Fiscalização: do humano ao digital

Fiscalização: do humano ao digital
maio 13 10:49 2009

Fiscalização: do humano ao digital
Lojistas, representantes, fornecedores: esqueçam seu passado — suas receitas e despesas agora são checadas eletronicamente

Não é fácil passar pelas fases da história e entender o que ocorre a cada momento. Entretanto, ser brasileiro também significa ter mais que jogo de cintura. Em 20 anos, o mercado de música mudou consideravelmente. Do mercado fechado ao aberto, da fiscalização humana à digital. Onde você estará em dez anos?

Na história recente ocorreram três movimentos muito claros: mercado fechado, em que as fábricas reinavam, com foco interno. Após a era Collor, entrou o que podemos chamar de livre mercado. Nesse período, fabricantes que tinham o mercado na mão e pouco usaram da sua sabedoria para conquistar a mente e o coração dos consumidores quebraram ou quase.

Os importados, cheios de fetiche, chegavam ao Brasil. Nessa vinda, fabricantes que não se adequaram — antes — para a competitividade, seja em posicionamento de marca ou em capacidade produtiva, tiveram muita dificuldade nos anos seguintes. Lojas que tratavam os consumidores como se estivessem fazendo um favor ao mostrar ou explicar o produto também tiveram problemas. Os mais desavisados quebraram ou partiram para outros negócios.

A mudança tinha começado e era hora de se readaptar. Durante quase toda a década de 1990 houve uma intensa migração para os produtos importados, fato atribuído à demanda, ao dólar baixo e também à facilidade de importação, com pouco controle governamental.

Em 1999 o dólar dobrou, novos problemas à vista. Alguns importadores saíram do mercado, outros ganharam força e marcas famosas. Até 2009 houve a adequação entre fábricas que sobreviveram e outras criadas nesse período, além de algumas tentativas de maior balanço entre o jogo de importadores, fabricantes e lojistas. Houve reuniões na única associação do setor, na época. Muita conversa, ’tudo acertado, nada resolvido’, e a bola ia rolando para deixar a balança mais e mais descompensada.

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As lojas também passaram a reclamar do que chamaram imposição de compra. Para completar o jogo, lojistas iniciaram suas próprias importações, alguns com produtos de marca própria, outros com marcas famosas. Uns quebraram, outros continuam até hoje, e crescendo. O outro lado: um ou outro fornecedor, com o argumento de que algumas lojas importam, ensaiaram parcerias com lojas físicas e virtuais. No fim das contas, ninguém quer se sentir na ’mão’ de ninguém. Faz sentido? É legítimo. O problema é o desequilíbrio que isso cria ao longo do tempo.

Nesse imbróglio, sobram ameaças veladas de ambas as partes e pouca ação para o crescimento do mercado. É o mesmo caso do país que se arma ao se sentir ameaçado, e no final todos estão certos e lutam pela paz, em nome de Deus. A falta de equilíbrio gera exagero, para o bem e para o mal. Não há santos em nenhuma das partes. Nessa paródia luterana, onde Deus deveria ser o mercado, perdemos o foco e olhamos os santos.

O quarto período é o que passamos agora, vamos chamá-lo de tracking. Nessa fase do mercado, tudo é digitalmente observado pelo governo. Seu imposto de renda é analisado por computadores, sua empresa será fiscalizada eletronicamente (mais provável que já esteja). Os fornecedores pagarão o imposto na saída do produto para sua loja e seu estoque automaticamente estará ligado à emissão da nota fiscal pelo fornecedor.

Este estará ligado com os fornecedores dele e assim por diante. Tudo vigiado pela Receita Federal. Mas você pode dizer: "Isso só ocorre com os Estados governados pelo partido A ou B". Esqueça: isso é uma realidade que em dois meses ou um ano chegará ao seu Estado e município. A melhor forma de entender é colocar a empresa nos eixos, seja em relação a compras, parte fiscal, funcionários. Principalmente não se iluda pensando "sempre fiz assim e não é agora que irei mudar". Por atitudes como esta é que muitas empresas do passado quebraram ou tiveram problemas quando o mercado mudou em 1990.

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E, ainda, sua concorrência pode ou não estar na sua cidade. O avanço da internet amplia consideravelmente o raio de ação das lojas que já atuam com comércio eletrônico e, conforme a internet cresce, seus preços serão cada vez mais comparados com os das lojas das grandes capitais.

Charles Darwin, famoso naturalista que desenvolveu a Teoria da Evolução, dizia que não são os animais mais fortes que sobrevivem, e sim os que se adaptam às mudanças. Estamos no meio dessa transformação, em que o que era fiscalizado por homens agora terá fiscalização digital. Não importa muito se você é forte ou fraco, mas se está apto a aceitar essa condição e ter os dados cruzados de diversas formas. Assim sendo, você continua achando que é tudo igual ao passado?
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