Eles aprenderam a fazer gaitas

Eles aprenderam a fazer gaitas
setembro 29 16:25 2008

Tornar um instrumento perfeito musicalmente é o desejo de dez entre dez empresas que atuam no segmento profissional. Como o conceito ‘perfeição’ é bastante relativo, resta às fabricantes elevar ao máximo a qualidade dos produtos de acordo com a demanda dos clientes, o que exige muito investimento, expertise e, principalmente, tempo. Pelo menos foi isso que o casal de empresários Melk Rocha e Renata Rigout, da fabricante de gaitas Bends, perceberam há cerca de dois anos, quando montaram a empresa.

A idéia para a criação da fábrica surgiu em 2004, os investimentos começaram em 2005 e, em 2006, as atividades foram iniciadas. No entanto, a paciência não parou por aí. Mesmo com a inauguração da fábrica, os modelos só foram lançados no mercado em novembro do ano passado. Motivo? Esse foi o tempo necessário para a empresa desenvolver o produto que considerava mais próximo da tão sonhada ‘perfeição’.
A espera, segundo os empresários, trouxe resultados. A meta para 2008, de alcançar 20% do mercado nacional de gaitas, foi concluída nos primeiros seis meses do ano. Um novo prédio com aproximadamente o dobro de tamanho do antigo está em término de construção no terreno da fábrica, que fica num espaço de 55 mil m2 em Ribeirão Pires, na região da Grande São Paulo. A partir do ano que vem, a expectativa é iniciar as exportações, além de aumentar cada vez mais a participação no mercado nacional.

“A gente brinca que a primeira gaita que fizemos, quando soprávamos era um ventilador e, quando aspirávamos, tornava-se um exaustor”, comenta Renata. O plano, segundo os empresários, não era esperar tanto tempo para lançar o produto no mercado. No entanto, as primeiras gaitas fabricadas não trouxeram o resultado esperado e a decisão foi não lançar e começar tudo de novo. “Tínhamos máquinas que simplesmente foram descartadas”, acrescenta a empresária.
Além disso, o próprio treinamento dos funcionários foi reforçado, uma vez que, por ser um segmento muito específico, não existiam técnicos da linha de produção especializados na fabricação de gaitas. Além de levar os colaboradores para shows, a empresa também criou um curso de gaita, no qual 30 dos atuais 40 funcionários estão inscritos. “O trabalho é muito manual. Percebemos que a máquina pode ser a melhor possível. Se o trabalhador não for uma pessoa que gosta e sabe o que está fazendo, a gaita não sai”, afirma Melk Rocha.

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Mercado
Por ser nova, a marca ainda encontra alguma resistência do mercado. Entretanto, aos poucos as lojas vão apostando na idéia e as vendas aparecem, como explicam os empresários. Para isso, o trabalho com os representantes é considerado essencial. Eles são levados à fábrica para conhecerem a produção e a essência da marca. “Alguns já alavancaram as vendas e estão na fase do terceiro ou quarto pedido. Também já notamos a iniciativa por parte de consumidores pedindo pelo produto”, comenta Fernanda Webler, coordenadora de comunicação da empresa.

Para tornar a marca conhecida por parte dos consumidores, a Bends aposta no trabalho com os endorsees. Também foi contratada uma agência especializada para criar o conceito da marca. “Pensamos em detalhes como embalagem e cases para colocar as gaitas. A intenção é atingir diferentes públicos. Uma aposta é trabalhar o produto como opção de presente, por exemplo”, diz Rocha.
O empresário, que, aliás, é gaitista, aposta na paixão pelo o que faz para incrementar os negócios. “Somos uma empresa jovem que quer dar o melhor de si. A nossa vida passou a ser as gaitas.”

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