Disposta a ganhar o mundo

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fevereiro 07 11:12 2007

Com planejamento e capital, a coreana Sejung se prepara para ampliar seu mercado de piano e guitarras


Não duvide de uma empresa com objetivos bem planejados. Essa frase pode ser a leitura que se tem ao visitar a Sejung, empresa de origem coreana situada em Qingdao, interior da China. Como ela começou suas operações é somente mais um sinal de que o país asiático está realmente se preparando para ser o maior produtor mundial de instrumentos musicais.
Tal qual a americana Kaman, a Sejung é um pólo de negócios que passa pela indústria têxtil, de construção, de tecnologia a fabricante de pianos e instrumentos de cordas. A divisão musical é recente dentro do grupo, iniciando suas operações em julho de 2001, um ano após a apresentação de um projeto elaborado por Jae Suk Lee, amigo de escola de Soon Ho Park, chairman da empresa. “Até aquele momento minha única vivência com instrumentos era por meio dos meus filhos”, explica Park. “Eu não dei ouvidos às críticas que diziam que o mercado estava saturado e com baixo índice de crescimento. Simplesmente coloquei fé no projeto do senhor Lee”, completa. O preço para abrir o novo negócio: 20 milhões de dólares. Outro fato que colaborou para a decisão avessa às críticas é que o autor do projeto tinha trabalhado para grandes empresas coreanas de piano, como a Samick e a Young Chang.


É verdade que a China, país com um sistema político comunista, tem estimulado como nunca as empresas que exportam, além de relaxar gradualmente as condições para que o capital estrangeiro possa entrar e montar bases de produção, desde que com sócios locais. “A escolha errada de um parceiro chinês pode fazer seu negócio falir”, explica.
A empresa fez uma boa parceria com o governo chinês e tem demanda para contratar 2 mil funcionários, admitidos gradualmente entre 50 e 100 por semana. O tempo para abrir o novo negócio também foi exato. A Coréia passou da categoria de país com mão-de-obra de baixo valor agregado para uma economia de alta tecnologia. “Essa mudança significou que a tecnologia coreana de construir pianos e guitarras poderia ser transferida para uma nova fábrica na China”, explica Soon Ho Park.

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Do sonho à realidade
Quem está acostumado a visitar as fábricas nos Estados Unidos ou na América Latina sabe que é grande a diferença entre estas e os pátios de fabricação chineses. A Sejung hoje conta com 4 mil funcionários, oito prédios e foi posicionada para se tornar em poucos anos líder mundial em pianos e guitarras. “Nossa grande missão é criar um processo integrado de trabalho, além de contratar mão-de-obra que tenha experiência no nosso negócio”, diz o presidente Jae Suk Lee.


A contratação dos funcionários é um capítulo à parte. O negócio em instrumentos musicais mostra-se diferente de trabalhar com um outro tipo de produto. Ele requer expertise na área, e a China oferece uma vantagem sem igual para as empresas que necessitam de produção em massa: baixo custo de pessoal. Mas engana-se quem pensa que a Sejung busca ser uma empresa de fabricação em massa de produtos baratos. “Queremos oferecer a melhor qualidade detendo o controle da maior parte dos processos produtivos”, explica Peter Hong, presidente da American Sejung, escritório que cuida da venda nos continentes americano e europeu. “Entendemos que manteremos a qualidade se tivermos funcionários treinados. Oferecemos melhores condições àqueles que se esforçam e têm mais tempo na empresa, justamente para evitar o custo da rotatividade.” 
Sob esta política, a Sejung oferece aos trabalhadores almoço e salários que variam de 100 a 250 dólares, para 160 horas/mês, mais hora extra de 150% do valor da hora. Dormitórios e refeições estão disponíveis para todos no complexo construído, ao custo de 5 dólares por mês. Com essas medidas, a fábrica diminuiu seu índice de rotatividade para 10% ao ano.


Maquinário de primeira linha
A empresa possui mais de mil máquinas especializadas para a produção de instrumentos que vieram do Japão, Coréia, Taiwan, Itália e Estados Unidos, incluindo as computadorizadas (CNC), para corte de madeiras. A indústria é responsável por todo o processo, do tratamento da madeira bruta até a fundição, serralheria e injeção. Somente itens que não possam apresentar problemas ou que sejam de alta tecnologia, como as placas-mãe dos pianos digitais, por exemplo, são terceirizados por parceiros coreanos.
Apenas como referência, para entender o que significam todos esses investimentos, a produção da empresa em 2006 ficou na média de 21.600 pianos verticais, 7.200 de cauda e 180 mil instrumentos de cordas.

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Posicionamento de mercado
Detentora das marcas de pianos Hobart M. Cable, George Steck, Falcone, guitarras e violões Canvas e S101, a empresa também produz OEM para centenas de companhias ao redor do mundo. Não é pouco comum, ao visitar as instalações em Qingdao, encontrar no setor de guitarras marcas como Ibanez, Epiphone, First Act, além de marcas regionais na linha de produção.
Para um empreendimento novo, conquistar a confiança de marcas já estabelecidas é um mérito real. Mas não foi sempre assim: no início, a empresa sofreu com problemas de qualidade, o que gerou comentários até na América Latina. Questionado por Música & Mercado, Young Scott, gerente do setor de instrumentos de cordas, responde: “Realmente ocorreram problemas, mas isso foi antes de mudarmos a estrutura e ampliarmos o número de engenheiros na fábrica”, explica. Essa mudança no sistema trouxe um crescimento de 3,9 milhões de dólares de 2004 para 2005, só no setor de cordas OEM.
Embora a empresa tenha investido milhões para entrar no mercado, é clara a ambição da Sejung em se tornar, cada vez mais, uma empresa respeitada que preserva o equilíbrio entre valor e qualidade. “Construir uma empresa como esta não requer apenas capital, mas também uma enorme capacidade para planejar e pensar. Se chegarmos um dia a ser o maior produtor de instrumentos de cordas e pianos do mundo, será uma tremenda vitória”, finaliza Park.


Três perguntas para Peter Hong, presidente e CEO da American Sejung Corporation
Música & Mercado: Em face de um crescimento econ

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