Cr

Cr
março 23 08:00 2006

Muitos promovem cursos de “criatividade” apostando na sua própria capacidade criativa de ganhar dinheiro. Alguns investem em técnicas duvidosas de aprendizado, enquanto outros defendem até mesmo uma solução “química”. Costumo dizer que se você desse a uma pessoa medíocre as mesmas drogas consumidas pelos Beatles na concepção de “Sargent Pepper””s Lonely Hearts Club Band” o efeito alcançado seria idêntico ao de uma inconveniente embriaguez.

 

Criatividade é, antes de tudo, a forma como cada um de nós processa o conjunto de experiências que a vida nos proporciona. A velha máxima de que “o artista tem de sofrer” é, basicamente, isso. Não que tenhamos de nos submeter a um flagelo ou sermos traumatizados na infância para nos tornarmos artistas verdadeiros. Mas, de maneira alguma, um criativo pode comprar de olhos fechados tudo o que a vida lhe oferece. É preciso desconfiar e “sofrer” sempre. No fundo, é a maneira como um criativo enxerga alguém atravessando a rua que o difere dos outros. A paralaxe capaz de distorcer a realidade a serviço da criatividade.

 

Percebo, por exemplo, que a nossa publicidade nos últimos anos vêm sofrendo de um mal que a distancia cada vez mais do seu público. Sentados dentro de uma sala fechada e trancados dentro de um carro (ambos equipados com ar-condicionado e vidros escuros), os publicitários de hoje em dia tentam, em vão, ser criativos. Um ermitão jamais o conseguirá. Não há referências para tanto. Por esse motivo, o que se vê na mídia é uma sucessão infinita de bobagens que apenas refletem um mundinho fechado de opiniões e atitudes.

 

Vivo recebendo vídeos de comerciais europeus pela internet e fico cada vez mais convencido do abismo que nos separa daquele continente, onde imperam a ousadia e a inteligência. Mesmo aqui, bem próximo, na Argentina, existem exemplares mais criativos. Vejam o caso da nossa recente campanha pelo “Não”. A estratégia foi, nitidamente, um soco abaixo da cintura como aquele aplicado ao Lula na Campanha de 1989 (não por coincidência, o “marqueteiro” era o mesmo). Não havia como perder.

 

Loiras e personagens animados vendem bugigangas às crianças, os lares são bombardeados por campanhas de cerveja repletas de praias e mulheres com pouca roupa e os publicitários continuam justificando essa mesmice com o argumento de que a sua estratégia desova os estoques. Se me derem algumas dezenas de inserções no Jornal Nacional, vendo até os filhotes do meu vira-lata. Não é por aí…  

Isoladamente, as pesquisas não traduzem de forma completa os anseios de um consumidor. É preciso sair da caverna e conviver com ele. Cada vez que vou a uma loja (seja uma livraria ou uma megastore) fico observando o comportamento dos outros. Numa sala de aula, no shopping, nos campos de futebol, no

Comentários
Leia também:  Orion quer ultrapassar fronteiras
view more articles

About Article Author

MM
MM

Música & Mercado é uma revista empenhada em promover e divulgar o mercado e negócios para a indústria de áudio profissional, iluminação e instrumentos musicais. Nós amamos o que fazemos.

View More Articles