Dixon Drums quer mais Brasil

Dixon Drums quer mais Brasil
maio 13 10:13 2009

Para driblar o atual cenário econômico, a Dixon Drums promete investir em novas distribuições e aumentar suas vendas no Brasil em 2009

Quando se fala em expansão, não é segredo que os países emergentes (com a economia em crescimento) são um bom alvo para aumentar as vendas de instrumentos musicais. Apesar de a crise financeira mundial desacelerar os negócios internacionais, há empresas que não se conformam com a estagnação.

A Dixon é um bom exemplo de determinação. Segundo Mike Sails, presidente da corporação taiwanesa que fabrica baterias, seu foco sempre esteve na Europa e EUA. Entretanto, como começou a oferecer linhas de instrumentos mais completas, a expansão para a América Latina se tornou prioridade. “Como somos uma marca nova nessa região, sabemos que será difícil entrar fortemente nesse ramo. Por essa razão, estamos felizes em ter boas parcerias com empresas como a Equipo e a Music Distribución. O mercado latino-americano é importante para qualquer marca que deseja se tornar líder”, comenta. A empresa espera que seus negócios em países como o Brasil sejam significativos. Hoje, a América Latina e a Espanha representam apenas 10% dos comércios.

dixon_drumsPara chegar aonde quer, a Dixon também sabe que terá de lidar com os competidores locais. O setor continua acirrado e cada local tem suas características. Esse é o motivo pelo qual a empresa investiu anos de pesquisa de desenvolvimento para garantir a qualidade de suas baterias. Segundo Sails, o maior desafio será conquistar os músicos para avaliar seus produtos. “Quando experimentam e percebem a qualidade, eles reconhecem nosso valor”, opina.

Produção e estrutura

Não há dúvida de que a crise econômica também teve impacto na indústria musical. Para Sails, como a Dixon fabrica e vende, a pressão da atual economia é sentida nos dois lados. “Teremos de ser muito cuidadosos na reposição dos preços, além de atingir uma ótima produtividade. Daremos o primeiro passo para garantir que nossos parceiros sejam beneficiados com o resultado de nossa economia de preços”, afirma. Mas crescer com um cenário turbulento não é tarefa fácil. Nesse momento, as estratégias são cuidadosamente elaboradas para não dar um passo em falso. O foco da Dixon será o desenvolvimento de sonoridades — a empresa continuará a levar sons novos e únicos aos consumidores. “Ao nos comparar com outros fabricantes de bateria, olhamos para nós mesmos e enxergamos o que podemos fazer melhor.”

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Como é uma nova marca no mercado latino, a Dixon tem mais flexibilidade para se ajustar à queda econômica. Para Sails, isso ajuda a alterar a estratégia da empresa.

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A matriz da Dixon está localizada em Taiwan. Seus escritórios e fábricas também estão nos EUA e na China. Para desenvolver um produto, a corporação envolve sua equipe de vendas e parceiros. “Nossos distribuidores estão separados em dois grupos. De um lado, temos os de longo prazo (alguns com mais de 20 anos); e do outro, temos os novos (menos de dois anos)”, conta o presidente. A empresa também monitora as condições em cada mercado e trabalha próxima de cada parceiro para conhecer suas necessidades.

Resultados

Como a Dixon está há pouco tempo na América Latina, ainda não se sabe com precisão qual produto faz mais sucesso. Já na Europa e América do Norte, a empresa apresenta resultados crescentes. “Nosso modelo mais vendido é a série de kits de bateria Predator. Ela oferece o melhor valor para o músico. Temos tido um crescimento consistente pelo mundo. Com a economia se apertando, aplicamos princípios do negócio de som para administrar nossa produção. Um benefício é que nossos produtos são tradicionalmente de alta qualidade, com preços acessíveis.”

Assim como qualquer marca nova no mercado, a Dixon enfrenta dificuldades por conta dos consumidores serem influenciados pelos nomes de marcas já consolidadas. Mas Sails garante que estão trabalhando fortemente para ganhar mais espaço e cumprir a promessa de fabricar produtos com uma sonoridade única.

Distribuição no Brasil

A Música & Mercado conversou com Everton Waldman, diretor da Equipo — empresa que distribui a marca no País. Confira a entrevista na íntegra.

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>> Como você avalia a participação da Dixon no mercado brasileiro? Como a Equipo pode colaborar nesse sentido?  
A Dixon chegou ao Brasil há muito tempo, mas depois ficou fora do nosso mercado. Recentemente, com sua volta ao mercado nacional, está cedo para avaliar sua participação, pois estamos bem no início do processo. A primeira aparição Dixon/Equipo foi na Expo Music 2008, quando o dólar começou a oscilar. Isso foi um balde de água fria em todos. Acredito que a Equipo pode colaborar com a Dixon com a malha de distribuição que temos em todo o Brasil e com nosso time de vendas e marketing.

>> Sobre a distribuição da Dixon pela Equipo, o que mudou na administração de sua empresa?  
Basicamente nada, pois temos um departamento de baterias. Inserir uma marca ou outra é muito tranquilo, pois a máquina já caminha. É só calibrá-la.

>> Do ponto de vista comercial, qual é a vantagem da Dixon em relação à concorrência?   
A vantagem é ser fabricante. Naturalmente, não posso revelar quais marcas famosas do mercado mundial confeccionam suas baterias e hardwares nas fábricas da Dixon, mas ela fabrica cerca de outras cinco grandes marcas mundiais. Isso já atesta sua qualidade e aprovação.

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>> Explique a política de preços dos produtos importados. Como ficarão com a alta do dólar?
É muito cedo para falar, pois ainda estamos analisando toda essa bagunça. Ninguém sabe ao certo que ocorrerá em abril ou maio, por exemplo. Ainda estamos oferecendo vantagens aos nossos parceiros em cima da cotação do dólar, mas não sabemos até quando.

>> Os pequenos lojistas também têm fácil acesso aos produtos da Dixon? Como trabalhar com margens de vendas menores?  
Sempre acreditei nos pequenos lojistas. Lembro-me bem quando meu irmão Juliano e eu abrimos a Equipo no começo dos anos de 1990. Não éramos pequenos, mas sim nanicos. Tínhamos muita vontade de vencer e de nos estabelecer como distribuidores de marca. Éramos apenas um escritório de 3 x 3 m no velho bairro paulistano do Bom Retiro. Revendíamos produtos que comprávamos da Pride, Habro, Extinta Mannys, Silva Ramos, entre outras empresas consolidadas no mercado. Elas aceitavam vender para nós. Nosso diferencial era o conhecimento sobre marcas, produtos e mercado. Após 15 anos, temos a Equipo superconsolidada no mercado. Portanto, o mesmo pode ocorrer com lojistas pequenos, é só ter vontade, garra e conhecimento.

Os pequenos não têm necessariamente margens menores, mas uma estrutura menor e que também custa menos. No começo da equação, pode até ser que o pequeno ganhe menos margens, pois ele não tem a ‘bala’ de um grande lojista. Por outro lado, os grandes pagam todos os seus tributos e suas estruturas. Acredito que tenham praticamente um lucro semelhante ou pouco acima dos pequenos.

>> Que produto Dixon mais vende no País?  
Começamos trazendo toda a linha, mas focamos nas baterias iniciantes — que não são tão iniciantes assim, já que vêm com madeira birch, enquanto as de outras marcas apresentam o basswood. Portanto, a qualidade e a sonoridade são o que mais chamam a atenção nas baterias Dixon.

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>> Comente sobre os desafios da Equipo para 2009.   
Nossos desafios são os mesmos de todas as empresas: nos manter sem downsize. Mas isso parece impossível com essa crise mundial. Agora é o momento de avaliar quais exportadores e lojistas são realmente parceiros. Os custos devem ser analisados de forma precisa e com mais frequência.

>> Quais é a sua análise sobre o mercado brasileiro de baterias?  
Sempre foi muito intenso. Além da concorrência mundial de marcas, ainda temos ótimas baterias fabricadas no Brasil. Tenho profundo respeito pelos fabricantes nacionais, pois conseguiram alcançar altos níveis de qualidade. Em contrapartida, temos alguns lojistas e pequenos importadores trazendo muitas baterias sem qualidade. Isso é ruim para quem está começando, porque acham que compraram algo bom e só depois percebem a enrascada.

As ações de marketing
Segundo o gerente de marketing Ricardo Abellan, a Equipo lançou os produtos Dixon no Brasil durante a Expo 2008.  O resultado foi positivo e surpreendente. Lojistas de todo o País puderam averiguar a qualidade e aparência dos produtos.
“Este ano vamos entrar na mídia de forma mais agressiva e investir em treinamento e workshops. Reinserir uma marca no mercado é um desafio bastante grande, pois consiste em readquirir a credibilidade. Esses esforços in store são ideais”, comenta. A Dixon também irá procurar algum artista que reflita o espírito da marca para patrocinar.

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