suas funções predeterminadas e se reportam ao departamento competente para que as soluções sejam rápidas e coerentes.
 
Houve alguma mudança no departamento de vendas ou em outros setores?
Sim, todos os departamentos foram informatizados. Promovemos o treinamento dos profissionais e a contratação de mão-de-obra especializada. Também foi implantado o Serviço de Atendimento ao Consumidor Leác’s, atendimento ao cliente via e-mail e por telefone. Hoje conseguimos solucionar dúvidas e possíveis defeitos em tempo real. O cliente dispõe de uma estrutura de profissionais capacitados em projetos de sonorização de qualquer ambiente e de todos os tamanhos, ampla rede de assistência técnica, departamento de vendas interno e representantes presentes no ponto-de-venda.

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Que treinamento os funcionários receberam? Você já percebe os resultados?
Os funcionários recebem treinamento específico para cada área de atuação. Entre algumas instituições, destacamos o Senai, o Sebrae e também nossa própria ‘escolinha’, onde os colaboradores, informalmente, trocam idéias entre si e os palestrantes e, por meio de apostilas, aprendem sobre os valores da empresa, segurança no trabalho, uso de EPI, prevenção de acidentes, combate e brigada de incêndio, introdução à sonorização profissional, entre outros. Os resultados são profissionais motivados e capacitados, melhora na qualidade do produto e no convívio na empresa.


Como foi para você e o Fábio tomar a frente na administração da empresa?
Nossos pais sempre nos deixaram à frente e se posicionaram na retaguarda. Com o passar do tempo, fomos tomando nossas posições. Meu pai sempre foi muito rígido e nos cobrava muito. Hoje sabemos o quanto isso teve valor para a nossa formação profissional. Eu assumi a administração e o Fábio, a área comercial, assim conseguimos focar e ter agilidade na tomada de decisões.


Como ficou a hierarquia na empresa? Para os funcionários, há perspectiva de plano de carreira?
Isso está em fase de implementação, até por uma questão de valorização profissional de nossos colaboradores. A hierarquia já está montada: cada setor possui uma célula com um líder e a mesma se reporta ao encarregado do setor. Eles têm obrigações e o padrão de qualidade que devem seguir e respeitar. Além disso, uma célula supervisiona a outra, ou seja, trabalham interligadas. Mesmo que uma falhe, a outra conserta, para que, no final, o produto saia de acordo com os padrões de qualidade estabelecidos. Isso não só foi bom para empresa como beneficiou a todos, que têm agora um senso maior de responsabilidade e sabem de sua importância dentro da organização. Costumo dizer a eles que, por trás da melhor caixa de som, estão os melhores profissionais.

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Hoje a Leác’s produz 90% do que compõe suas caixas de som, por exemplo. Como fica a relação custo de produção x preço? Dá para ter um produto competitivo produzindo no Brasil?
Sim, e é pela qualidade e durabilidade que adotamos essa postura. Possuímos um departamento que controla a qualidade da matéria-prima, que se reporta a mim ou ao Fábio, que verifica todos os produtos em fabricação, os produtos acabados e se os suprimentos estão de acordo com as especificações baixadas pela engenharia de produtos. Esse controle visa prevenir a ocorrência de defeitos, o que se consegue com acompanhamento durante a própria fabricação – e não depois que as operações de produção estiverem concluídas – e emitindo relatórios imediatos para que a produção possa corrigir qualquer defeito. Esse setor possui autonomia para retirar imediatamente da linha de produção qualquer matéria-prima que esteja fora de nossos padrões de qualidade.

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