GESTÃO & LIDERANÇA: O mal da mediocridade

GESTÃO & LIDERANÇA: O mal da mediocridade
Janeiro 02 17:22 2013

Setenta por cento de tudo que é observável no comportamento humano é a média geral. Acima, encontram-se as pessoas extraordinárias; abaixo, os tolos e inflexíveis. Onde você se posiciona como líder?

Por Tom Coelho

Dia desses, em um voo durante a madrugada, uma senhora sentada ao meu lado, na poltrona central, tentava acomodar a cabeça de seu filho adormecido de pouco mais de 3 anos, que acabara de passar por uma cirurgia cardíaca. O quadro era de grande desconforto. Por isso, decidi ceder meu lugar no corredor a ela, deslocando-me para um assento localizado na saída de emergência.

Imediatamente, a comissária me interpelou, informando que aquele assento era exclusivo para quem havia ‘adquirido o produto no check-in’, de modo que eu deveria retornar ao lugar de origem. Diante de minha explicação sobre o porquê de eu ocupar aquela poltrona naquele momento, ela emendou: “Estou apenas seguindo ordens”.

Em outra ocasião, hospedei-me em um hotel luxuoso reservado pela empresa contratante, com um valor de diária exorbitante para quem apenas repousaria por algumas poucas horas. Assim que entrei no quarto, busquei o cardápio, a fim de fazer uma refeição após tantas horas de voo. Porém, o atendente na cozinha disse-me que não poderia acatar meu pedido, pois o serviço havia encerrado à meia-noite. Detalhe: o relógio marcava meia-noite e nove!

Mundo estranho

A mediocridade é uma das maiores chagas do mundo moderno. Ela representa estatisticamente a porção central da distribuição normal, ou curva de Gauss, segundo a qual cerca de 70% dos eventos observáveis encontram-se dentro da média com mais ou menos um desvio padrão.

É medíocre o aluno que se esforça apenas para obter a nota mínima exigida para passar de ano. É medíocre o estudante de pós-graduação que comparece às aulas com desinteresse, pois seu único objetivo é alcançar o certificado para rechear seu currículo. É medíocre o trabalhador que laconicamente apenas cumpre ordens, destituindo-se de um mínimo de bom senso e flexibilidade, como nos dois casos acima relatados.

Leia também:  GESTÃO & LIDERANÇA: Sinais de desmotivação

Olhando para os extremos da curva de Gauss, identificamos dois grupos importantes de variáveis, muito acima ou muito abaixo da média, e que por esta característica de excepcionalidade impactam de forma decisiva os rumos da história. É o que Nassim Taleb denomina de ‘Extremistão’, em sua obra A lógica do cisne negro – O impacto do altamente improvável.

 E na gestão…

No mundo da liderança, temos, do lado direito da curva, os grandes líderes e realizadores, aqueles que se destacam pela proatividade e elevada resiliência (fator de adaptação às circunstâncias). Já do lado esquerdo encontramos os dotados de falta de discernimento e sensibilidade.

O maior desafio de um gestor, líder ou educador, em qualquer cenário ou âmbito, é distorcer a curva de Gauss, trazendo os tolos ao menos para a média — ou livrando-se deles, quando possível — e estimulando os medíocres a abandonarem a zona de conforto para se tornarem pessoas especiais, comprometidas e engajadas, capazes de fazer não apenas o possível, mas de entregarem o seu melhor.

 Agora eu lhe pergunto: em que ponto da curva você se encontra?

*Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 17 países. É autor de Somos maus amantes – Reflexões sobre carreira, liderança e comportamento (Flor de Liz, 2011), Sete vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional (Saraiva, 2008) e coautor de outras cinco obras. Contatos pelo e-mail [email protected]. Site: www.tomcoelho.com.br

Comentários
view more articles

About Article Author

MM
MM

Música & Mercado é uma revista empenhada em promover e divulgar o mercado e negócios para a indústria de áudio profissional, iluminação e instrumentos musicais. Nós amamos o que fazemos.

View More Articles