Dólar em queda, mercado em alerta

Dólar em queda, mercado em alerta
Março 23 08:00 2006

Não dá para negar que a desvalorização da moeda norte-americana preocupa diversos setores da economia, inclusive o de áudio e instrumentos musicais. Fica então a pergunta no ar: como driblar esta situação sem efeitos colaterais graves a médio e longo prazo? Música & Mercado conversou com especialistas e empresários da música para traçar um panorama do cenário atual da queda de braço entre real e dólar, as conseqüências para o comércio e a indústria de áudio e instrumentos e apresentar soluções para amenizar o baque no setor.



A luz amarela está acesa. Com o forte ritmo de crescimento mundial, aliado às altas taxas de juros praticadas no Brasil, o dólar entra em queda livre, acentuada nos últimos dois meses. O momento é de alerta, pois o dólar barato acaba fazendo com que remessas da moeda americana vazem como água do País, derrubam as exportações e favorecem as importações. O que isto tudo pode causar? Simples: com as importações em alta, produtos estrangeiros invadem as prateleiras das lojas e tornam nossos itens menos competitivos, por estarem vinculados a altos valores de impostos.


As exportações brasileiras caíram sensivelmente em fevereiro. Mandamos US$ 2.162 bilhões para fora e importamos US$ 1.583 bilhões, revelando aí uma queda de 41% no superávit (ficou em US$ 579 milhões), em relação ao mesmo período do ano passado. “Toda vez que o dólar perde valor, os produtos importados ficam mais baratos e passam a ter preço menor como subsídio”, destaca o professor do Departamento de Economia da PUC-SP, Claudemir Galvani. Ou seja, uma guitarra importada comprada por US$ 5 mil, com o câmbio a R$ 3,00 seria vendida aqui a R$ 15 mil. Com o dólar a R$ 2,15, para ficar na média, o preço cai para R$ 10.750,00. “Essa situação faz os instrumentos produzidos aqui no Brasil perderem mercado para os estrangeiros”, observa Galvani. Para completar o atual cenário, o saldo da balança comercial (o que entra e sai do País) ficou deficitário pela primeira vez desde janeiro de 2005, em US$ 372 milhões. Isso se explica pelo aumento do montante de dólares que está saindo do país, pela valorização do real.
 
Quem sofre mais?
Antes de mais nada, é preciso voltar um pouco no tempo e lembrar que o processo de abertura das importações, no início da década de 90, tornou a economia brasileira suscetível a choques externos, característica que só nos últimos dois anos começou a ser alterada. A vulnerabilidade, por sua vez, imp

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