Entrevista com Fabiana Batistela, diretora da SIM São Paulo

Entrevista com Fabiana Batistela, diretora da SIM São Paulo
abril 03 08:14 2018

É difícil organizar um evento de música? É difícil se posicionar em um mercado tão complicado? As respostas poderão até ajudar você com os eventos da sua empresa

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Fabiana Batistela

Fabiana tem mais de 18 anos no mercado da música, 15 como diretora e fundadora da Inker e, há cinco anos, é diretora da Semana Internacional da Música em São Paulo.

Ela também foi responsável por trazer várias bandas internacionais para o Brasil, muitas delas pela primeira vez, como os Pixies ao Curitiba Pop Festival 2004; Cat Power, Mudhoney e Yann Tiersen à Virada Cultural Paulista 2010; Cypress Hill e Damien Marley ao Festival M.A.C. 2015 e Supergrass e Cardigans ao Campari Rock 2006.

A SIM São Paulo aconteceu entre 6 e 10 de dezembro de 2017 e completou seus primeiros cinco anos, consagrando-se cada vez mais no calendário anual de São Paulo. Além de reunir representantes de vários países e representar o Brasil nas principais feiras de música pelo mundo, como Primavera Sound, Imesur, Reeperbahn e Miden, novas parcerias estão surgindo. Este ano, Austrália, Canadá e Argentina fizeram suas programações em casas noturnas de São Paulo, por exemplo.

Além disso, em 2017 a SIM seguiu uma regra especial: metade da programação de showscases e palestrantes foi feminina, para reforçar o espaço da mulher no meio artístico e também no mercado de trabalho. Quer saber mais sobre a Fabiana e a edição 2017 da SIM? Veja mais a seguir.

M&M: Como está sendo dirigir a SIM nesses cinco anos?

Fabiana: Dirigir a SIM São Paulo é um grande desafio. Em um mercado que ainda está em desenvolvimento, em transformação, muito já mudou desde a primeira edição. Acho que a SIM tem crescido junto com o mercado brasileiro. Equipes crescendo, programação também, comissões de vários estados e países. São várias as frentes que abrimos, além de toda a programação no Centro Cultural São Paulo, toda a programação dos showcases, programação noturna. São três frentes: uma desde 2015, o SIM Transforma — que é a nossa conexão com a periferia; em 2017 lançamos o Prêmio SIM; e para a próxima edição, 2018, vamos ter o Data SIM.

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M&M: E as novas parcerias com diferentes países?

Fabiana: Em 2017 foram 21 países participando da SIM. Três comissões oficiais: uma da Austrália, outra do Canadá e outra da França — patrocinadas pelos governos de seus países por meio de escritórios de exportação, consulados e embaixadas. Além desses, algumas comissões independentes do mercado, como a do México, que foi financiada pela BMA, Chile, Portugal e várias outras comissões. Temos fortalecido essas conexões e parcerias com os outros países e a cada ano agregamos mais parceiros internacionais às nossas atividades.

M&M: Como surgiu a ideia de que metade da programação de showscases e palestrantes em 2017 tinha que ser feminina?

Fabiana: Para que a gente incentive o protagonismo feminino no mercado da música. Isso se dá na parte de programação artística, programação de conferência, produção (onde 90% já são mulheres). Essa regra é para prestarmos atenção não só no primeiro nome que vem à nossa cabeça, que normalmente é masculino. Tem muita mulher no ramo da música e normalmente elas não são protagonistas. Na maioria das vezes, é um sócio homem com as mesmas responsabilidades que fala pelo projeto.

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M&M: Para você foi difícil trabalhar no mercado da música no começo?

Fabiana: Fácil nunca foi! Difícil é agora, sempre. Vivemos em um país que não tem muito essa tradição de programas de apoio à cultura, de continuidade e formação de público, de capacitação de profissionais, de incentivo a programas de circulação, exportação e desenvolvimento de carreiras. Não contamos com políticas públicas apropriadas. Vivemos sempre em um cenário desfavorável, desde o começo. No começo — 15 anos atrás —, era um mercado em transformação, no mundo inteiro. Vimos algumas oportunidades nesse mercado e tentamos criar uma história própria, diferente, fazendo e experimentando o que a gente quis. Algumas coisas deram certo, outras não. Hoje o mercado é mais sólido, mais organizado, já sabe o que funciona e o que não funciona. Existem empresas gigantes que surgiram na última década na música e com isso há coisas mais fáceis e mais difíceis. Um exemplo é a competitividade, que é muito maior. Principalmente nesse último ano, a crise econômica no Brasil não ajudou nem um pouco, e o mercado sofreu.

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M&M: O que você pode contar sobre a organização da SIM?

Fabiana: Quanto à conferência, temos um grupo de consultores que fazem parte do conselho consultivo da SIM. São 13 pessoas que se reúnem a cada 15 dias e que trazem novidades de vários países, que conhecem o mercado da música e que estão conectados, sempre em várias feiras e festivais do mundo inteiro, sobre vários setores da música. Discutimos durante o ano sobre o que há de mais novo no mercado para trazer ao Brasil na SIM São Paulo.

M&M: O que você acha do mercado musical brasileiro hoje? Um mercado que certamente tem vida própria e não segue tanto as tendências internacionais como outros países.

Fabiana: O Brasil é um país que tem uma produção artística gigante, brilhante, uma das maiores e melhores do mundo. Aqui temos muita variedade de música, de artistas, de regiões, de estilos, de fabricantes, e essa produção é muito rica. Acho que hoje a grande questão da música do Brasil é saber como exportar todo esse conteúdo. Tem vários países que já ouvem muito música brasileira, mas temos que saber como aperfeiçoar isso para levar para mais países ainda.

M&M: E como você está vendo o mercado internacional?

Fabiana: Quanto aos outros países, acho que ainda existe uma rota tradicional da música com os mercados mais desenvolvidos, como os Estados Unidos e a Inglaterra. Mas hoje vemos novos territórios crescendo muito rápido, como o mercado da América do Sul, Canadá — que está despontando — e o mercado da Austrália, que, se não me engano, atualmente é o sétimo maior mercado da música.

M&M: Que outros destaques houve na SIM SP 2017?

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Fabiana: Em 2017 aconteceu uma edição muito especial, a de cinco anos. Tentamos organizar mais atividades para conectar as pessoas. Crescemos. Foram mais de 2.500 credenciados, cerca de 30 mil pessoas circulando por todas as novas atividades. O prêmio também foi muito importante, conseguimos destacar os melhores do mercado em 2017. Acho que foi um ano em que também tivemos muitos representantes da cultura, de vários estados e países, como cônsules, embaixadores, secretários de cultura e outros.

Abrimos conexão também com o mercado de instrumentos musicais do Brasil. Já tivemos participação de grandes marcas, como Roland, Fender, Pride, Habro, Anafima, Expomusic. Também fortalecemos a parceria com as instituições de ensino, tanto faculdades como escolas de música e music business. E terminamos a edição de 2017 com o mercado empolgadíssimo para construir a SIM São Paulo 2018. Já recebemos várias propostas e estamos muito felizes com o que vai acontecer.

Mais informações: simsaopaulo.com.br

facebook.com/simsaopaulo/

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