HABRO MUSIC: Uma empresa diferente

HABRO MUSIC: Uma empresa diferente
Março 19 11:08 2013

Habro Music: De distante e inacessível a transparente e presente. Conheça as mudanças ousadas de uma das primeiras importadoras do setor

Há cerca de três anos, a Habro Music vem adotando mudanças bastante visíveis, não só estruturais, mas também contextuais, com suas novas políticas, tornando-se muito mais próxima de seus clientes.

É uma mudança de personalidade mesmo. A empresa, antes distante de lojistas, aparecendo apenas de forma figurativa e inacessível à maioria dos comerciantes, deu uma guinada de 180°, modificou estratégias e criou uma imagem mais humana e amigável dentro do setor.

page1Tudo começou aos poucos. De maneira genérica, primeiro, com a adoção de uma rede de representantes — por quase 20 anos a empresa tinha trabalhado apenas com a venda interna de seus produtos. Depois, assumiu claramente a Strike Music, sua empresa irmã que, apesar de todos saberem ser dos mesmos donos, os irmãos Alec e Alfred Haiat, havia uma tendência a não expor tal característica para o mercado.

Isso foi só o começo. Hoje a Habro Music já é o Habro Group, uma entidade transparente com duas divisões, Habro Music e Strike Music, que começa a colher os frutos de sua ousadia.

A coragem trouxe maior visibilidade a ambas as empresas e suas marcas, além da empatia do setor: esta realmente é a condição mais valiosa nos dias de hoje, quando a competição ultrapassa preços e marcas, ficando refém também das facilidades trazidas pela internet e pela globalização.

Por isso conversamos com os executivos Alec e Alfred Haiat para conhecer um pouco mais sobre essas importantes transformações e mostrar para você, em primeira mão, o amadurecimento de uma empresa que fez e faz história em nosso mercado.

TRANSFORMAÇÃO

Há pouco mais de seis meses de reestruturação total, que análise é feita após as mudanças?

Alec/Alfred: Dizer que 100% ocorreram como previsto seria uma utopia, mas não aconteceu nada de tão relevante se compararmos aos ganhos que essa reestruturação tem nos propiciado. Tivemos apenas de nos adaptar a algumas mudanças, em especial no que se refere à separação do escritório do estoque, algo que na verdade já acontecia nos primórdios da Habro Music, com a diferença de que no passado estavam a algumas quadras de distância um do outro.

Hoje temos um Centro de Distribuição muito bem estruturado, mais adequado às nossas necessidades de estocagem e com maior eficiência logística. Nosso novo escritório possibilitou uma integração muito maior entre os departamentos e em especial entre Habro e Strike, fazendo com que as duas empresas compartilhem experiências e conquistas, consolidando de uma vez por todas a formação do Habro Group.

Qual é o modelo de gestão adotado para o Habro Group?

Alec/Alfred: O modelo ‘portas abertas’. Até o próprio layout de nosso escritório foi especialmente desenvolvido para refletir essa filosofia, promovendo interatividade entre todas as áreas. Coordenadores, supervisores, gerentes e principalmente a diretoria procuram promover a interação entre as áreas fazendo com que qualquer funcionário seja sempre bem-vindo a trazer qualquer tipo de colaboração ou insight para o melhor desenvolvimento de nosso negócio. A equação é simples: zero ego + 100% trabalho de equipe.

Depois de muitos anos, a Habro começou a trabalhar com uma rede de representantes. Que análise é feita dessa nova política comercial?

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Alec/Alfred: A análise é uma conta matemática simples: hoje temos a força de vendas aumentada. Os resultados não poderiam ser melhores. Nosso crescimento de vendas e distribuição é importante e obtivemos ganho de share. A questão de só agora adotar essa política veio da necessidade imposta pelo mercado e de nossa disposição em assumir esse investimento, pois, além do representante ‘em campo’, precisamos investir internamente para coordenar toda a demanda a que estaríamos e estamos sujeitos.

TRAJETÓRIA da HABRO MUSIC

Com 20 anos de atuação, quais foram as maiores conquistas e a pior decepção da Habro Music?

Alec/Alfred: Conquistas: as marcas de renome que representamos e para as quais desenvolvemos o mercado por meio de uma incessante busca pela melhoria nos processos de distribuição, promoção e pós-venda. Consolidação no mercado de nossas marcas próprias, tais como Shelter, Fenix, Avatar. Reconhecimento do Habro Group como importante força no mercado perante nossos clientes e fornecedores. Já a pior decepção é não ter visto até hoje uma política de ensino de música nas escolas sair definitivamente do papel e ser colocada em prática por nossos governantes, de forma séria e efetiva.

Economicamente falando, como foi o ano de 2012 para o Habro Group?

Alec/Alfred: Apesar de uma retração geral na economia no final do ano, 2012 foi para nós um ano de crescimento. Agregamos mais marcas de grande expressão ao nosso portfólio, gerando ainda mais negócios e nos impulsionando a um novo patamar. O crescimento obtido em 2012 sedimentou uma base sólida para buscar nossos objetivos — ainda mais ambiciosos — para 2013.

Quais são as principais metas da companhia previstas para 2013?

Alec/Alfred: Pretendemos aumentar nossa participação no mercado ampliando consideravelmente o número de clientes atendidos e visitados, além de conquistar mais espaço para nossas marcas e produtos dentro das lojas por meio de parcerias cada vez mais sólidas com os clientes.

MERCADO

Já há algum tempo marcas internacionais hi-end vêm criando produtos mais acessíveis. Como essa estratégia afeta o mercado de um modo geral?

Alec/Alfred: O efeito de uma marca de desejo em nossa percepção de qualidade cria quase que automaticamente uma visão superior do produto, afinal, que baixista, por exemplo, não deseja ter um amplificador Ampeg ou um baixo Warwick? Entretanto, as empresas passaram a ouvir o clamor do mercado por opções mais acessíveis e isso tornou o sonho de muitos músicos e entusiastas mais real, o que sem dúvida impactou o mercado. Todas as marcas que representamos são competentes em disponibilizar aos nossos consumidores ótimas opções a preços muito atraentes, sem abrir mão de seu criterioso padrão de qualidade. Vide a Ampeg com a linha de amplificadores BA, a ESP com a linha LTD, a Warwick com a Rockbass, a Line 6 com a linha de amplificadores Spider, a Mapex com a linha Prodigy e a Mackie com as caixas Thump e mesas ProFX.

Como você analisa o mercado brasileiro atual e para onde acha que ele está se dirigindo?

Alec/Alfred: O mercado brasileiro é ainda jovem em geral e, assim sendo, as oportunidades sempre se apresentarão. Mas existe o descompasso natural do nosso mercado para com o internacional. Como lidamos com empresas internacionais que a todo momento lançam novos produtos — algumas vezes desenvolvidos para mercados mais sofisticados —, a expectativa que os executivos das marcas têm para com o mercado brasileiro algumas vezes é superestimada em face da nossa realidade de renda e informação do consumidor.

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A distância entre esses dois mercados (interno e externo) está se estreitando a cada dia, graças à velocidade da informação e aos nossos esforços de apontar aos fornecedores os reais anseios e necessidades do consumidor brasileiro.

Como o Habro Group enxerga o potencial de consumo da classe C? Vocês estão adequando os valores dos produtos ou solicitando às marcas produtos adequados a essa realidade?

Alec/Alfred: Com o maior acesso à informação, as classes C e D tornaram-se hoje mais exigentes que antes. O fator preço continua sendo um dos aspectos mais importantes, entretanto, se este não vier aliado a aspectos como qualidade, design e performance, muitas vezes o consumidor acaba não optando por alguns produtos ou marcas. Não bastam apenas preço e embalagem atrativa. O conteúdo tem de satisfazer não só as necessidades como também os desejos do consumidor. A ‘experiência’ proporcionada pelo produto tem influência direta no sucesso das marcas. Por conta disso não concentramos nossos esforços apenas no fator preço. A cada dia nos esforçamos mais e mais para entender o que os consumidores buscam, quais são as novas tendências… Enfim, o grande desafio diário é traduzir isso em produtos e na escolha de marcas que sejam uma resposta mais honesta e arrojada aos anseios dos consumidores.

Em sua opinião, o que o mercado, no geral, deve fazer para se desenvolver mais rapidamente e com maior solidez? 

Alec/Alfred: Achamos que ele já está se desenvolvendo naturalmente. As lojas estão se estruturando e procurando profissionais que possam atender melhor ao novo perfil do consumidor brasileiro, que hoje está cada vez mais antenado com as novidades de todo o mundo por conta da internet. Os distribuidores estão, por sua vez, fazendo sua parte buscando treinar seus quadros de funcionários para que eles sejam mais proativos em detectar as necessidades dos lojistas e dos consumidores finais. Claro que seria bom também uma menor carga tributária para o nosso setor, com base no fato de que música é cultura, mas infelizmente ainda não podemos contar com isso.

Como você projeta o setor daqui a dez anos?

Alec/Alfred: O mercado está em constante mutação. Posições que eram claras e definidas até pouco tempo hoje não são mais as mesmas. Dentro de dez anos o mercado será algo muito mais transparente do que é hoje. Novas marcas — até então desconhecidas — farão seu début no mercado mundial. Não podemos, por exemplo, subestimar a habilidade das novas marcas asiáticas que, cada vez mais, estão aprendendo rapidamente como comercializar seus produtos e, com isso, criando demanda aliada à alta capacidade produtiva que eles já possuem.

MARCAS

Vocês pretendem trazer novas marcas internacionais para o grupo. Há alguma articulação nesse sentido? Pode nos dar nomes ou apenas uma pista?

Alec/Alfred: Em primeira mão para os leitores da Música e Mercado, gostaríamos de anunciar a chegada da marca Mooer (pedais butique).

Em termos de participação, qual é a divisão de todas as marcas da empresa?

Alec/Alfred: Eis um fator relevante e importante em nossa característica de importador/distribuidor multimarcas. Não temos forte dependência de nenhuma marca que representamos e não deixaremos que isso aconteça jamais. Somos constantemente procurados por empresas que buscam representação no Brasil, mas tomamos o cuidado de sempre defender nosso negócio e a manutenção dessa configuração de participação das marcas. Uma marca ou produto em linha é cuidadosamente estudado para não canibalizar nosso portfólio e descaracterizá-lo.

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Assim como muitas importadoras estão investindo em marcas próprias, além da Shelter estão previstas novas marcas via OEM?

Alec/Alfred: Em paralelo ao nosso trabalho de distribuição temos um departamento especialmente dedicado à pesquisa e desenvolvimento de novos produtos para nossas marcas OEM (Shelter, Fenix, Avatar e outras). Graças a essa estrutura, estamos sempre trabalhando tanto na modernização de nossas linhas quanto no desenvolvimento de novos produtos. Dessa forma, lojistas e consumidores podem esperar por lançamentos e novidades quentes para a Expomusic, mas preferimos esperar um pouco mais para divulgar qualquer novidade.

Quais são os principais desafios de se lidar com marcas mundiais renomadas?

Alec/Alfred: A princípio, pensamos que o principal desafio é adequar as demandas dos fornecedores das marcas renomadas às particularidades do mercado nacional, algo com que acreditamos ter lidado muito bem no decorrer desses mais de 20 anos. É sempre um desafio também quando certos lançamentos mundiais, que alcançaram sucesso em seus países de origem, não atingem o mesmo desempenho ou aceitação em nosso mercado, em parte pelo poder de compra do consumidor brasileiro em relação ao estrangeiro, mas também pela grande carga de impostos que encarecem o produto até ele chegar às vitrines das lojas. Temos ótimo diálogo com a maioria absoluta de nossos fornecedores, o que facilita administrar e enfrentar esses desafios constantes, e que fazem parte do nosso negócio.

GESTÃO

O que o lojista deve saber antes de trabalhar com o Habro Group?

Alec/Alfred: Que somos uma empresa com uma missão: somos obstinados em oferecer os melhores produtos, preços, condições e oportunidades. Buscamos nos atualizar e renovar, estamos preparados para acolher nossos parceiros, que é como gostamos de enxergar nossos clientes. Procuramos estar cada vez mais presentes nas lojas, sempre receptivos, queremos ouvir a opinião de nossos clientes, de seus funcionários e consumidores. Somos cientes de nossa importância para o mercado, pela força de nossas marcas, pela nossa trajetória sempre vitoriosa, e teremos muito prazer em tê-los conosco para escrever mais alguns capítulos dessa história de muito trabalho e conquistas.

De que maneira a adoção da substituição tributária impactou nos seus negócios?

Alec/Alfred: A substituição demandou das empresas distribuidoras e da indústria em geral maior capital de giro. Isso acontece porque, na prática, você está financiando tanto o seu cliente como antecipando ao governo um imposto que na ponta ainda não foi devidamente pago pelo consumidor.

Qual será a principal novidade do grupo em 2013?

Alec/Alfred: O desenvolvimento de um programa de treinamentos e workshops para as equipes das lojas das mais diferentes regiões do Brasil. A ideia é ajudar nossos clientes a tomar decisões de compra e venda cada vez mais assertivas e orientadas ao sucesso de seu negócio.

 

 

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