Do vinil aos instrumentos musicais

Do vinil aos instrumentos musicais
junho 11 10:44 2008

No mercado há 19 anos, a Center Som foi, até meados de 2006, uma rede de lojas no Sul do País voltada exclusivamente ao segmento fonográfico. No período, o mix de produtos ofertados passou pelos antigos discos de vinil e fitas cassete até chegar aos ‘modernos’ CDs e DVDs. No entanto, com o advento da internet, do MP3 e da pirataria, a sobrevivência no setor tornou-se praticamente impossível.

A saída foi entrar, aos poucos, no setor de instrumentos musicais. Hoje, os equipamentos de música e seus acessórios ainda representam 35% dos negócios da rede, mas a pretensão é aumentar essa fatia à medida que o mercado fonográfico encolher ainda mais.

O novo segmento tem dado bons resultados à Center Som. Depois de chegar a fechar algumas lojas e a venda de CDs e DVDs sofrer queda de cerca de 30% nos últimos anos, aconteceu um incremento de 18,5% no faturamento da rede em 2007, alta impulsionada pelos instrumentos musicais e acessórios. Para este ano, a previsão é suprir toda a queda do antigo setor com os equipamentos musicais e incrementar em 15% os negócios, como explicou à Música & Mercado o gerente de compras Edison Luiz Stein.

1) Como surgiu a idéia de criar a Center Som?
A Center Som já está no mercado há quase 19 anos, desde o tempo do vinil e da fita cassete. A idéia veio de um sonho de negócio próprio do dono, Paulo Luíz Schutz, que até hoje acompanha de perto as atividades da empresa. O início foi em 2 de setembro de 1989. Seu primeiro endereço foi onde ainda temos uma loja, no centro de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina. Hoje são 12 unidades.

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2) De que forma funcionou o processo de ampliação da rede?
No início, a ampliação restringiu-se apenas a lojas na própria cidade. Com o surgimento do CD e posteriormente do DVD, percebeu-se a possibilidade de ampliação dos negócios para outras cidades. Com isso, aumentamos nosso poder de compra e de negociação com os fornecedores, o que resultou nas vendas por atacado também. Até hoje trabalhamos com os dois tipos de vendas. Atendemos todo o Estado de Santa Catarina, parte do Paraná e Rio Grande do Sul. Temos ainda setor de telemarketing e a loja virtual (www.centersom.com.br). Nossa última unidade montada foi no Shopping Iguatemi, em Florianópolis, em abril de 2007.

3) Como a venda de CDs e DVDs foi diminuindo?
Todos sabem das dificuldades que o mercado fonográfico enfrenta com relação à pirataria e à internet. Foi e está sendo inevitável tentar conter a queda nas vendas desses produtos. Fomos obrigados a buscar alternativas para nos manter no mercado. É aí que entraram os instrumentos musicais. Na transição e queda de vendas de CDs e DVDs, tivemos de fechar algumas lojas, principalmente unidades nos shoppings, responsáveis por custos de manutenção muito elevados, incompatíveis com o mercado.

4) Como surgiu a idéia de mudar o mix de produtos para instrumentos musicais? O investimento foi grande?
Ainda não mudamos completamente o mix das lojas e não temos essa pretensão enquanto existir o consumidor de CDs e DVDs. Logicamente que, à medida que o mercado fonográfico for encolhendo, ele será ocupado pelos instrumentos musicais e acessórios. Os investimentos estão acontecendo principalmente na reestruturação e adaptação das lojas para o novo tipo de produto. A maneira de exposição e de trabalho é totalmente diferente. Tivemos de dispor também de recursos consideráveis para a aquisição dos novos materiais.

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5) Quais instrumentos vendem bastante e têm boa representatividade no faturamento?
O violão, dentro do setor, é o carro-chefe e corresponde a cerca de 55% das vendas entre os instrumentos musicais, excluindo-se os acessórios. Vendemos muito bem guitarras e teclados. Todos eles, porém, na linha mais popular e acessível. Em algumas lojas, principalmente nas de shoppings, estamos trabalhando com uma linha um pouco mais sofisticada.

6) Qual é o perfil do público da loja?
Sem dúvida, nosso maior público ainda é o popular. No entanto, conforme vamos nos aperfeiçoando no setor, certamente atingiremos um público premium. Estamos buscando esse equilíbrio.

7) Depois que a Center Som passou a trabalhar no setor de instrumentos, o faturamento aumentou? Novos funcionários foram contratados?
Tivemos um acréscimo no faturamento total. A venda de CDs e DVDs sofreu uma queda de aproximadamente 30% nos últimos anos, que foi suprida por este novo mercado. Quanto aos funcionários, no processo seletivo passamos a levar em consideração o conhecimento em instrumentos musicais, pois o cliente quer sentir segurança nas informações do vendedor. Apesar de sempre termos trabalhado com música, o CD e o DVD não exigiam um conhecimento técnico sobre o produto.

8) As expectativas de trabalhar no segmento foram superadas?
Sim, com certeza. Estamos muito satisfeitos. Ainda nos consideramos principiantes, mas estamos buscando aperfeiçoamento e vemos grandes oportunidades pela frente.

9) Quantas peças são comercializadas pela rede ao mês?
Considerando o setor de instrumentos musicais, cerca de mil unidades ao mês. Nossa loja campeã de vendas está no centro de Curitiba, na Praça Osório, com ampla vitrine e grande fluxo de pessoas. Um tradicional ponto-de-venda no segmento.

10) A Center Som planeja expandir mais a rede?
Nosso principal objetivo hoje é nos estruturar para poder atender com qualidade nossos clientes. Temos muita coisa a fazer. Claro que à medida que as oportunidades forem surgindo, elas serão analisadas, dentro das nossas possibilidades.

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11) A crise norte-americana pode influenciar os negócios da loja?
Sim, porque grande parte dos nossos instrumentos é cotada em dólar. Havendo oscilações, sentiremos aqui, tanto para melhor quanto para pior. A crise norte-americana também afeta a estabilidade do mercado nacional e todos sofrem. Um clima de insegurança e de incertezas nunca é bom porque desacelera o consumo.

12) O ano de 2007 foi bom para a rede? O que impulsionou o resultado?
Não podemos dizer que foi um ano bom para a rede em função da crise no mercado fonográfico, que ainda representa a maior parte do nosso faturamento. Foi um ano muito bom no setor de instrumentos musicais e acessórios. Tivemos um incremento de 18,47% no faturamento das lojas, impulsionado pelo setor de instrumentos.

13) Quais são as expectativas da Center Som para 2008?
Sabemos que a queda no consumo de CDs e DVDs deve continuar. Esperamos poder suprir essa queda com a venda de instrumentos e ainda ter um aumento no faturamento total da empresa em torno de 15%.

Center Som
www.centersom.com.br

São 12 pontos-de-venda: dez em Santa Catarina e dois no Paraná
Jaraguá do Sul – (47) 3371-2847 / (47) 3275-2005
Joinville – (47) 3433-3374 / (47) 3455-2294 / (47) 3422-4621
Brusque – (47) 3351-3886
São Bento do Sul – (47) 3633-1235
Curitiba – (41) 3322-1982 / (41) 3029-6424

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